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3315_pt_Melo_T01 (Melo, João Crisóstomo do Couto e)

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[Gramática Filosófica]

Introdução
á Gramática Filosófica Portuguêza,
ou
Arte de Pensar.

L’art de penser avec justesse, est inseparable de l’art de parler
avec exactitude
.
Garat.

N.° 1. Os sentidos, de que sômos naturalmente
dotados, são os òrgãos por meio
dos quaes percebêmos a presença, as qualidades,
as propriedades e as circunstáncias
dos objetos, que nos cercam ; e a esta percéção
chámo ideia. (1)15

2. A percéção ou ideia da côr d’um pãno
é causada pela impressão feita pelo mêsmo
pãno sôbre o sentido da vista, por mediação
do ar e da luz : daqui vem dár-se
o epíteto de oculares ás ideias adqûiridas por
êste sentido (ocularis).

3. A ideia do som d’um instrumento sonoro
é devida á impressão feita pelo mêsmo
instrumento, tremulando no ar, que nos
cerca, e por êste comunicada ao sentido do
ouvido : por isso, chamâm-se auriculares as
ideias recebidas por via dêste sentido (auricularis).

4. A ideia do cheiro ou arôma d’uma
flôr é devida á impressão causada pela mêsma
flôr no sentido do cheiro (olfato), por
meio do ar.6

5. A ideia do sabôr d’um pômo é devido
á impressão causada pelo mêsmo pômo
no sentido do gôsto (paladar).

6. A ideia da durêza, da temperatura, e
de outras propriedades dos corpos, que nos
cercam, a não sêrem côr, som, arôma e
sabôr, tem origem na impressão feita pelos
mêsmos corpos no sentido do tato (qualquer
ponto da superficie do nosso côrpo, e principalmente
as pontas dos dêdos).

7. São, por tanto, os nossos sentidos
os canaes das nossas ideias ; e estas modificações
da nossa êxisténcia : com efeito, para
quem estiver privado do sentido da vista
não éxistirão corpos córádos ; nem sonoros
para quem não ouvir ; nem aromáticos
para quem não tiver olfato ; nem saborosos
para quem não tiver paladar ; nem, finalmente,
averá córpos pesados ou duros ou
quentes, &c. para quem não tiver tato.

8. A relação d’um objeto, e a da sua
qualidade, propriedade ou alguma circunstáncia
7do mêsmo objeto, sendo nos presente,
é o, que châmo juizo : assim, quando
percebêmos a relação, que á entre duas
ideias, diz-se, que julgâmos das mêsmas
ideias ; e a esta operação châmo julgar.

9. A’ relação entre dous juizos, ligados
entre si para percebêrmos a razão da certêza
d’algum outro juizo, châmo raciocínio :
assim, quando percebêmos a razão da certêza
ou da incertêza d’um juizo por meio
do concurso de dous ou mais juizos, raciocinâmos
do mêsmo juizo ; e a esta operação
châmo raciocinar.

10. Ao, que em nós percebe, julga e
raciocina, châmo alma : assim, percépções, juizos,
e raciocínios são operações da nossa alma ;
e para ela as êxercitar goza de quatro
faculdades, a sabêr : 1.ª a de percebêr objetos,
percétibilidade ; 2.ª a de recordar percéções,
memória ; 3.ª a de comparar percéções,
razão ; e 4ª a de querêr, ou de
não querêr, vontade : pôsto que tôdas estas
faculdades não seijam mais, que diversas formas
de percéção.8

11. A reunião de tôdas as faculdades
d’alma constitue o, que châmo entendimento ;
cujos elementos vẽem a sêr as percéções, as
lembranças, as relações e os deseijos : daqui
vem o dizêr-se, que entendêr é têr ideias,
lembranças, relações
e deseijos.

12. As ideias d’objetos, que tẽem côrpo,
denominam-se corpóreas ou físicas ; e
as dos, que o não tẽem incorpóreas ; taes são
aquelas, que produz a refléssão, sôbre as ideias
recebidas por via dos sentidos ; por isso,
châma-se ideia física ou concreta a percéção
d’objeto físico ; e ideia metafísica ou
abstrata a d’objeto metafísico ou abstrato ;
daqui vem o dizêr-se, que a ideia de côrpo é
física, e a d’alma metafísica.

13. Quando a nossa alma julga tem percebido
um objeto êxistente per si mêsmo, a
que châmo substáncia ; e outro, que êxiste
com dependéncia daquêle, a que, por
isso, châmo adjunto : assim, jámais pode
a vêr juizo sem concurso de duas ideias correlatas,
ou que entre si tenham relação ; e
9como a segunda destas ideias não pode êxistir
independentemente da primeira, dá-se
a esta o nôme de sujeito, e áquela o de atributo.

14. Por tanto, quando formâmos êste
juizo Deos é justo, isto é, quando percebêmos
a relação, que á entre a ideia de Deos,
e a de justiça, temos já percebido estas duas
ideias ; cuja êxistencia, e a da ligação delas,
ou a sua relação, que châmo verbo, formam,
o juizo, que delas fazêmos : por isso, em
tôdo o juizo á sempre três ideias elementares,
a sabêr : substáncia, verbo, adjunto ;
donde, no juizo propôsto por exemplo, Deos,
é substáncia ou sujeito, é verbo, e justo adjunto
ou atributo.

15. A nossa alma, quando julga dos objetos
percebidos, tem algumas vêzes necessidade
d’atendêr á dependéncia, que alguns
tẽem a respeito d’outros ; e a esta
percéção châmo relação de dependéncia entre
os mêsmos objetos : assim, quando formâmos
êste juizo : a existência de Deos é
10evidente, necessitâmos atendêr á relação de
dependéncia, que á entre o objeto êxisténcia,
e estoutro Deos ; a cuja expressão châmam
preposição, por têr sempre logar prepôsto
ao segundo objeto ou têrmo da relação :
por isso, em taes juizos concorrem substáncia,
verbo, atributo
e preposição ; mas,
deve atendêr-se, que a ideia substantiva do
juizo propôsto é composta de três, a sabêr :
êxisténcia de Deos.

16. Ocorrem tam-bem alguns juizos, cuja
ideia atributiva se-acha ligada com a da
relação entre a substáncia e o atributo, como
por éxemplo, nêste juizo : Pêdro âma :
onde âma eqûivale a é amante, e eis-aqui
as duas ideias elementares restantes do mêsmo
juizo : bem entendido, que a construção
de juizos, assim formalisados, é arbitráriamente
adótáda por abreviatura.

17. A’lém das espécies de juizos, quanto
á forma, que deixo êxemplificadas, á
ainda outras, nas quaes o primeiro elemento,
ou têrmo antecedente do juizo precisa
11do concurso d’algumas circunstáncias, para
sua completa formação : tal é esta, o omem,
que descobre uma verdade, faz um serviço
ao género omâno
 : onde vêmos concorrêr a
circunstáncia que descobre uma verdade, para
que a ideia omem ficasse completa e podesse
em conseqûéncia formar o têrmo antecedente
da relação, cujo têrmo conseqûente
vem a sêr fátôr d’um serviço ao género
omâno
 ; pôis faz um serviço eqûivale a é fátôr
d’um serviço
.

18. A’ tam-bem juizos, cujos atributos
são formados, assim como os sujeitos, de outros,
pelo concurso de ideias : tal é, por
êxemplo, o atributo dêste juizo : o omem,
que descobre uma verdade, é fátôr d’um serviço
ao género omâno
 ; onde á o atributo fátôr
d’um serviço ao género omâno
, no qual
concorrem ôito ideias, a sabêr : fátôr, de,
um, serviço, a, o, género, omâno
 : daqui
vem chamarem-se complexos os sujeitos e
atributos formados pelo concurso de mũitas
ideias ; e incomplexos, quando são formados
por uma só ideia : assim, o juizo Deos ê justo
12consta de sujeito e d’atributo complexos :
o juizo Deos é o creadôr de tôdo o
Universo
consta de sujeito incomplexo, e
d’atributo complexo : o juizo a êxisténcia de
Deos é evidente
consta de sujeito complexo,
e de atributo incomplexo ; e, finalmente,
o juizo o omem descobridôr d’uma verdade
faz um serviço ao gênero omâno
, consta de
sujeito e d’atributo complexos.

19. A esséncia d’um juizo consiste, como
temos visto, n’uma afirmação ; vindo a
sêr o sujeito o objeto de quem se-afirma
alguma cousa, e o atributo a cousa afirmada
do sujeito : assim, quando afirmâmos,
que um côrpo tem certa côr, ou que a não
tem, formâmos um juizo tanto n’um, como
n’outro caso ; e o mêsmo se-deve entendêr
á cêrca d’áfirmação d’um instrumento
sonoro ou não sonoro, d’uma flôr aromática
ou não aromática, d’um pômo saborôso
ou não saborôso, e d’um côrpo mais
duro ou menos duro, que outro.

20. Quando temos a julgar do pêso d’um
13côrpo precisamos percebêr a coêxisténcia do
mêsmo côrpo, e d’outro pêso se-tôme
por medida daquêle, que querêmos conhecêr ;
por isso, o juizo, nêste caso, consiste
em afirmar, que o pêso é igual ao conhecido
tomado tantas vêzes, quantas êste
mêsmo pêso se-contiver naquêle : daqui vem
dizêr-se, que medir um pêso P é vêr quantas
vêzes ou partes d’uma vêz se-contém nêle
outro pêso conhecido p ; vindo por tanto
a dar-se o nôme de relação de quóciente
a esta comparação de P com p ; de numero
á expressão desta mêsma relação ; e de
unidade de pêso ao, que serviu de medida.

21. Quando empregâmos o sentido do
tato, e que por êle conhecêmos a êxisténcia
d’um côrpo, cujas partes estão unidas ;
á afirmação, que exprimimos á cêrca da
união das partes do mêsmo côrpo, châmo juizo
da extensão dêste côrpo : assim, para se-concebêr
a grandêza da extensão d’um côrpo,
é preciso compara-la com a d’outro côrpo
conhecido, á qual por isso tenho chamado
unidade ; o mêsmo devêmos entendêr
14á cerca do juizo do comprimento d’uma estrada :
tôdavia podêmos tam-bem julgar dêste
mêsmo comprimento, sendo percorrido
por alguem, e comparado com outro igualmente
percorrido em uma unidade de tempo :
por quanto, o comprimento des-conhecido
conterá tantas vêzes o conhecido, quantas
o tempo, que nêle se-empregar, em sêr
percorrido, contiver aquêle, em que se-percorrer
a unidade de comprimento ; ou a relação
do comprimento desconhecido para o conhecido
será igual á do tempo empregado em
se-percorrér o tempo desconhecido para o tempo
correspondente á unidade de comprimento
 :
daqui vem chamar-se proporção eqûiquóciente
a igualdade de relações de quóciente.

22. O sistêma ou coléção dos sinaes convencionados
das nossas ideias, dos nossos
juizos e dos nossos raciocínios foma o, que
châmo Linguagem ; donde á tantas espécies
de linguagens, quantos são os diferentes
sistêmas de sinaes convencionados expressivos
das operações da nossa alma : (1)2 assim,
15a linguagem do ácionado é original em
nós ; e se-compõe d’acênos, de gestos, de
gritos e de toques : pelos acênos e pelos gestos
se-dirige esta linguagem á vista ; pelos
gritos ao ouvido ; e pelos toques ao tato : por
tanto, a linguagem natural é mais enérgica
e expressiva, que qualquer outra artificial ;
porque, aquela serve-se do emprêgo de três
sentidos para transmitir as operações intelétuaes
ou do entendimento ; e qualquer destas
sómente emprega um sentido ; precisando-se
sempre de recorrêr áquela, quando
se-quer fazêr mâior impressão.

23. Os sons, que articulâmos por meio
da bôca, orgam da faculdade da fala, (da
qual sômos naturalmente dotados, como da
faculdade d’andar, ) sendo empregados simples
ou combinadamente, servem de sinaes
ou de expressões das nossas ideias ; e a estas
expressões châmo vocábulos ou palavras
ou dições : daqui vem a necessidade de sabêrem-se
16pronunciar êstes mêsmos vocábulos,
cujo objeto faz a matéria do, que châmo
Ortoépia.

24. O emprêgo dos diversos vocábulos
d’uma Linguagem articulada, para a expressão
das nossas ideias, êxíge o conhecimento
da significação dos mêsmos vocábulos :
daqui vem a necessidade de sabêr-se a origem
e derivação de câda um, para se-obtêr
a sua verdadeira expressão ; cujo objeto
faz a matéria do, que se-châma Etimologia.

25. A combinação dos vocábulos, para a
expressão dos nossos juizos, requer o conhecimento
da relação de concordáncia e de dependéncia,
que ouver entre êles ; e êste objeto
é tôda amatéria da construção do discurso,
pelo que respeita aos vocábulos, como expressões
d’ideias ; e lhe dou por conseqûéncia
o nôme de Sintasse ou Sintaxe.

26. Os sinaes visìvéis, fixos e permanentes,
com que representâmos os sons articulados
17pelo orgam da fala, como expressões
de nossas ideias, châmam-se lêtras ; e,
porque a série ou fiada destas lêtras começa
por as, que se-châmam A, B, Ç, daqui
lhe veiu o nôme de A B Ç, por similhança
ao, que os Grêgos davam ao seo Sistêma
de lêtras ; o qual, pricipiando por duas
denominadas Alfa, Beta, dirivam dêle o
nôme d’Alfabeta, que dâmos tam-bem ao
nosso Sistêma, com a simples corrução d’
Alfabeto, por analogia.

27. A coléção de preceitos, estabelecidos
razoàvelmente em observações feitas no génio
e analogia d’uma Linguagem articulada, para
se-expressar o pensamento, châmo Gramática
Filosófica
da mêsma Linguagem : daqui
vem constar de três partes a Gramática
de qualquer Linguagem articulada, a sabêr :
Ortoépia, Etimologia, Sintasse. (1)318

28. A parte da Gramática denominada
Ortoépia trata, como têmos dito, da pronunciação
dos vocábulos, conforme os pronunciam
as pessôas eruditas da Côrte, e
que passam por falar corretamente a Linguagem
Nacional.

29. A parte da Gramática denominada
Etimologia trata, assim como fica dito, da
origem e derivação dos vocábulos, como expressões
d’ideias ; por isso, convém sabêr
a origem de câda vocábulo, para se-conhecêr
a fôrça da sua significação : se bem, que
o uso dos Eruditos prevalece mũitas vêzes
a esta circunstáncia ; mas, tôdavia, se-deverá
recorrêr sempre aos melhores Dicionários
das Linguas. (na Portuguêza ao do Sr.
Moraes : segunda dição.)

30. A parte da Gramática denominada
Sintasse tem por objeto a construção do
19discurso, e precisa, como dissemos, do
conhecimento da devida combinação dos vocábulos,
para a expressão d’um juizo ou
d’um pensamento simples, a que châmo Frase :
por quanto, um mêsmo juizo ou um mêsmo
pensamento pode admitir diferentes expressões
ou frases : com efeito, os três vocábulos
expressões dos elementos dêste juizo
Dêos é justo, sendo combinados três a três
produzem seis combinações ou frases, a sabêr :

1.ª Deos é justo,
2.ª Deos justo é,
3.ª E’ justo Deos,
4.ª E’ Deos justo.
5.ª Justo Deos é,
6.ª Justo é Deos.

31. As diferentes frases, que um juizo pode
admitir, como suas expressões, em resultado
da combinação dos vocábulos significativos
de seos elementos, nem tôdas são admissìvéis,
por têrem contra si o génio da respétíva lingua,
isto é, aquêle ábito, que a nossa alma
tem adquirido em recebêr as ideias n’uma
20certa ordem ; e, tam-bem, pela necessidade,
que certos vocábulos tem de conservarem
as suas relações de concordáncia ou de dependéncia ;
as quaes, sendo quebradas, desapareceria
o juizo ou o pensamento expressado
pela primeira combinação : com efeito,
as seis combinações produzidas pelos três vocábulos
componentes desta frase Pêdro matou
António
 ; ou as frases, que produziriam os
cinco vocábulos d’estoutra frase Pêdro fôi
matador de António
expressariam diferentes
juizos, como se-vê :

1. Pêdro matou António,
2. Pêdro António matou,
3. Matou Pêdro António,
4. Matou António Pêdro,
5. António matou Pêdro,
6. António Pêdro matou ;

1. Pêdro fôi matadôr de António,
2. Pêdro fôi de António matadôr,
3. Pêdro matadôr fôi de António,
4. Pêdro de António fôi matadôr,
5. Pêdro de António matadôr fôi,
216. Pêdro matadôr de António fôi,
7. Fôi Pêdro de António matadôr,
8. Fôi matadôr Pêdro de António,
9. Fôi de António Pêdro matadôr,
10. Fôi Pêdro de Anatónio matadôr,
11. Fôi de António Pêdro matadôr,
12. Fôi matadôr de António Pêdro,
13. Matadôr fôi Pêdro de António,
14. Matadôr Pêdro de António fôi,
15. Matadôr de António fôi Pêdro,
16. Matadôr fôi de António Pêdro,
17. Matadôr de António Pêdro fôi,
18. Matadôr Pêdro fôi de António,
19. De António Pêdro fôi matador,
20. De António Pêdro matadôr fôi,
21. De António matadôr fôi Pêdro,
22. De António matadôr Pêdro fôi,
23. De António fôi Pêdro matadôr,
24. De António fôi matadôr Pêdro.

32. Nas diferentes frases, que deixâmos
expostas, vê-se, que nem tôdas expressam
o juizo expressado pela primeira
das seis ou das vinte e quatro ; e mâiór
disparidade resultaria, se tivéssemos separado
22o vocábulo de d’estoutro António ; por
isso, nunca se-deve fazêr tal separação ; e
bem se-deixa vêr, que se-conservássemos o
antecedente matadôr unido, ou prepôsto
ao vocábulo de, teria sido menor o número
das mêsmas frases : é por similhante razão,
que na frase o omem é mortal o vocábulo
o deve conserrvar-se prepôsto, e como
unido a estoutro omem ; aliás, resultaram similhantes
disparidades ás, que derivaram da
frase, Pédro fói matadôr de António, quando
na combinação dos seos vocábulos se-considerasse
de desligado de António. (1)4

33. Temos dito, que o concurso de três
juizos formam o, que se-châma raciocínio,
cujo artifício consiste nêste princípio : duas
cousas, convindo a uma terceira, convẽem
entre si
 : donde, o raciocínio é um compôsto
de três afirmações ou proposições ;
das quaes a primeira se-denomina géral,
23(1)5 a segunda particular (2)6 e a terceira
concludente. (3)7

34. A conformidade, que á entre um
objeto e a ideia, que dêle formâmos, châma-se
verdade : por isso, nos devemos acautelar
no juizo de ideias recebidas pelo sentido
da vista ; porque, entre tôdos é o mênos
fiel, ainda que o mais fèrtil : e para nos
certificarmos da verdade das ideias oculares,
isto é, da sua conformidade com os seos
objetos, recorrerêmos, sempre que fôr possìvel,
ao sentido do tato ; por cuja exceléncia
lhe dou o epíteto de ratificadôr.

35. Tornando á construção do raciocínio
tenho a dizêr, que a proposição, denominada
concludente, inclue a verdade, que
se-pretende achar : por isso, quando as proposições
denominadas géral, e particular são
verdadeiras, é innegàvel a proposição concludente ;
se, ao contrário, uma daquelas
24duas Proposições não é verdadeira, nega-se
a concludente ; fundando-se a negação sôbre
a falta de verdade em alguma das duas
primeiras Proposições ou premissas. (1)8

36. Acontece, algumas vêzes, sêr uma
das premissas verdadeira só n’um sentido, e
falsa n’outro ; mas nêsse cáso a concludente
é só verdadeira no sentido, em que a premissa
o fôr tam-bem ; e, pelo contrário, a
mesma concludente é falsa no sentido, em que
o fôr a premissa : tal é o seguinte raciocínio :
se Deos é justo, pune o crime nesta
vida : ora Deos é justo ; logo Deos pune o
crime nesta vida
 : raciocínio verdadeiro, se
se-pretende sabêr, se Deos pune o crime
nesta vida
 ; no qual as premissas vẽem a sêr
estas : se Deos é justo pune o crime nesta
vida
(géral), Deos é justo (particular).

37. A primeira se Deos é justo, pune o
crime nesta vida
, é verdadeira n’um sentido
sómente, e, para o sêr em tôda a extensão,
25carece de ajuntar-se-lhe, ou na outra ;
de sorte, que virá a sêr esta : se Deos é
justo, pune o crime nesta vida ou na outra
 ;
e quando assim não seija completa,
deve-se negar a restrição da concludente
Deos pune o crime nesta vida.

38. Em tôdo o raciocínio fundado em
premissas verdadeiras não se-pode negar a
concludente, tal é êste : tôdos os omens são
mortaes : Pêdro é omem ; logo Pêdro é mortal
 :
com efeito, consistindo tôdo o raciocínio
em que a Proposição géral dêva contêr
a concludente ; e a particular dêva mostrar,
que a concludente se-contém na géral ;
é evidente, que tôdo o raciocínio,
assim construido, vem a sêr verdadeiro necessáriamente :
donde, é de concluir :

Tôdo o raciocínio ou argumento é falso,
quando se-deixa de observar na sua construção
alguma das circunstáncias fundamentaes
.

38. A’lém do, que fica dito ácêrca da construção
de qualquer argumento, raciocínio,
ou silogismo, deve-se de mais atendêr a que
26conste de três têrmos, que denomino inicial
ao primeiro, médio ao segundo, e final
ao terceiro : donde, o sujeito do térmo
médio
vem a sêr o atributo do juizo expressado
pelo termo inicial ; e o atributo do
mêsmo térmo médio deve sêr o do têrmo
final, cujo sujeito é o mêsmo, que o do
termo inicial ; assim como se-vê nêste raciocínio :
uma cousa A tem para outra B
certa relação ; mas esta cousa B tem igual
relação, para outra C, à que tem A para B :
logo a cousa A vem a têr para a cousa C
a mêsma relação, que ela tinha para a cousa
B
.

39. Suponho, para facilidade de sêr entendido,
que a cousa A tem para a cousa
B uma relação d’igualdade, isto é, que A
é igual a B
, ou A = B (1)9, e consequêntemente,
que B = C ; donde, como fica
dito, se-conclue, que A = C ; com efeito,
vemos, que o sujeito da segunda frase B =
C é o atributo da primeira A = B, e que
27o atributo da terceira A = C é o da segunda ;
assim como o sujeito da mêsma terceira
frase é o da primeira : o que tudo se-comprenderá
melhor, colocando as ditas três
frases ou proposições dêste modo :

A é igual a B, ou A = B,
B é igual a C, ou B = C,
A é igual a C, ou A = C.

40. Devêmos ainda atendêr á cêrca do
raciocínio, que, se ambas as premissas fôrem
particulares, a concludente o deverá sêr tambem :
por quanto, devendo contêr-se a concludente
em uma das premissas, não podia
sêr géral, e compreendêr-se n’uma proposição
particular : tal seria êste raciocínio :
os Portuguêzes são valerosos : Pêdro e António
são Portuguêzes ; logo Pêdro e António
são valerosos
 : conclusão falsa, porque
os Portuguêzes não se-tomam géralmente ou
por tôdos os indivíduos Portuguêzes, mas
sim, pela maior parte ; por isso o têrmo
inicial do raciocínio, constando d’um sujeito
diferente daquêle, que competir ao têrmo
28final, seguir-se-á necessáriamente falcidade.

41. Acontece porém o contrário do, que
venho de dizêr no precedente parágrafo,
quando a premissa inicial fôr géral, tal é o
seguinte raciocínio : os omens são mortaes :
eu sou omem ; logo eu sou mortal
 : conclusão
verdadeira, porque o sujeito da premissa
géral contém o da concludente.

42. Quando ouvermos de raciocionar com
alguém é nos preciso vêr, primeiro que
tudo, se êle tem as mêsmas idêias, que têmos
ácêrca do objeto do raciocínio ; e se-toma
os vocábulos no mêsmo sentido, em
que os tomâmos : por isso, convém definir
primeiramente os vocábulos, isto é, concordar
na significação de cada um, pela enumeração
das ideias, que por éles géralmente
se-designam
 : por quanto, as ideias comuns
(1)10 aos objetos, que se pretendem definir,
29são as, que fazem, que quem fala dêstes
mêsmos objetos venha a sêr entendido por
quem o ouve.

43. São diversas as origens da falsidade
d’um raciocínio ; e, para nos livrarmos de
cair em taes raciocínios, apontarei as principaes
origens a sabêr :

1. Ambiguidade na significação dos vocábulos.

2. Ignoráncia do objeto do raciocinio.

3. Petição do princípio, que se-quer conhecêr.

4. Suposição de verdade onde a não á.

5. Tomar por causa o, que o não é.

6. Enumeração imperfeita de circunstáncias.

7. Indução defeituosa.

8. Tomar simples acontecimentos por causas
verdadeiras.30

9. Afirmar de certas cousas, estando juntas,
o, que não é verdade, estando separadas ;
e recíprocamente.

10. Afirmar em géral d’uma cousa o, que
só é verdade em particular ; e recíprocamente.

11. Passar do desconhecido ao conhecido.

12. Passar de um gênero a outro.

44. Quando á vício ou êrro na matéria
d’um raciocínio, (o qual tem sempre
origem na falsidade d’alguma das suas premissas, )
chama-se a um tal raciocínio paralogismo,
ou máo raciocínio : v. g. o raciocínio,
que fica expôsto em N. 40.

45. Châmo sofisma a tôdo o raciocínio
ou argumento capciôso ou enganadôr, (cuja
origem consiste em se-têr cometido algum
defeito na sua forma) : por isso, convém
muito, para não sêrmos enganados com
taes raciocínios, atendêr bem á significação
dos vocábulos, e a que se-tenha conhecimento
distinto do objeto, sôbre que se-raciocína.31

46. O raciocínio perfeito, quanto ao
pensamento : mas imperfeito, quanto á sua
expressão, châma-se entimema : v. g. êste raciocínio :
eu penso, logo existo : onde se-vê,
que falta o têrmo médio, o que pensa existe.

47. O argumento, que consta de duas
proposições contrárias, e das quses se-deixa
uma á escôlha daquêle, com quem se-argumenta,
para o convencêr-mos com aquela
mêsma proposição, que êle escolhêr, chama-se
dilema : tal é o seguinte : ou a Religião
Christãa fôi estabelecida por milagres,
a pesar de tôdas as perseguições, que têve ;
ou ela fôi estabelecida sem milagres
 : se com
quem argumentâmos concede, que a Religião
Christãa fôi estabelecida por milagres a
pesar de tôdas as perseguições, que têve
, ficará
convencido, de que a mêsma Religião
é autorisada por Deos
 : se, pelo contrário,
quem argumenta comnôsco nos concede,
que ela fôi estabelecida sem milagres, ficará
tam-bem convencido de que um tal Estabelecimento
contra tôdas as perseguições e
oposições, que têve
, é ainda um milagre mâiór,
32que tôdos os milagres ; e fica reconhecida
mais cabalmente a autoridade de Deos
sôbre o estabelecimento da mêsma Religião
. (1)11

48. Ao argumento, que se-forma d’uma
série de proposições dependentes umas das
outras, de sorte, que o atributo da proposição
antecedente venha a sêr o sujeito
da conseqûente até, que o sujeito da primeira
premissa se-ache tam-bem como sujeito
na proposição concludente, châmo sorite :
eis-aqui um ; o avarento desêija sempre ;
quem desêija sempre víve atormentado
pelos seos próprios desêijos ; quem vive atormentado
pelos seos próprios desêijos é desgraçado :
logo o avarento é desgraçado
.

49. O artifício ou sistema de preceitos,
que se-emprega, ou vereda, porque se-caminha
no descubrimento da verdade, e na
apresentação dela por uma maneira clara,
depois de têr sido descuberta, châma-se Método ;
e divide-se em Método Analítico, ou
33vereda, que nos conduz dos efeitos para as
causas ; e em Método Sintético, ou vereda,
que nos conduz das causas para os efeitos.

50. Pelo, que fica dito, podêmos ainda
dizêr, que o Método Analítico é aquêle, que
se-emprega no descubrimento da verdade
d’uma proposição pelo conhecimento da de
outras proposições antecedentes ; vindo por
conseqûencia a caminhar-se d’ideias simples
e fàceis para outras menos simples e
menos fàceis : daqui vem dar-se o nôme de
resolução a tôda a operação analítica. (1)12

51. Igualmente podêmos dizêr, que o
Método Sintético é aquêle, que se-emprega
no descubrimento da verdade d’uma proposição
obtida em último resultado ; ordenando
porém a coléção d’outras proposições,
que, combinadas entre si, nos conduzam
á verdade, que se-procura ; e da qual teríamos
devido partir, se-empregássemos o
34Método Analítico : por isso, dá-se o nôme
de composição a tôda a operação sintética. (1)13

52. Tôdo o artifício de raciocínio, a que
se-châma sciéncia de raciocinar ou Lógica,
consiste na êxata observáncia das seguintes
regras, cuja falta é sempre a causa dos nossos
erros, a sabêr : (2)14

1. Caminhar sempre do conhecido para o
des-conhecido.

2. Concebêr distintamente o ponto essencial
da questão.

3. Separar da questão tudo aquilo, que
lhe é inùtil e estranho.

4. Admitir sómente como verdade aquilo,
que evidentemente se-conhece sê-lo.

5. Evitar tôda a precipitação.

6. Evitar tôda a prevenção.

7. Não envolvêr nas proposições mais cousas,
que aquelas, que representam ao espirito.35

8. Verificar se o juizo é fundado sôbre o motivo,
que êle supõe.

9. Têr por duvidôso o, que é duvidôso.

10. Têr por verosìmil o, que é verosìmil.

11. Dividir o assunto em tantas partes,
quantas fôrem necessárias, para o esclarecêr
e tratar bem.

12. Fazêr enumerações tão êxatas, que se =
possa crêr, que não ouve omissão de cousa
alguma.

53. Tenho por tanto expendido quaes
são as operações do nosso entendimento, e
firmado o número das faculdades, que êle
emprega para as êxercitar : tenho igualmente
des-envolvido os princípios fundamentaes
da construção do raciocínio, cuja operação
carateriza, entre tôdos os animaes, o indivíduo
omem, como ente racional ; e finalmente
o método, que convém seguir na investigação
da verdade : (1)15 resta-me tratar da expressão
das operações intelétuaes, ideias,
36juizos e raciocínios ; as quaes como, temos
dito, fazem tôda a matéria, de que passo
a escrevêr, e a qual já denominei Gramática.
(N. 27.) (1)16

Fim da Arte de Pensar.37

Ortoépia.

Seção I.
Dos sons ou elementos da palavra pronunciada. (1)17

N. 1. Som da voz omana ou som articulado,
é a sensação causada no sentido auricular
pelo orgam da fala.

2. Vóz é a infléssão do som causada pela
diferente abertura da bôca e sem união
dos beiços, nem da lingua, nem dos dentes,
nem da garganta. (2)18

3. Articulação é a infléssão do som causada
39pela diferente união dos beiços, da lingua,
dos dentes e da garganta. (1)19

4. Tom é a infléssão do som causada pela
sua elevação.

5. Duração é a infléssão do som causada
pela sua extensão.

6. A’ duas Classes de sons relativamente
á sua origem, a sabêr : (2)20

1.ª Primitivos,
2.ª Derivados.

7. Som-primitivo é o expressado por uma
ou mais vozes n’um só tempo : v. g. á, ê,
ái
, &c.40

8. Som-derivado é o expressádo por uma
ou mais vozes combinadas com uma ou mais
articulações : v. g, má, dé, máis, &c.

9. A’ duas ordens de sons primitivos ; a
saber :

1.ª Simles,
2.ª Combinados.

10. Som-primitivo-simples é o expressado
por uma só voz : v. á, é. â, ê, &c.
ã, ẽ, &c.

11. Som-primitivo-combinado é o expressado
por mais d’uma voz n’um só tempo,
e com uma única expiração sonora : v. g.
áe, ái, âi, ãe, ão, &c. (1)21

12. A’ duas ordens de sons derivados, a
saber :41

1.ª Simples,
2.ª Combinados.

13. Som-derivado-simples é o expressado
por qualquer voz combinada com uma
ou mais articulações : v. g. má, más, dê,
bra, bras
, &c.

14. Som-derivado-combinado é o expressado
n’um só tempo por duas ou mais vozes
unidas a uma ou mais articulações : v. g.
máo, máos, mâiór, mão, brêo, brêos, &c.

15. A’ dous géneros de sons-primitivos-simples,
a sabêr :

1.ª Oráes,
2.ª Nasáes.

16. Som-primitivo-simples-oral é o expressado
com mâiór reflusso d’ar pela bôca,
que pelo nariz : v. g. á, ê, &c.

17. Som-primitivo-simples-nasal é o expressado
42com mâiór reflusso d’ar pelo nariz,
que pela bôca : v. g. ã, &c. (1)22

18. A’ dous géneros de sons-primitivos-combinados,
a sabêr :

1.° Oraes,
2.° Nasaes.

19. Som-primitivo-combinado-oral é o
43expressado por mais d’uma voz oral n’um
só tempo : v. g. áe, &c.

20. Som-primitivo-combinado-nasal é o
expressado n’um só tempo por uma voz nasal
e outra oral : ex. ão, &c.

21. A’ três espécies de sons relativamente
ao tom e duração, a sabêr :

1.ª Agudos,
2.ª Graves,
3.ª Baixos.

22. Som-agudo ou acuminado é o, que
se-expressa com agudêza ou elevação : v. g.
á, é, &c.

23. Som-grave ou extenso é o, que se-expressa
com gravidade ou extensão : v. g. â, ê,
&c.

24. Som-baixo e curto é o, que se-expressa
com menor agudêza e extensão, que
a do agudo e a do extenso : v. g. a, e, &c.44

Recapitulação
do
Sistema dos Sons Elementares.

Classes

1.ª Primitivos : v. g. a, áe, ê, êi, ã,
ão
, &c.

2.ª Derivados : v. g. má, dê, máis,
méi, mã, mão
, &c.

Ordens.

1.ª Simples : v. g. á, ê, ã, &c.

2.ª Combinados : v. g. ái, âi, ãe, &c.

Géneros.

1.ª Oraes : v. g. á, ê, áe, &c.

2.ª Nasáes : v. g. ã, ão, &c.

Espécies

1.ª Agudos : v. g. á, é, &c. ái, ão, &c.

2.ª Graves : v. g. â, ê, &c. ài, &c.

3.ª Baixos : v. g. a, e, &c. (Vêd.
o Nôv. Mét.)45

Seção II.
Das Lêtras ou Elementos da palavra
escrita.

25. Lêtra é um sinal figurado, visìvel,
e permanente.

26. A lêtras servem para expressar as
diversas infléssões ou modificações do som.

27. A’ duas classes de lêtras, a sabêr :

1.ª Vogaes,
2.ª Consoantes.

28. Lêtra vogal é a, que expressa voz :
v. g. a, ã, &c.

29. Lêtra consoante é a, que expressa
articulação : v. g. m, d, v, l, c, &c.

30. A’ duas ordens de vogaes, a sabêr :

1.ª Simples,
2.ª Combinadas.46

31. Vogal-simples é a expressão de som
primitivo simples : v. g. á, ê, ã, &c.

32. Vogal-combinada é a expressão de
som primitivo combinado : v. g. áe, âi, ãe, &c.

33. A’ dous géneros de vogaes, a sabêr :

1.° Oraes,
2.° Nasaes.

34. Lêtra vogal-oral é a expressão de
voz oral : v. g. á, ê, &c. áe, éi, &c.

35. Lêtra vogal-nasal é a expressão de
voz nasal : v. g. ã, &c. ãe, &c.

36. A’ três espécies de vogaes relativamente
á mâiór ou menor elevação, ou extensão
dos sons, que expressam, a sabêr :

1.ª Agudas,
2.ª Graves,
3.ª Baixas.

37. A’ duas ordens de consoantes, a sabêr :47

1.ª Simples,
2.ª Combinadas.

38. Consoante simples é a expressão d’articulação
simples : v. g. m, d, v, &c.

39. Consoante combinada é a expressão
de duas ou mais articulações : v. g. br, str, &c.

40. A’ três géneros de consoantes, a sabêr :

1.ª Labiaes,
2.ª Linguaes,
3.ª Guturaes.

41. Consoante labial é a expressão d’articulação
causada pelo movimento dos beiços :
v. g. m, d, br, &c.

42. Consoante lingual é a expressão d’articulação
causada pelo movimento da lingua :
v. g. d, l, dr, &c.

43. Consoante gutural é a expressão d’articulação
48causada pelo movimento da garganta. (1)23

44. A’ três géneros de consoantes relativamente
ao mâiór ou menor apêgo das partes
mòveis principaes da bôca e á mâiór
ou menor fôrça, com que se-expressa o ar
sonoro, a sabêr :

1.ª Fortes,
2.ª Fracas,
3.ª Fraquíssimas.49

Recapitulação
Sistema das Lêtras ou sinaes dos sons Elementares.

Classes.

1.ª Simples : v. g. á, m, &c.
2.ª Combinadas : v. g. áe, âi, ão, dr.

Ordens.

1.ª Vogaes : v. g. á, ê, ã, &c. áe, ão, &c.
2.ª Consoantes : v. g. m, dr, &c.

Géneros de vogaes.

1.° Oraes : v. g. á, ê, &c. áe, êi, &c.
2.° Nasaes : v. g. ã, ẽ, &c. ãe, ẽe, &c.

Espécies de vogaes simples.

1.ª Agudas : v. g. á, é, í, ó, ú,
ã, ẽ, ĩ, õ, ũ
.

2.ª Graves : v. g. â, ê, î, ô, û, an,
en, in, on, un
. (V. Nôv. Mét.)

3.ª Baixas : v. g. a, e, i, o, u.
*****50

Géneros de consoantes.

1.ª Labiaes : v. g. m, l, &c. br, &c.
2.ª Lingues : v. g. d, t, &c. dr, &c.
3.ª Guturaes. ****

Espécies de consoantes simples.

1.ª Fortes : v. g. p, f, c, qu, t,
x, ch, ç, lh, nh, rr, ss
.

2.ª Fracas : v. g. b, v, g, *d,
j, *z, l, n, r, s
.

3.ª Fraquíssimas : v. g. m, **.

Espécies de vogaes combinadas oraes.

1.ª Agudas : v. g. áe, ái, áo, áu,
éi, éo, íe, ío, íu, úe, úi, úo
.

2.ª Graves : v. g. âi, âu, êi, êo, êu,
ôe, ôi, ôu
.

Espécies de vogaes combinadas nasaes.

1.ª Agudas : v. g. ãa, ãe, ãi, ão,
ẽe, ẽi, ĩi, õe, õi, õo, ũi, ũu
.

2.ª Graves : v. g. am, em, im,
om, um
.51

Espécies de consoantes combinadas.

1.ª Fortes : v. g. pl, pr, pç, pss,
pt, ft, fr, cd, cl, cr, cç, cn,
cs, ct, tm, tn, tr, trs
.

2.ª Fracas : v. g. mn, bl, br, vr,
gd, gl, gr, gn, gs, gt, dm,
dn, dr, ds
.

3.ª Fracas e Fortes : v. g. sm, sb,
sp, sr, sf, sd, st, sj, sd, sç,
sg, sc, sq, sl, sn, sr, sgr,
sdr, scl, spr, sfr, scr, str, sbr
. (1)24

Seção III.
Das Sílabas.

45. Sílaba é a expressão de qualquer
som elementar. (2)2552

46. A’ duas classes de sílabas, a sabêr :

1.ª Naturaes,
2.ª Artificiaes.

47. Sílaba-natural é a exprressão de qualquer
articulação, v. g. m’ d’, &c.

48. Sílaba artificial é a expressão de qualquer
som primitivo ou derivado. (1)26

49. A’ dous géneros de sílabas, relativamente
á sua expressão, a sabêr :

1.° Pronunciadas,
2.° Escritas.

50. Sílaba pronunciada é a expressada
pela fala.

51. Sílaba escrita é a expressada pelas
letras.53

52. A’ três espécies de sílabas, relativamente
á duração dos sons, que elas expressam,
a sabêr :

1.ª Longas,
2.ª Breves,
3.ª Brevíssimas.

53. Sílaba-longa é a expressão d’um som
agudo ou grave : v. g. á, dá, &c.

54. Sílaba-breve é a expressão d’um som
baixo e curto : v. g. a, da, &c.

55. Sílaba-brevíssima é a expressão d’uma
articulação : v. g. b, d, &c. ou b’, d’, &c.

Seção IV.
Dos vocábulos.

56. Vocábulo é a expressão d’um ou
mais sons.

57. A’ duas classes de vocábulos, relativamente
ao número de sílabas, de que constam,
a sabêr :54

1.ª Mono-sílabos,
2.ª Poli-sílabos.

58. Vocábulo-mono-sílabo é o, que consta
d’uma só sílaba : v. g. á, dá, ou, dou,
ẽe, ão, as, das
, &c.

59. Vocábulo-poli-sílabo é o, que, consta
de mũitas sílabas ; conseguintemente, di-sílabo
é o, que consta de duas ; tri-sílabo o, que
consta de três ; quatri-sílabo o, que consta
de quatro ; &c. : v. g. adro, igual, ontem,
fôram
, (di-sílabos) ; faltaram, faltàrâis,
(tri-sílabos) ; &c.

Seção V.
Da pronunciação do Discurso.

60. A expressão dos sons componentes
de qualquer vocábulo é o, que châmo pronunciação
do mésmo vocábulo
.

61. Tôdo o vocábulo escrito, para sêr
bem pronunciado, deve mostrar exatamente
figurados tôdos os sons, que o formarem.55

62. Entre os diferentes sons componentes
de qualquer vocábulo poli-sílabo à sempre
um mais agudo, ou mais extenso,
que tôdos os outros ; e é por esta mâiór
agudêza, ou mâiór extensão de voz, que
des-aparece a monotonia ou confusão de sons,
que qualquer ouvido necessáriamente experimentaria,
sentindo a pronunciação d’um
vocábulo, cujos sons fôssem igualmente agudos
ou graves ou baixos : evita-se esta
confusão, fazendo predominar um som em
tôdo o vocábulo a respeito dos mais, que
éle expressar ; e que por esta razão o châmam
som predominante : eu porém o châmarei
acento ortoépico. (1)27

63. O acento ortoépico de qualquer vocábulo
poli-sílabo é sempre expressado por
uma das três últimas silabas componentes
do mêsmo vocábulo : v. g. em sabêr, em
assinaládos, em esquálida, e em contrário.
(2)2856

64. Para que a pronunciação de qualquer
vocábulo poli-sílabo possa sêr melodiosa, (1)29
é necessário graduar a dos sons componentes
do mêsmo vocábulo pela quantidade
das sílabas, que os expressarem ; a qual
é sempre distinta pelos carateres : por tanto,
deve o Leitôr abituar-se a firmar a voz
nas sílabas longas, a passar delas insensìvelmente
para as breves, e destas para as brevissimas. (2)30

65. A’ três espécies de pronunciação, a
sabêr :

1.ª Pronunciação declamando,
2.ª Pronunciação lendo,
3.ª Pronunciação conversando.

66. Pronunciação declamando é a áção
de dizêr em voz alta algum discurso com o
tom e duração competente, e acompanhando
a voz do gesto e áção.57

67. Pronunciação lendo é a áção de dizêr
em voz mênos alta, que a da pronunciação
declamando
, algum discurso com o
tom e duração competente, sem acompanhar
a voz do gesto nem d’áção : deve porém
atendêr-se, que a voz sêija naturalmente
expedida com tom dêce e agradàvel,
acompanhada do ar polido e delicado, que
os antigos chamavam urbanidade ; e pelo
qual se-distinguem mũi facilmente os Provinciânos
dos Cortesãos.

68. Pronunciação conversando é a áção
de dizêr em voz menos alta, que na pronunciação
lendo
, qualquer discurso ; fazendo
menor firmêza nas sílabas longas, que
aquela, que se-deve fazêr na pronunciação
lendo : atendendo sempre a que não aja afétação
nem acanhamento ; e de nenhuma
sorte a elevação e duração de som, gestos,
e ácionados, que competem á pronunciação
declamando
e lendo.

Fim da Ortoépia.58

Etimologia.

Seção 1.
Das espécies de vocábulos como sinaes
d’ideias.

N. 1. Para a construção do Discurso
concorrem cinco espécies de vocábulos, a
saber : (1)31

1.ª Substantivos,
2.ª Adjétivos,
3.ª Verbos,
4.ª Preposições,
5.ª Conjunções.

2. Vocábulo substantivo é o sinal da ideia
de substancia : v. g. omem, mulher, cavalo,
59égua, érro, verdade, &c. ; e divide-se em
concreto e abstrato.

3. Substantivo concreto é o, que significa
substáncia concreta : v. g. Sol, Lua,
agua
, &c.

4. Substantivo abstrato é o, que significa
substáncia abstrata : v. g. vício, virtude,
&c.

5. Vocábulo adjétivo é o sinal da ideia
d’adjunto : v. g. bom, grande, &c.

6. Vocábulo verbo é o sinal da ideia de
coexisténcia de substáncia e d’adjunto : v. g.
é na frase Deos é justo ; e âma em António
âma
.

7. Vocábulo preposição é o sinal da ideia
da relação de dependéncia dos substantivos,
adjétívos e vérbos na constrúção da frase.

8. Châmo expressões complementares tôdas
aquelas, de que depende a completa significação
60d’outras : v. g. de Deos na frase
a existéncia de Deos é evidente ; da virtude
em António é amante da virtude ; para
sêrmos felizes
em a obediéncia é necessária
para sêrmos felizes
, &c ; onde se-vê a
significação de existéncia completa pelos dous
vocábulos de Deos, dos quaes o primêiro é
preposição (N. 7.) e o segundo substantivo
(N. 2.) : a significação de amante completa-se
com os vocábulos de a virtude, dos
quaes o primeiro é preposição, o segundo
adjétivo e o terceiro substantivo : finalmente,
a significação de necessária completa-se
com os vocábulos para sêrmos felizes
ou para nós sêrmos felizes, dos quaes o primeiro
é preposição, o segundo substantivo,
o tercêiro verbo e o quarto adjétivo.

9. Vocábulo conjunção é um sinal da
ideia da relação de concurso dos sujeitos ou
atributos na formação de frases compostas ;
ou de ligação das frases na construção dos
Periodos : v. g. e nas frases a prudéncia e a
moderação andam juntas ; António e Francisco
são felizes : ainda em não é bastante fugir

61do vício, é necessário ainda praticar a
virtude
.

10. As expressões complementares são, por
abreviatura, algumas vêzes significadas por
um só vocábulo, que os Gramáticos châmam
Advérbio : (1)32 v. g. não em Deos não
desampara os Pecadôres
 ; onde o Advérbio
não vale o mêsmo, que de nenhuma forma,
ou de forma nenhuma ; e severamente, em
Deos punirá severamente os ímpios ; onde severamente
eqûivale a com mente (2)33 severa ; donde
a expressão severamente vale o mêsmo,
que com maneira severa.

11. Quando se-quer expressar rápidamente
uma dôr, uma paixão, &c. faz-se
uso d’um só vocábulo, em aparéncia, mas
em realidade mais, que vocábulo ; que os
62Gramáticos denominam Interjeição ; pospon-pondo-se-lhe
o ponto d’admiração ( !) : v. g.
ai ! equivale a tenho dór ! As expressões desta
naturêza são frases sentimentaes, e formam
tôda a linguagem do coração. (1)34

Seção II.
Das Espécies de Substantivos.

12. Os vocábulos substantivos dividem-se
em

Próprios,
Comuns
.

13. Substantivo próprio é aquéle, que
significa ideia competente a uma só pessôa
ou cousa : v. g. António, Lisbôa, Téjo, &c.63

14. Substantivo comum é aquêle, que significa
ideia competente a mũitas pessôas
ou cousas da mêsma espécie : v. g. omem,
mulher, cidade, rio
, &c.

15. Os substantivos comuns sub-dividem-se
em

Colétivos,
Aumentativos,
Diminutivos
.

16. Substantivo-comum-colétivo é aquêle,
que significa ideia competente a mũitas
pessôas ou cousas, mas ampliada a um ajuntamento
d’indivíduos da mêsma espécie :
v. g. companhia de pessôas, fréguezia, batalhão,
&c.

17. Substantivo-comum-aumentativo é
aquêle, que significa ideia d’indivíduo engrandecido :
v. g. rabecão ou grande rabeca ; (1)35
toleiraõ ou grande tôlo.64

18. Substantivo-comum-diminutivo é aquêle,
que significa ideia de indivíduo diminuido :
v. g. rabequinha ou pequêna rabeca ;
tolinho
ou pequêno tôlo.

Seção III.
Dos Géneros dos Substantivos.

19. Género dos vocábulos substantivos
concretos é a diferença posta pela Naturêza
(1)36 entre os indivíduos machos e fêmeas significados
pelos mêsmos vocábulos : v. g. António
é d’um género ; e Antónia é d’outro.

20. Substantivos-masculino ou do género
macho é aquêle, que significa indivíduo
macho : v. g. António, cavalo, &c.

21. Substantivo-femenino ou do género
fêmea, é aquêle, que significa indivíduo fêmea :
v. g. Antónia, Egua, &c.65

22. Substantivo epicêno, ou comum dos
dous géneros, masculino, e feminino é o,
que significa indivíduo, que póde sêr d’algum
d’êles : v. g. lebre, sàvel, pescada, lamprêia,
&c.

23. Os substantivos abstratos, que significão
indivíduos aos quaes se-pode atribuir,
por similhança dos substantivos concretos,
ideia de macho ou de fêmea, são denominados
masculinos ou femininos : v. g.
vício, virtude, &c.

24. São do género masculino os substantivos
comuns terminados geralmente em

o v.g. rîo,
ô … avô,
ú … báú,
im … brim,
om … tom,
um … atum,
al … sinal,
el … anel,
il … funil
,
66ol v. g. anzol,
ul … paul,
ar … pomar,
êr … prazêr,
ir … alexir,
ôr … calôr,
ur … catur,
ôz … algôz
.

25. São do género feminino os substantivos
comuns terminados geralmente em

a v. g. faca,
ãa … lãa,
ê … mercê,
ãe … mãe
.

26. Não á substantivo de gènero neutro
em Portuguêz.

Seção IV.
Dos Números dos Substantivos.

27. O substantivo comum, sinal d’um
só indivíduo, é do número singular : v. g.
rio, serra, vício, virtude, &c.67

28. O substantivo comum, sinal de mũitos
indivíduos da mêsma espécie, é do número
plural : v. g. rîos, serras, vícios, virtudes,
&c.

29. Os substantivos do número singular,
terminados em á, é, í, ó, e ú, terminam
no plural em ás, és, ís, ós, e ús : v. g. pá,
pás ; pé, pés ; javalí, javalís ; pó, pós ; báú,
báús
.

30. Os substantivos do número singular,
terminados em ê e ô, terminam no plural
em ês e ós : v. g. mercê, mercês ; avô, avós.

31. Os substantivos do número singular,
terminados em a, e, I, o e u, terminam no
plural em as, es, is, os e us : v. g. dia, dias ;
manhãa, manhãas ; lême, lêmes ; mãe, mães ;
malsim, malsins
, ou malsĩi, malsĩis ; garfo,
garfos ; som, sons
, ou sõo, sõos ; atum,
atuns
, ou atũu, atũus.

32. Os vocábulos poli-sílabos substantivos,
terminados em al, el, ól, e úl no número
68singular, terminam no plural em áes,
éis, óes
e úes ; e os terminados em íl terminam
no plural em îs (1)37 : v. g. sinal, sináes ;
anél, anéis ; funíl, funîs ; anzól, anzóes ;
paúl, paúes
.

33. Os substantivos do número singular,
terminados em ár, ér, ír, ôr e úr, terminam
no plural em áres, éres, íres, ôres e
úres ; v. g. jantár, jantáres ; colhér, colhéres ;
elexír, elexíres ; calôr, calôres ; catúr,
catúres
.

34. Os substantivos do número singular
terminados em áz, éz, íz, óz e úz, terminam
no plural em ázes, ézes, ízes, ózes e
úzes : v. g. rapáz, rapázes, téz, tézes ; perdiz,
perdizes ; nóz, nózes ; alcatrúz, alcatrúzes
.

35. Os substantivos, terminados no número
69singular em êr, ôr, êz e ôz, terminam
no plural em êres, ôres, êzes e ôzes : v. g.
prazêr, prazêres ; temôr, temôres ; vêz, vêzes ;
algôz, algôzes
.

36. Tôdo o substantivo do número plural
termina em s (1)38.

37. Os substantivos próprios não tẽem
número plural : Alexandres, Augustos, Homeros,
Virgilios
, &c. são expressões figuradas.

38. Os substantivos comuns, que significam
metaes : v. g. ôuro, prata, platina,
estânho, cobre
, &c., e aquêles, que significam
virtudes : v. g. valôr, fidelidade, patriotismo,
peijo
, &c. não tẽem número plural. (2)3970

Seção V.
Das Variações dos Substantivos.

39. Os vocábulos substantivos eu, com
que se nomeia, quem fala, em vêz de dizér
o sêo nôme ; tu, com que nomeâmos a pessôa
a quem falâmos familiarmente, ou com
desprêzo, em vêz de dizêrmos seo nôme ;
éle ou ela, com que nomeâmos a pessôa ou
cousa de que falâmos, em vêz de dizêrmos
seos nômes : tẽem tôdos as suas respétívas
variações, a sabêr :

Radicaes. | Variações.

eu | mim (1)40 / me (2)41 / migo (3)42
71tu | ti (1)43 / te (2)44 / tigo (3)45
êle, ou ela (6)46 | lhe (4)47 para masculino, e feminino no singular.
/ lhes (5)48 para masculino, e feminino no plural.

40. Os substantivos eu, tu, êle ou ela
dizem-se Pronômes entre os Gramáticos ; porque,
dão a conhecêr as pessôas ou cousas independentes
dos nômes próprios de câda
uma : assim, eu, no singular, e nós vocábulo
substantivo ou sinal de que alguem afirma
alguma cousa de si e de outros, no plural,
são chamados Pronômes da primêira
pessôa
.72

41. Quando falâmos a mais d’uma pessôa
com familiaridade ou a úma só, usâmos
do substantivo vós no plural, ou de tu no
singular : por isso vós e tu são ambos denominados
Pronômes da segunda pessôa. (1)49

42. Os Substantivos eu e tu não tẽem
plural : o dizêr-se em mim á dous eus é
expressão figurada.

43. Os Substantivos nós e vós não tẽem
singular. (N. 27.)

44. As pessôas, que não são primeiras
ou segundas, denominam-se terceiras pessôas ;
e exprimem-se por êle ou ela no singular,
e por êles ou elas no plural : quando estas mêsmas
pessôas estão em relação com outras
terceiras pessôas, faz-se uso das variações
lhe e lhes, a fim de sêrem significadas estas
73mêsmas pessôas : v. g. êle ou ela fez lhe quanto
pôde
 ; e êles ou elas fizeram lhes quanto
poderam
 ; pôis vale o mêsmo, que êle ou ela
fêz
a êle ou a ela o, que pôde ; e êles ou elas
fizeram
a êles ou a elas o, que poderam.

45. Quando as terceiras pessôas estão
em relação com sigo mêsmas, usam-se as
variações

si, (1)50
se, (2)51
sigo : (3)52

v. g. o, que António não quer para si, não
deve querêr para outrem ; Pêdro matou-se ;
Paulo vive com sigo
 ; isto é, o, que António
não quer para a sua pessôa, não
deve querêr para outrem ; Pêdro matou a
si, ou Pêdro matou a sua pessôa ; Paulo
vive com sigo
, ou Paulo vive com a sua pessôa. (4)5374

46. Os Substantivos ou Pronômes pessoaes
do número plural nós e vós tẽem suas
variações, a sabêr :

Radicaes | Variações

Nós | nos (1)54 / nôsco (2)55
vós | vos (3)56 / vôsco (4)57

Seção VI.
Das Espécies d’Adjetívos.

47. Os vocábulos Adjétivos dividem-se
em

Articulares,
Atributivos
.

48. Adjétívo-articular é aquêle, que determina
75a estensão da significação do substantivo,
a que está unido : (1)58 v. g. o adjétívo
o em o ar é pesádo ; e os em os omens
são mortaes
.

49. São adjétívos articulares para substantivo
masculino os seguintes :

no singular | no plural

o (2)59 | os (3)60
êste (4)61 | êstes (6)62
êsse (5)63 | êsses (7)64
aquêle | aquêles (8)65
um | uns
algum
| alguns
cujo
(9)66 | cujos (10)67
&c. | &c.76

50. São adjétívos articulares para substantivo
feminino os seguintes :

no singular | no plural

a | as
esta
| estas
essa
| essas
aquela
| aquelas
uma
| umas
alguma
(1)68 | algumas
cuja
(2)69 | cujas (3)70
&c. | &c.

51. São adjétívos articulares, para substantivo
d’ambos os géneros, os seguintes :77

no singular | no plural

qual (1)71 | quaes
que
(2)72 | que
câda
, &c. | câda, &c.78

52. Adjétívo atributivo é aquele, que
significa ideia de cousa atribuida ao substantivo :
v. g. qualidade, quantidade,
forma, estado, possessão, naturalidade, descendéncia,
número, ordem
, &c. por isso entre
os Gramáticos são denominados

qualificativos significando qualidade,
quantificativos
| quantidade,
modificativos
| forma e estado,
possessivos
| possessão,
pátrios
| pátria,
patronímicos
| filiação,
gentílicos
| Gente e nação,
numeraes
| número,
Ordinaes
| Ordem,
&c | &c.

Seção VII.
Das Variações dos Adjétívos.

53. Os Adjétívos, que se-referem a substantivos
masculinos, dizem-se estar na variação
masculina
 : v. g. justo em Deos é justo.79

54. Os Adjétívos, que se-referem a substantivos
femininos, dizem-se estar na variação
feminina
 : v. g. preciosa em a virtude
é preciosa
.

55. Os Adjétívos, que se-referem a substantivos
d’ambos os géneros, dizem-se estar
na variação comum : v. g. grave em o ar
é grave
.

56. Estão na variação masculina os adjétívos
terminados em

o : v. g. tôdo,
ão
ou am vão ou vam,
om
, ou õo bom ou bõo,
um
ou ũu um ou ũm.

57. Estão na variação feminina os adjétívos
terminados em

a : v. g. tôda,
ãa
| louçãa,
ôa
| bôa,
ũa
| ũa. (1)7380

58. Estão na variação comum os adjétívos
terminados em

e v. g. grave, mole, deligente.
ó | .
im | ruim.
al | final.
el | amàvel.
il | fàcil.
ar | singular.
or | milhor.
ôr | inferiôr.
az | sagaz.
êz | Portuguêz.
iz | feliz.

Seção VIII.
Dos Números dos Adjétívos.

59. Os Adjétívos, que se-referem a um
só substantivo, dizem-se estar no número
singular : v. g. justo em Deos é justo.

60. Os Adjétívos, que se-referem a mũitos
81substantivos, sinaes de indivíduos da
mêsma espècie, dizem-se estar no plural :
v. g. mortaes em os omens são mortaes.

61. Os Adjétívos, terminados no singular
em a, e, o, ó, u, ú, terminam no plural
em as, es, os, ós, us, ús : v. g., justa,
justas ; bõa, bõas ; algũa, algũas, grave,
graves ; junto, juntos ; só, sós ; bõo, bõos ;
algũu, algũus ; nú, núa, nús, núas
. (1)74

62. Os Adjétívos, terminados no singular
em ál, él, íl, úl, terminam no plural
em áes, éis, êis, úes : v. g. natural, naturáes ;
fiél, fiéis ; fácil, fàcêis ; azúl, azúes
.

63. Os Adjétívos, terminados no singular
em áz, éz, íz, óz terminam no plural
em ázes, ézes, ízes, ózes : v. g. sagáz, sagázes ;
felíz, felízes ; atróz, atrózes
.82

64. Os Adjétívos, terminados em ár,
ór, ôr
, terminam no plural em áres, óres,
ôres
 : v. g. singulár, singuláres ; menór, menóres ;
inferiôr, inferiôres
.

65. Tôdo o vocábulo adjétívo terminado
em l, r ou z está no número singular.

66. Não á vocábulo adjétívo, que, sendo
terminado em s, deixe de estar no número plural,
á excéção de simples. (1)75

Seção IX.
Dos Graos de significação dos Adjétívos-atributivos.

67. Os Adjétívos-atributivos, considerados
relativamente ao aumento da sua significação,
subdividem-se em83

Positivos,
Comparativos,
Superlativos
.

68. Adjétívo-positivo é aquêle, que significa
simples e definidamente : v. g. bom,
bõa ; máo, má ; igual ; quente ; grave
, &c.

69. Adjétívo-comparativo é aquêle, que
significa mais ou mênos, que o positivo : v. g.
mâiór equivalente a mais grande ; menor
eqûivalente a menos grande ; melhor eqûivalente
a mais bom ou mais bôa ; peor eqûivalente
a mais máo ou mais má, &c.

70. Adjétívo-superlativo é aquêle, que
significa mais, que o comparativo ; e conseguintemente
mais-mais, que o positivo : v.
g. grandíssimo eqûivalente a mais mâiór ou
mais-mais grande ; ótimo equivalente a mais
melhor
, ou mais-mais bom, ou mũito bom ;
péssimo
eqûivalente a mais peor, ou mais-mais
máo
, ou mũito máo, &c.84

Seção X.
Da Formação dos Adjétívos.

71. Os Adjétívos-positivos, terminados em
e, o, formam, geralmente, o superlativo,
convertendo-se e e o em íssimo : v. g. grave
gravíssimo, justo justíssimo
, &c.

72. Os Adjétívos-positivos, terminados
em il, formam o superlativo, convertendo-se
il em ilíssimo : v. g. fàcil, facilíssimo ; ou
por síncope facílimo. (1)76

73. Os Adjétívos-positivos terminados
em ar formam o superlativo, convertendo-se
ar, em aríssimo : v. g. singular, singularíssimo, &c. (2)7785

74. Os Adjétívos-positivos, terminados
em az, formam o superlativo, convertendo-se
az e ez em acíssimo e icíssimo : v. g.
capaz, capacíssimo, &c. simples, simplicíssimo,
&c. (1)78

75. Os Adjétívos-positivos, terminados
em iz e oz formam o superlativo, convertendo-se
iz e oz em císsimo : v. g. feliz, felicíssimo,
feroz, ferocíssimo
, &c. (2)79

Seção XI.
Das Espécies dos Verbos, segundo a sua
significação.

76. Os vocábulos verbos, ou significam
distintamente a coexistência de substáncia
e d’adjunto ; v. g. é em Pêdro é amante : ou
86esta mêsma coéxistência juntamente com o
adjunto : v. g. amou em Pêdro amou ; pôis
amou vale o mêsmo, que fôi amante.

77. Os verbos, segundo a sua forma de
significar, dividem-se em

Substantivos (1)80
Adjétívos. (2)81

78. Verbo-substantivo é aquêle, que significa
distintamente a coexistência de sujeito
e d’atributo : v. g. fôi em Paulo fôi
sábio
. (3)82

79. Verbo-adjétívo é aquêle, que significa
a ideia da coéxistência de sujeito e d’atributo
com a ideia simultânea d’atributo (4)83
v. g. âma em Paulo âma.87

80. Os verbos adjétívos, segundo tôdos
os Gramáticos, dividem-se em

Atívos,
Passivos,
Neutros
.

81. Châmam verbo átívo aquêle, que
significa áção feita pelo sujeito : v. g. punirá
em Deos punirá os máos.

82. Châmam verbo passivo aquêle, que
significa áção recebida pelo sujeito : v. g.
serão-recompensados em os bons serão recompensados.

83. Châmam verbo neutro aquêle, que
significa áção não feita nem recebida pelo
sujeito : v. g. penso em eu penso.

84. Os verbos átívos subdividem-se em
Refléssívos, Reciprocos.88

85. Verbo recíproco é aquêle, que significa
a áção de mũitos sujeitos, que obram
uns sôbre outros : v. g. se amem em é preciso,
que dous irmãos se amem
. (1)84

86. As significações passivas na Linguagem
Portuguêza, quando se-referem aos
Pronômes ou Substantivos pessoaes, eu, tu,
êle
, ou ela ; nós, vós, êles ou elas, são significadas,
ordináriamente, por um Verbo concreto,
e uma das variações dos mêsmos substantivos :
v. g. me-arrependo, em Não me =
arrependo de fazêr bem ; custasme, sim fazê =
lo a quem não o merece : onde me-arrependo
= sou arrependido.89

87. São igualmente significações passivas
as expressões unes-te, unis-vos em uneste
aos bons ? Serás um d’êles : unis-vos aos
maos ? sê-lo-eis tam-bem
 : onde unes-te = és
unido
 ; e ubis-vos = sóis unidos.

88. São tam-bem significações passivas
faz-se, se-fêz, falar-se, se-falar, &c. em
faz-se justiça em premiar o merecimento ; no
tempo
, em que se-fêz caso da Literatura já
mais faltaram omens Literatos ; para falar =
se bem qualquer linguagem não basta a prática
em na falar com os nacionaes
 : onde faz-se
= é feita ; fêz-se = fôi feita ; falar-se =
sêr falada
. (1)85

89. As expressões arrependo-me, arrependêmos-nos,
arrepedêr-nos ; unes-te, unisvos ;
fêz-se, fizèrão-se, fazêr-se
eqûivalem
respétívamente a me-arrependo, te-unes, vos-unis,
vos-unir, se-fèz, se-fizèrão
, ou sou
arrependido ou sou arrependida, és unido,
90ou és unida, sôis unidos ou sôis unidas,
sêrdes vós unidos
ou sêrdes vós unidas, fôi
feito
ou fôi feita, fôram feitos ou fôram
feitas
.

Seção XII.
Dos Modos dos Verbos.

90. As maneiras, porque se-pode significar
a coêxisténcia do sujeito e do atributo,
dizem-se modos dos verbos, e dividem-se em

Finitos,
Infinitos
.

91. Modo finito é aquêle, em que o verbo
significa determinadamente : v. g. sôu,
era, fui, tenho-sido, fôra, tinha-sido, seréi,
teréi-sido, sê, sêde, seria, teria-sido,
seija, fôsse, tênha-sido, tivesse-sido, fôr,
tiver-sido
.

92. Os Modos Finitos subdividem-se
em91

Indicativos,
Imperativos,
Condicionaes,
Conjuntivos
.

93. Modo Indicativo é aquêle, em que o
verbo significa determinadamente indicando,
perguntando
, ou afirmando : v. g. sôu,
era, fui, tênho-sido, fôra ; tinha-sido, serêi,
terêi-sido
. (1)86

94. Modo Imperativo é aquêle, em que
o verbo significa determinadamente mandando,
pedindo
ou exortando : v. g. sê,
sêde
. (2)87

95. Modo Condicional é aquêle, em que
o verbo significa determinada e condicionalmente :
v. g. seria, teria-sido. (3)88

96. Modo Conjuntivo é aquêle, em que
92o verbo significa determinada e conjuntamente :
v. g. seija, fôsse, tênha-sido, tivesse-sido,
fôr, tiver-sido
. (1)89

97. Modo Infinito ou Substantivo verbal
é aquêle, em que o verbo significa indeterminadamente
ou com aparéncia de substantivo :
v. g. o meo sêr é precário : onde
o verbo sêr é tomado como significado o
sujeito êxisténcia ; e vale o mêsmo, que dizêr
a minha êxisténcia é precária : similhantemente
se-diz : o teo sabêr é nenhum, quando
te julgas mais sábio do que ninguém
 ; pois
vale o mêsmo, que dizêr : a tua sciéncia é
nenhuma
, &c.

Seção XIII.
Das pessôas dos verbos.

98. Quem significa a êxisténcia d’alguma
cousa diz-se primeira pessôa : v. g. eu
93sôu, nós sômos ; eu era, nós éramos ; eu
fui, nós fômos ; eu tênho-sido ; nós têmos sido ;
eu fôra, nós fôramos ; eu tinha-sido,
nós tínhamos-sido ; eu serêi, nós serêmos ;
eu terêi-sido, nós terêmos-sido ; fôsse eu ;
tivera-eu-sido ; eu seria, nós serîa-mos ;
eu teria-sido, nós terîamos sido ; eu seija ;
nós sejamos ; eu fôsse ; nós fôssemos ;
eu tênha-sido, nós tenhâmos-sido ; eu tivesse-sido,
nós tivéssemos-sido ; eu fôr, nós fôrmos ;
eu tiver-sido, nos tivermos sido ; sêr
eu, sêrmos nós ; têr-eu-sido, têrmos-nós-sido ;
têr-eu-de-sêr ; têrmos-nós-de-sêr
.

99. A quem se-significa a existéncia d’alguma
cousa diz-se segunda pessôa : v. g. tu
és, vós sôis ; tu eras, vós èráis ; tu fôste ;
vós fôstes ; tu tens-sido, vós tendes-sido ; tu
fôras ; vós fôráis ; tu tenhas-sido ; vós tenhais
sido ; tu serás ; vós serêis ; tu terás-sido ; vós
tereis-sido ; sê tu ; sêde vós ; fôsses tu ; fôras
tu ; tiveras-tu-sido ; seijas tu ; tu serias ; nós
serìamos ; tu terîas-sido ; vós terìâis sido ; tu
seijas ; vós sejais ; tu fôsses ; vós fôsseis ; tu
tenhas-sido ; vós tenhais-sido ; tu tiveras-sido,
vós tivèsseis sido ; tu fôres, vós fôrdes
 ;
94sêres tu ; sêrdes vós ; têres-tu-sido ; têrdes
vós sido ; têres-tu-de-sêr, têrdes-vós-de-sêr
.

100. De quem se-significa a existéncia
d’alguma cousa, diz-se terceira pessôa : v.
g. êle ou ela é ; êles ou elas são ; êle ou ela
era, êles
ou elas eram ; êle ou ela fôi, êles
ou elas fóram ; êle ou ela tem-sido, êles ou
elas tẽem-sido ; êle ou ela fôra, êles ou elas
fôram
 ; êle ou ela tinha-sido, êles ou elas tinham-sido ;
êle
ou ela será, êles ou elas serão ;
êle
ou ela terá-sido, êles ou elas terão-sido ;
fôsse êle
ou ela, fôssem êles ou elas ;
fôra êle
ou ela, fôram êles ou elas ; tivera
êle
ou ela-sido, tiveram êles ou elas-sido ;
seija êle
ou ela ; seijam êles ou elas ; êle ou
ela seria, êles ou elas seriam ; êle ou ela teria-sido,
êles
ou elas teriam-sido ; êle ou ela
seija, êles
ou elas seijam ; êle ou ela fôsse,
êles
ou elas fôssem ; êle ou ela tenha-sido,
êles
ou elas tenham-sido ; êle ou ela tivesse-sido ;
êles
ou elas tivessem-sido ; ele ou ela
fôr, êles
ou elas fôrem ; êle ou ela tiver-sido ;
êles
ou elas tiverem-sido ; ser êle ou ela,
sêrem êles
ou elas ; ter êle ou ela-sido, terem
95êles ou elas-sido ; têr-êle ou ela de-sêr,
têrem êles
ou elas-de-sêr.

Seção XIV.
Dos Números dos Verbos.

101. Quando se-afirma a coêxistencia
d’um único sujeito e do seo atributo diz-se,
que o verbo está no número singular : v. g.
sôu, és, é, nas Orações : Eu sou escritôr ; tu
és leitôr ; êle é ouvinte
.

102. Quando se-afirma a coêxistência
de dous ou mais sujeitos e dos seos atributos,
diz-se, que o verbo está no número
plural : v. g. sômos, sôis, são, nas Orações :
eu e tu ou nós sômos Portuguêzes ; tu
e êle
ou vós sôis felizes ; êles são constantes.96

Seção XV.
Dos Tempos dos Verbos.

103. As diferentes épocas, a que se refere
a significação da êxistencia d’alguma
cousa, dizem-se Tempos dos Verbos ; e dividem-se
em

Presentes,
Pretéritos,
Futuros
.

104. Tempo Presente é aquêle, em que
se-significa a existéncia atual : v. g. sôu
ou estôu sendo, seija ou estêija sendo.

105. Tempo Pretérito é aquêle, em que
se-significa uma existéncia acontecida.

106. Tempo Futuro é aquêle, em que
se-significa uma existéncia, que á de acontecêr.

107. O Tempo Pretérito subdivide-se
em97

Imperfeito,
Perfeito,
Plusquam-perfeito
.

108. Pretérito Imperfeito é aquêle, em
que se-significa uma existência acontecida
com relação a outra atual ou que acontece :
v. g. era, seria, fôsse.

109. Pretérito Perfeito é aquêle, em
que se-significa uma existéncia acontecida
com relação a outra, que aconteceu ;
e divide-se em Definido, e Indefinido, segundo
o verbo significar precisamente o
tempo, em que uma existéncia têve logar,
ou simplesmente, que ela o tem tido : v. g.
fui, (Definido), tenho-sido (Indefinido).

110. Pretérito Plusquam-perfeito é aquêle,
em que se-significa uma existéncia acontecida
com relação a outra, que a êsse
momento já tinha acontecido : v. g. fôra ou
tinha-sido, tivesse-sido. (1)9098

111. O Tempo Futuro divide-se em

Imperfeito,
Perfeito
.

112. Futuro-Imperfeito é aquêle, em
que se-significa uma existéncia, que á de
acontecêr com relação a outra atual : v. g.
serei, fôr.

113. Futuro Perfeito é aquêle, em que
se-significa uma existéncia, que á de acontecêr
com relação a outra, que acontecerá :
v. g. terei-sido, tiver-sido.

114. Quando se-quer significar que a
existéncia terá acontecido depôis do tempo
em que outra existencia acontecerá, acrescenta-se
o advérbio já, então, v. g.
quando partires de Lisbôaterei partido
de Paris
 ; isto é, antes de partires de
Lisbôa
, terei partido de Paris.99

115. No Modo Indicativo á sete Tempos,
a sabêr :

1. Presente,
2. Pretérito Imperfeito,
3. Pretérito Perfeito-Definido,
4. Pretérito Perfeito-Indefinido,
5. Pretérito Plusquam-perfeito,
6. Futuro Imperfeito,
7. Futuro Perfeito
.

116. No Modo Imperativo á um só Tempo,
a sabêr :

Presente, ou Futuro.

117. No Modo Condicional á dous Tempos,
a sabêr :

1. Pretérito Imperfeito,
2. Pretérito Plusquam-perfeito
.

118. No Modo Conjuntivo á seis Tempos,
a sabêr :

1. Presente,
2. Pretérito Imperfeito,
3. Pretérito Perfeito,
1004. Pretérito Plusquam-perfeito,
5. Futuro Imperfeito,
6. Futuro Perfeito.

119. No Modo Infinito á três Tempos,
a sabêr :

1. Presente,
2. Pretérito,
3. Futuro. (1)91

Seção XVI.
Das Variações dos Verbos.

120. As diferentes expressões significativas,
em conseqûéncia da variedade dos
101Modos, Pessôas, Números e Tempos dos
verbos, dizem-se variações dos mêsmos verbos. (1)92

121. O sistêma ou ajuntamento coordenado
de tôdas as variações d’um verbo châma-se
conjugação dêle.

122. As conjugações dos verbos da Linguagem
Portuguêza são quatro, a sabêr :

1.ª Dos verbos, que no Presente do Modo
Infinito acabam em ár : v. g. lôuvár.

2.ª Dos verbos, que no Presente do Modo
Infinito acabam em êr : v. g. defendêr.

3.ª Dos verbos, que no Presente do Modo
Infinito acabam em îr : v. g. aplaudîr.

4.ª Dos verbos, que no Presente do Modo
Infinito acabam em ôr : v. g. pôr. (2)93

123. Châmo Paradigma ou modêlo das
conjugações dos verbos acabados em ár, ou
102em êr, ou em îr, ou em ôr, a disposição de
tôdas as terminações das variações dos mêsmos
verbos, distribuidos por Modos, Tempos,
Pessôas
e Números.

Seção XVII.
Das Espécies de Verbos segundo a sua Conjugação.

124. Os verbos, segundo a sua conjugação,
dividem-se em

Regulares,
Irregulares,
Defeituosos
.

125. Verbo Regular é aquêle, que conserva
o número e espècie de variações terminadas
conforme as do respétívo Paradigma.

126. Verbo Irregular é aquêle, que conserva
sómente o número das variações conforme
o das, que forma o seo Paradigma.103

127. Verbo Defeituôso é aquêle, que
não conserva o número nem a espécie das
variações componentes do seo respétívo Paradigma.

Seção XVIII.
Dos Verbos auxiliares e suas conjugações.

128. Os verbos, que servem para se-formarem
diferentes variações d’outros verbos,
dizem-se auxiliares.

129. Na Linguagem Portuguêza á quatro
Verbos auxiliares, a sabêr :

Sêr, (1)94
Estar, (2)95
Têr, (3)96
Avêr. (4)97

130. As conjugações dos verbos auxiliares
sêr e estar são da maneira seguinte :104

Modo indicativo.

Presente.

Núm. | Pessôas.
Sing. | 1.ª sôu, (1)98 estôu, / 2.ª és, estás, / 3.ª é, está.
Plural. | 1.ª sômos, estâmos, / 2.ª sôis, estais, / 3.ª são, estão.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª era, estava, / 2.ª eras, estávas, / 3.ª era, estava.
P. | 1.ª éramos, estávamos, / 2.ª èrâis, estàvâis, / 3.ª eram, estavam.105

Pretérito Perfeito Definido.

S. | 1.ª fui, estive, / 2.ª fôste, estiveste, / 3.ª fôi, estêve.
P. | 1.ª fômos, estivemos, / 2.ª fôstes, estivestes, / 3.ª fôram, estiveram.

Pretérito Perfeito Indefinido.

S. | 1.ª tênho sido, tênho estado, / 2.ª têns sido, tens estado, / 3.ª tem sido, tem estado.
P. | 1.ª têmos sido, têmos estado, / 2.ª tendes sido, tendes estado, / 3.ª tẽem sido, tẽem estado.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª fôra, estivera, / 2.ª fôras, estiveras, / 3.ª fôra, estivera.
106P. | 1.ª fôramos, estivéramos, / 2.ª fôrâis, estivèrâis, / 3.ª fôram, estiveram.

Circunlocuções equivalentes. (1)99

S. | 1.ª tinha sido, tinha estado, / 2.ª tinhas sido, tinhas estado, / 3.ª tinha sido, tinha estado.
P. | 1.ª tìnhamos sido, tìnhamos estado, / 2.ª tìnhâis sido, tìnhâis estado, / 3.ª tinham sido, tinham estado.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª serei, estarei, / 2.ª serás, estarás, / 3.ª será, estará.
107P. | 1.ª serêmos, estarêmos, / 2.ª sereis, estareis, / 3.ª serão, estarão.

Futuro Perfêito.

S. | 1.ª terei sido, terei estado, / 2.ª terás sido, terás estado, / 3.ª terá sido, terá estado.
P. | 1.ª terêmos sido, terêmos estado, / 2.ª tereis sido, tereis estado, / 3.ª terão sido, terão estado.

Modo imperativo.

Presente ou Futuro.

S. sê tu, está tu,
P. sêde vós, estai vós.

Modo condicional.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª seria, estaria, / 2.ª serias, estarias, / 3.ª seria, estaria.
108P. | 1.ª serîamos, estarîamos, / 2.ª serìâis, estarìâis, / 3.ª seriam, estariam.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª teria sido, teria estado, / 2.ª terias sido, terias estado, / 3.ª teria sido, teria estado.
P. | 1.ª teríamos sido, terìamos estado, / 2.ª terìâis sido, terìâis estado, / 3.ª teriam sido, teriam estado.

Circunlocuções equivalentes.

S. | 1.ª tivera sido, tivera estádo, / 2.ª tiveras sido, tiveras estádo, / 3.ª tivera sido, tivera estado.
P. | 1.ª tivéramos sido, tivéramos estádo, / 2.ª tivèrâis sido, tivèrâis estádo, / 3.ª tiveram sido, tiveram estado.109

Modo conjuntivo

Presente.

S. | 1.ª seija, esteija, / 2.ª seijas, esteijas, / 3.ª seija, esteija.
P. | 1.ª sejâmos, estejâmos, / 2.ª sejais, estejais, / 3.ª seijam, esteijam. (1)100

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª fôsse, estivesse, / 2.ª fôsses, estivesses, / 3.ª fôsse, estivesse.
P. | 1.ª fôssemos, estivéssemos, / 2.ª fôsseis, estivèsseis, / 3.ª fôssem, estivessem.110

Pretérito Perfeito.

S. | 1.ª tênha sido, tênha estado, / 2.ª tênhas sido, tênhas estado, / 3.ª tênha sido, tênha estado.
P. | 1.ª tenhamos sido, tenhamos estado, / 2.ª tenhais sido, tenhais estado, / 3.ª tênham sido, tênham estado.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª tivesse sido, tivesse estado, / 2.ª tivesses sido, tivesses estado, / 3.ª tivesse sido, tivesse estado.
P. | 1.ª tivéssemos sido, tivéssemos estado, / 2.ª tivèsseis sido, tivèsseis estado, / 3.ª tivessem sido, tivessem estado.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª fôr, estiver, / 2.ª fôres, estiveres, / 3.ª fôr, estiver.
111P. | 1.ª fôrmos, estivermos, / 2.ª fôrdes, (1)101 estiverdes, / 3.ª fôrem, estiverem.

Futuro Perfeito.

S. | 1.ª tiver sido, tiver estado, / 2.ª tiveres sido, tiveres estado, / 3.ª tiver sido, tiver estado.
P. | 1.ª tivermos sido, tivermos estado, / 2.ª tiverdes sido, tiverdes estado, / 3.ª tiverem sido, tiverem estado.

Modo infinito.

Presente, ou Pretérito Imperfeito.

sêr, | estar.

Pretérito Perfeito, ou Plusquam-perfeito.

têr sido, | têr estado.

Futuro.

têr de ser, ou avêr de sêr, | têr de estar, ou avêr de estar.112

Variações do Presente.

S. | sêr eu, estar eu, / sêres tu, estares tu, / sêr êle, ou ela, estar êle ou ela.
P. | sêrmos nós, estarmos nós, / sêrdes vós, estardes vós, / sêrem êles ou elas, estarem êles ou elas.

Variações do Pretérito.

S. | têr eu sido, têr eu estado, / têres tu sido, têres tu estado, /têr êle ou ela sido, têr êle ou ela estado.
P. | têrmos nós sido, têrmos nós estado, / têrdes vós sido, têrdes vós estado, / têrem êles ou elas sido, têrem êles ou elas estado.113

Variações do Futuro.

S. | têr eu de sêr, têr eu de estar, / têres tu de sêr, têres tu de estar, / têr êle ou ela de sêr, têr êle ou ela de estar.
P. | têrmos nós de sêr, têrmos nós de estar, / têrdes vós de sêr, têrdes vós de estar, / têrem êles ou elas de sêr, têrem êles ou elas de estar.

Supino. (1)102

sido, | estado,114

Gerúndio Presente. (2)103

S. | sendo eu, estando eu, / sendo tu, estando tu, / sendo êle ou ela, estando êle ou ela.
P. | sendo nós, estando nós, / sendo vós, estando vós, / sendo êles ou elas, estando êles ou elas.115

Gerúndio Pretérito.

S. | tendo eu sido, tendo eu estado, / tendo tu sido, tendo tu estado, / tendo êle ou ela sido, tendo êle ou ela estado.
P. | tendo nós sido, tendo nós estado, / tendo vós sido, tendo vós estado, / tendo êles ou elas sido, tendo êles ou elas estado.116

Gerúndio futuro.

S. | em eu sendo, em eu estando, / em tu sendo, em tu estando, / em êle ou ela sendo, em êle ou ela estando.

P. | em nós sendo, em nós estando, / em vós sendo, em vós estando, / em êles ou elas sendo, em êles ou elas estando.117

135. As Conjugações dos Verbos auxiliares
Têr e Avêr são da maneira seguinte.

Modo indicativo.

Presente.
Núm. | Pessôas.

S. | 1.ª tênho, ei, / 2.ª tens, (tẽes) ás, / 3.ª tem, (tẽe) á.
P. | 1.ª têmos, êmos ou avêmos, / 2.ª tendes, eis ou aveis, / 3.ª tẽem, (tẽẽe) ão.118

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª tênha, avia, / 2.ª tênhas, avias, / 3.ª tênha, avia.
P. | 1.ª tenhamos, avíamos, / 2.ª tenhais, avìâis, / 3.ª tênham, aviam.

Pretérito Perfeito Definido.

S. | 1.ª tive, ouve, / 2.ª tiveste, (1)104 ouvéste, / 3.ª têve, ouve.
P. | 1.ª tivemos, ouvemos, / 2.ª tivestes, (2)105 ouvestes, / 3.ª tiveram, ouveram.119

Pretérito Perfeito Indefinido.

S. | 1.ª tênho tido, tênho avido, / 2.ª tens tido, tens avido, / 3.ª tem tido, tem avido.
P. | 1.ª têmos tido, têmos avido, / 2.ª tendes tido, tendes avido, / 3.ª tẽem tido, tẽem avido.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª tivera, ouvera, / 2.ª tiveras, ouveras, / 3.ª tivera, ouvera.
P. | 1.ª tivéramos, ouvéramos, / 2.ª tivèrâis, ouvèrâis, / 3.ª tiveram, ouveram.

Circunlocuções equivalentes.

S. | 1.ª tinha tido, tinha avido, / 2.ª tinhas tido, tinhas avido, / 3.ª tinha tido, tinha avido.
120P. | 1.ª tínhamos tido, tínhamos avido, / 2.ª tìnhâis tido, tìnhâis avido, / 3.ª tinham tido, tinham avido.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª terei, averei, / 2.ª terás, averás, / 3.ª terá, averá.
P. | 1.ª terêmos, averêmos, / 2.ª terêis, avereis, / 3.ª terão, averão.

Futuro Perfeito.

S. | 1.ª terei tido, terei avido, / 2.ª terás tido, terás avido, / 3.ª terá tido, terá avido.
P. | 1.ª terêmos tido, terêmos avido, / 2.ª tereis tido, tereis avido, / 3.ª terão tido, terão avido.121

Modo imperativo.

Presente ou Futuro.

S. | tem tu, á tu.
P. | tende vós, avei vós.

Modo condicional.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª teria, averia, / 2.ª terias, averia, / 3.ª teria, averia.
P. | 1.ª teriamos, averíamos, / 2.ª terìâis, averìâis, / 3.ª teriam, averiam.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª teria tido, teria avido, / 2.ª terias tido, terias avido, / 3.ª teria tido, teria avido.
P. | 1.ª teríamos tido, teríamos avido, / 2.ª terìâis tido, terìâis avido, / 3.ª teriam tido, teriam avido.122

Circumlocuções Equivalentes.

S. | 1.ª tivera tido, tivera avido, / 2.ª tiveras tido, tiveras avido, / 3.ª tivera tido, tivera avido.
P. | 1.ª tivéramos tido, tivéramos avido, / 2.ª tivèrâis tido, tivèrâis avido, / 3.ª tiveram tido, tiveram avido.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª tênha, aja, / 2.ª tênhas, ajas, / 3.ª tênha, aja.
P. | 1.ª tenhamos, ájâmos, / 2.ª tenhais, ájais, / 3.ª tênham, ajam.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª tivesse, ouvesse, / 2.ª tivesses, ouvesses, / 3.ª tivesse, ouvessem.
123P. | 1.ª tivessemos, ouvéssemos, / 2.ª tivèssêis, ouvèsseis, / 3.ª tivessem, ouvessem.

Pretérito Perfeito.

S. | 1.ª tênha tido, tênha avido, / 2.ª tênhas tido, tênhas avido, / 3.ª tênha tido, tênha avido.
P. | 1.ª tenhamos tido, tenhamos avido, / 2.ª tenhais tido, tenhais avido, / 3.ª tênham tido, tênham avido.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª tivesse tido, tivesse avido, / 2.ª tivesses tido, tivesses avido, / 3.ª tivesse tido, tivessem avido.
P. | 1.ª tivéssemos tido, tivéssemos avido, / 2.ª tivèssêis tido, tivèssâis avido. / 3.ª tivessem tido, tivessem avido.124

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª tiver, ouver, / 2.ª tiveres, ouveres, / 3.ª tiver, ouver.
P. | 1.ª tivermos, ouvermos, / 2.ª tiverdes, (1)106 ouverdes, / 3.ª tiverem, ouverem.

Futuro Perfeito.

S. | 1.ª tiver tido, tiver avido, / 2.ª tiveres tido, tiveres avido, / 3.ª tiver tido, tiver avido.
P. | 1.ª tivermos tido, tivermos avido, / 2.ª tiverdes tido, tiverdes avido, / 3.ª tiverem tido, tiverem avido.125

Modo infinito.

Presente ou Pretérito Imperfeito.

têr, | avêr.

Pretérito Perfeito Plusquam-perfeito.

têr ou avêr tido, | avêr ou têr avido.

Futuro.

têr ou avêr de têr, | avêr ou têr de avêr.

Variações do Presente.

S. | têr eu, avêr eu, / têres tu, avêres tu, / têr êle ou ela, avêr êle ou ela.
P. | têrmos nós, avêrmos nós, / têrdes vós, (1)107 avêrdes vós, / Têrem êles ou elas, avêrem êles ou elas.126

Variações do Pretérito.

S. | avêr eu tido, têr eu avido, / aêres tu tido, avêres tu avido, / avêr êle ou ela tido, avêr êle ou ela avido.
P. | avêrmos nós tido, têrmos nós avido, / avêrdes vós tido, têrdes vós avido, / avêrem êles ou elas tido, têrem êles ou elas avido.

Variações do Futuro.

S. | avêr eu de têr, têr eu de avêr, / avêres tu de têr, têres tu de avêr, / avêr êle ou ela de têr, têr êle ou ela de avêr.
P. | avêrmos nós de têr, têrmos nós de avêr, / avêrdes vós de têr, têrdes vós de avêr, / avêres êles ou elas de têr, têrem êles ou elas de avêr.127

Supino.

tido, | avido.

Gerúndio Presente.

S. | tendo eu, avendo eu, / tendo tu, avendo tu, / tendo êle ou ela, avendo êle ou ela.
P. | tendo nós, avendo nós, / tendo vós, avendo vós, / tendo êles ou elas, avendo êles ou elas.

Gerúndio Pretérito.

S. | avendo eu tido, tendo eu avido, / avendo tu tido, tendo tu avido, / avendo êle ou ela tido, tendo êle ou ela avido.
128P. | avendo nós tido, tendo nós avido, / avendo vós tido, tendo vós avido, / avendo êles ou elas tido, tendo êles ou elas avido.

Gerúndio Futuro.

S. | em eu tendo, em eu avendo, / em tu tendo, em tu avendo, / em êle ou ela tendo, em êle ou ela avendo.
P. | em nós tendo, em nós avendo, / em vós tendo, em vós avendo, / em êles ou elas tendo, em êles ou elas avendo.

Seção XIX.
Dos Verbos Adjétívos, e Paradigmas de
suas Conjugações.

136. Os Paradigmas dos Verbos Adjétívos
regulares da primeira e da segunda
Conjugação tómam as formas, cujas terminações
se-seguem.129

1.ª Conjugação. | 2.ª Conjugação.

Modo indicativo.

Presente.

Núm. | Pessô. | Term. | Term.

S. | 1.ª | o, | o, / 2.ª | as | es, / 3.ª | a, | e.
P. | 1.ª | âmos, | êmos, / 2.ª | ais, | eis, / 3.ª | am, | em.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | ava, | ia, / 2.ª | avas, | ias, / 3.ª | ava, | ia.
P. | 1.ª | ávamos, | íamos, / 2.ª | àvâis, (1)108 | ìâis, (2)109 / 3.ª | avam, | iam.130

Pretérito Perfeito Indefinido.

S. | 1.ª | ei, | i, / 2.ª | aste, (1)110 | êste, / 3.ª | ôu, | eu, (2)111
P. | 1.ª | ámos, | emos, / 2.ª | astes, | êstes, (3)112 / 3.ª | aram, | êram.

Pretérito Perfeito Definido.

S. | 1.ª tenho, / 2.ª tens, / 3.ª tem,
P. | 1.ª têmos, / 2.ª tendes, / 3.ª tẽem, | ado, | ido.131

Preterito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | ara, | êra, / 2.ª | aras, | êras, / 3.ª | ara, | êra.
P. | 1.ª | áramos, | êramos, / 2.ª | àrâis, | êrâis, / 2.ª | aram, | êram.

Circunlocuções Equivalentes.

S. | 1.ª tinha, / 2.ª tinhas, / 3.ª tinha,
P. | 1.ª tínhamos, / 2.ª tìnhâis, / 3.ª tinham, / ado, | ido.132

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª arei, erei, / 2.ª arás, erás, / 3.ª ará, erá.
P. | 1.ª arêmos, erêmos, / 2.ª areis, ereis, / 3.ª arão, erão.

Futuro Perfeito.

S. | 1.ª terei, / 2.ª terás, / 3.ª terá,
P. | 1.ª terêmos, / 2.ª tereis, / 3.ª terão, / ado, | ido.

Modo imperativo

Presente, ou Futuro.

S. | 2.ª | a, | e.
P. 2.ª | ai, | ei.133

Modo condicional.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | aria, | eria, / 2.ª | arias, | erias, / 3.ª | aria, | eria.
P. | 1.ª | aríamos, | eríamos, / 2.ª | arìais, | erìais, / 3.ª | ariam, | eriam.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª teria, / 2.ª terias, / 3.ª teria,
P. | 1.ª teríamos, / 2.ª terìâis, / 3.ª teriam, / ado, | ido.134

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | e, | a, / 2.ª | es, | as, / 3.ª | e, | a.
P. | 1.ª | êmos, | âmos, / 2.ª | eis, | ais, / 3.ª | em, | am.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | asse, | êsse, / 2.ª | asses, | êsses, / 3.ª asse, | êsse.
P. | 1.ª | ássemos, | êssemos, / 2.ª | àssêis, | êsseis, / 3.ª | assem, | êssem.135

Pretérito Perfeito.

S. | 1.ª | tênha, / 2.ª | tênhas, / 3.ª | tênha,
P. | 1.ª | tenhâmos, / 2.ª | tenhais, / 3.ª | tënham, / ado, | ido.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | tivesse, / 2.ª | tivesses, / 3.ª | tivesse,
P. | 1.ª | tivéssemos, / 2.ª | tivèssêis, / 3.ª | tivessem, / ado, | ido.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | ar, | êr, / 2.ª | ares, | êres, / 3.ª | ar, | êr.
136P. | 1.ª | armos, | ermos, / 2.ª | ardes, (1)113, | êrdes, (2)114 / 3.ª | arem, | êrem.

Futuro Perfeito.

S. | 1.ª | tiver, / 2.ª | tiveres, / 3.ª | tiver,
P. | 1.ª tivermos, / 2.ª tiverdes, / 3.ª tiverem, / ado, | ido.

Modo infinito.

Presente e Pretérito Imperfeito.

… ar, | … êr.137

Pretérito Perfeito e Plusquam-perfeito.

têr, | ado, | ido.
avêr,

Futuro.

têr, | de… ar, | …êr.
avêr,

Variações do Presente e Pretérito.

S. | ar eu, | êr eu, / ares tu, | êres tu, / ar êle ou ela, | êr êle ou ela.
P. | armos nós, | êrmos nós, / ardes vós, | êrdes vós, / arem êles ou … elas, | êrem êles ou elas.138

Variações do Pret. Perf. e Plusquam-perf.

S. | Têr eu, / Têres tu, / Têr êle ou ela, | … ado, … ido.
P. | Têrmos nós, / Têrdes vós, / Têrem êles ou elas,

Variações do Futuro.

S. | têr eu, / têres tu, / têr êle, ou ela, / de | ar, de | êr.
P. | têrmos nós, de / têrdes vós, de / têrem êles ou elas,

Supino.

… ado, | … ido.139

Gerúndio.

S. | … ando / eu, / tu, / êle, ou ela, | eu, / tu, / êle, ou ela,
P. | nós, / vós, / êles ou elas, / … endo / nós, / vós, / êles ou elas.

Gerúndio Pretérito.

tendo eu, / tendo tu, / tendo êle ou ela, | … ado, | … ido.
tendo nós, / tendo vós, / tendo êles, ou elas,140

Gerúndio Futuro.

S. | tendo / eu, / tu, / êle ou ela,
P. | nós, / vós, / êles ou elas, | de … ar, de … êr.

137. Os Paradigmas dos Verbos regulares
da tercêira e quarta Conjugação tomam
as formas, cujas terminações se-seguem :

Modo indicativo.

Presente.

3.ª Conjugação. | 4ª Conjugação.
Núm. | Pessô. | Term. | Term.

S. | 1.ª | … o, | … ônho / 2.ª | … es, | … ões, /3.ª | … e, | õe.
141P. | 1.ª | … imos, | … õmos, / 2.ª | … ís, (1)115 | … õdes, / 3.ª | … em, | …õem.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | … ia, | … unha, / 2.ª | … ias, | … unhas, / 3.ª | … ia, | … unha,
P. | 1.ª | … íamos, | … únhamos, / 2.ª | … ìâis, | … ùnhâis, / 3.ª | … iam, | … unham.

Pretérito Perfeito Definido.

S. | 1.ª | … í, | … ús, / 2.ª | … iste, (2)116, | … useste, (2)117 / 3.ª | … íu, | … ôs.
142P. | 1.ª | … imus, | … osémos, / 2.ª | … istes, (1)118 | … osestes, (1)119 / 3.ª | … iram, | … oseram.

Pretérito Prefeito Indefinido.

S. | 1.ª | tênho, / … ido, | … ôsto. / 2.ª | tens, / 3.ª | tem,
P. | 1.ª | têmos, / 2.ª | tendes, / 3.ª | tẽem,

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | ira, | osera, / 2.ª | iras, | oseras, / 3.ª | ira, | osera.
P. | 1.ª | iramos, | oséramos, / 2.ª | ìrâis, | osèrâis, / 3.ª | iram, | oseram.143

Circunlocuções Equivalentes.

S. | 1.ª tinha, / 2.ª tinhas, / 3.ª tinha, / … ido, | … ôsto.
P. | 1.ª tínhamos, / 2.ª tìnhâis, / 3.ª tinham,

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | irei, | orei, / 2.ª | irás, | orás, / 3.ª | irá, | orá.

P. | 1.ª | irêmos, | orêmos, / 2.ª | ireis, | oreis, / 3.ª | irão, | orão.

Futuro Perfeito.

S. | 1.ª terei, / 2.ª terás, / 3.ª terá, | … ido, | … ôsto.
144P. | 1.ª | terêmos, / 2.ª | terêis, / 3.ª | terão, | … ido, | …ôsto.

Modo imperativo.

Presente, ou Futuro.

S. | e tu, | õe tu.
P. | î vós, (1)120 | õde vós.

Modo condicional.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | iria, | oria, / 2.ª | irias, | orias, / 3.ª | iria, | oria.
145P. | 1.ª | iríamos, | oríamos, / 2.ª | irìâs, | orìâis, / 3.ª | iriam, | oriam.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | teria, / 2.ª | terias, / 3.ª | teria, | … ido, | … ôsto.
P. | 1.ª | teríamos, / 2.ª | terìâis, / 3.ª | teriam,

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | a, | ônha, / 2.ª | as, | ônhas, / 3.ª | a, | ônha,
P. | 1.ª | âmos, | onhâmos, / 2.ª | ais, | onhais, / 3.ª | am, | ônham.146

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | isse, | osesse, / 2.ª | isses, | osesses, / 3.ª | isse, | osesse.
P. | 1.ª | íssemos, | oséssemos, / 2.ª | ìssêis, | osèssêis, / 3.ª | issem, | osessem.

Pretérito Perfeito.

S. | 1.ª | tênha, / 2.ª | tênhas, / 3.ª | tênha, | … ido, | … ôsto.
P. | 1.ª | tenhâmos, / 2.ª | tenhais, / 3.ª | tênham,

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | tivesse, / 2.ª | tivesses, / 3.ª | tivesse, | … ido, | … ôsto.
147P. | 1.ª | tivéssemos, / 2.ª | tivèssêis, / 3.ª | tivessem, | … ido, | … ôsto.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | ir, | oser, / 2.ª | ires, | oseres, / 3.ª | ir, | oser.
P. | 1.ª | irmos, | osermos, / 2.ª | irdes, (1)121 | oserdes, / 3.ª | irem, | oserem.

Futuro Perfeito.

S. | 1.ª | tiver, / 2.ª | tiveres, / 3.ª | tiver, | … ido, | … ôsto.
P. | 1.ª | tivermos, / 2.ª | tiverdes, / 3.ª | tiverem,148

Modo infinito.

Presente ou Pretérito Imperfeito

… ir, | … ôr.

Pretérito Perfeito e Plusquam-perfeito.

têr, / avêr, | … ido, | … ôsto.

Futuro.

têr, / avêr, | de … ir, | de … ôr.

Variações do Presente.

S. | ir eu, ôr eu, / ires tu, ôres tu, / ir êle ou ela, ôr êle ou ela,
P. | irmos nós, ôrmos nós, / irdes vós, ôrdes vós, / irem êles ou elas, ôrem êles ou elas,149

Variações do Pretérito.

S. | têr eu, / têres tu, / têr êle, ou ela, | ido, | ôsto.
P. | têrmos nós, / têrdes vós, / têrem êles ou elas,

Variações do Futuro.

S. | têr eu, / têres tu, / têr êle, ou ela, | de … ir, | de … ôr.
P. | têrmos nós, / têrdes vós, / têrem êles / ou elas,150

Supino.

… ido, | …ôsto.

Gerúndio Presente.

S. | … indo / eu, | eu, / tu, | tu, | êle ou ela, | êle ou ela,
P. | nós, | nós, / vós, | vós, / êles ou elas, | êles ou elas. | … ondo

Gerúndio Pretérito.

S. | tendo eu, / tendo tu, / tendo êle ou ela, | … ido, | … ôsto.
P. | tendo nós, / tendo vós, / tendo êles ou elas,151

Gerúndio Futuro.

S. | tendo | eu, / tu, / êle ou ela, | de … ir, | de … ôr.
P. | nós, / vós, / êles ou elas,

138. A Conjugação dos verbos regulares
Louvar e Defendêr é da maneira seguinte :

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | Louvo, (1)122 Defendo, (2)123 / 2.ª | louvas, defendes, / 3.ª | louva, defende.
152P. | 1.ª | louvâmos, | defendêmos, / 2.ª | louvais, | defendeis, / 3.ª | louvam, | defendem.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | louvava (1)124 | defendia, (2)125 / 2.ª | louvavas, | defendias, / 3.ª | louvava, | defendia.
P. | 1.ª | louvávamos, | defendíamos, / 2.ª | louvàvâis, | defendìâis, / 3.ª louvavam, | defendiam.

Pretérito Perfeito definido.

S. | 1.ª | louvei, (3)126 | defendi, (4)127 / 2.ª | louvaste, | defendêste, / 3.ª | louvou, | defendeu.
153P. | 1.ª | louvamos, | defendêmos, / 2.ª | louvastes, | defendêstes, / 3.ª louvaram, | defendêram.

Pretérito Perfeito Indefinido.

S. | 1.ª | tenho / 2.ª | tens / 3.ª | tem / louvado, | defendido.
P. | 1.ª | têmos, / 2.ª | têndes, / 3.ª | tẽem,

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | louvara, (1)128 | defendera, (2)129 / 2.ª | louvaras, | defendêras, / 3.ª | louvara, | defendêra.
P. | 1.ª | louváramos, | defendêramos, / 2.ª | louvàrâis, | defendêrâis, / 3.ª | louvaram, | defendêram.154

Circumlocuções Equivalentes.

S. | 1.ª | tinha / 2.ª | tinhas / 3.ª | tinha | louvado, defendido.
P. | 1.ª | tínhamos / 2.ª | tìnhâis / 3.ª | tinham

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | louvarei, (1)130 | defenderei, (2)131 / 2.ª | louvarás, | defenderás, / 3.ª | louvará, | defenderá,
P
. | 1.ª | louvarêmos, | defenderêmos, / 2.ª | louvareis, | defenderêis, / 3.ª | louvarão, | defenderão.155

Futuro Perfeito.

S. | 1.ª | terei / 2.ª | terás, / 3.ª | terá | louvado, | defendido.
P. | 1.ª | terêmos / 2.ª | tereis / 3.ª | terão

Modo imperativo.

Presente ou Futuro.

S. | louva tu, | defende tu.
P. louvai vós, | defendei vós.

Modo condicional.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | louvaria, | defenderia, / 2.ª | louvarias, | defenderias, / 3.ª | louvaria, | defenderia,
156P. | 1.ª | louvaríamos, | defenderíamos, / 2.ª | louvarìâis, | defenderìâis, / 3.ª | louvariam, | defenderiam.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | teria / 2.ª | terias / 3.ª | teria | louvado, | defendido.
P. | 1.ª | teríamos / 2.ª | terìâis / 3.ª | teriam

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | louve, (1)132 defenda, (2)133 / 2.ª | louves, | defendas, / 3.ª | louve, | defenda.
157P. | 1.ª | louvêmos, | defendâmos, / 2.ª | louveis, | defendais, / 3.ª | louvem, | defendam.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | louvasse, (1)134 | defendêsse, (2)135 / 2.ª | louvasses, | defendêsses, / 3.ª | louvasse, | defendêsse.
P. | 1.ª | louvássemos, | defendêssemos, / 2.ª | louvàssêis, | defendêsseis, / 3.ª | louvassem, | defendêssem.

Pretérito Perfeito.

S. | 1.ª | tênha / 2.ª | tênhas / 3.ª | tênha | louvado, | defendido.
P. | 1.ª | tenhamos / 2.ª | tenhais / 3.ª | tenham158

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | tivesse / 2.ª | tivesses / 3.ª | tivesse | louvado, | defendido.
P. | 1.ª | tivéssemos / 2.ª | tivêssêis / 3.ª | tivessem

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | louvar, | defendêr, / 2.ª | louvares, | defendêres, / 3.ª | louvar, | defendêr.
P. | 1.ª | louvarmos, | defendêrmos, / 2.ª | louvàrêis, (1)136 ou louvardes, | defendêreis, ou defendêrdes, / 3.ª | louvarem, | defendêrem.159

Futuro Perfeito

S. | 1.ª | tiver / 2.ª | tiveres / 3.ª | tiver | louvado, | defendido.
P. | 1.ª | tivermos / 2.ª | tiverdes / 3.ª | tiverem

Modo infinito.

Presente ou Pretérito Imperfeito.

louvar, | defendêr.

Pretérito Imperfeito ou Plusquam-perfeito.

têr / avêr | louvado, | defendido.160

Futuro.

têr / avêr | de louvar, | de defendêr.

Variações do Presente.

S. | louvar eu, | defendêr eu, / louvares tu, | defendêres tu, / louvar êle ou ela, | defendêr êle ou ela.
P. | louvarmos nós, | defendêrmos nós, / louvardes vós, | defendêrdes vós, / louvarem êles ou elas, efendêrem êles ou elas.

Variações do Pretérito.

S. | têr eu / teres tu / têr êle ou ela | louvado, | defendido.
P. | têrmos nós / têrdes vós / têrem êles ou elas161

Variações do Futuro.

S. | têr eu / têres tu / têr êle ou ela | de louvar, de defender.
P. | têrmos nós / têrdes vós / têrem êles ou elas

Supino.

louvado, | defendido.

Gerúndio Presente.

S. | louvando | eu, | eu, / tu, | tu, / êle ou ela, | êle ou ela.
P. | defendendo | nós, | nós, / vós, | vós, / êles ou elas, | êles ou elas.162

Gerúndio Futuro.

S. | tendo | eu / tu / êle ou ela
P. | nós / vós / êles ou elas | de louvar, de defendêr.

139. A conjugação dos Verbos regulares
Aplaudir e Pôr é da maneira seguinte :

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | aplaudo, | pônho, / 2.ª | aplaudes, | pões, / 3.ª | aplaude, | põe. (1)137
P. | 1.ª | aplaudîmos, | pômos, / 2.ª | aplaudîs, | põdes, / 3.ª | aplaudem, | põem. (2)138163

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | aplaudia, | punha, / 2.ª | aplaudias, | punhas, / 3.ª | aplaudia, | punha.
P. | 1.ª | aplaudíamos, | púnhamos, / 2.ª | aplaudìâis, | pùnhâis, / 3.ª | aplaudiam, | punham.

Pretérito Perfeito Definido.

S. | 1.ª | aplaudi, pus, (1)139 / 2.ª | aplaudiste, puséste, / 3.ª | aplaudiu, pôs.
P. | 1.ª | aplaudimos, posemos, / 2.ª | aplaudistes, posestes, / 3.ª | aplaudiram, poseram.

Pretérito Perfeito Indifenido.

S. | 1.ª | tenho / 2.ª | tens / 3.ª | tem | aplaudido, | defendido.
164P. | 1.ª | têmos / 2.ª | tendes / 3.ª | tẽem

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | aplaudira, | posera, / 2.ª | aplaudiras, | poseras, / 3.ª | aplaudira, | posera.
P. | 1.ª | aplaudíramos, | poséramos, / 2.ª | aplaudìrâis, | posèrâis, / 3.ª | aplaudiram, | poseram.

Circumlocuções Equivalentes.

S. | 1.ª | tinha / 2.ª | tinhas / 3.ª | tinha | aplaudido, pôsto.
P. | 1.ª | tínhamos / 2.ª | tìnhâis / 3.ª | tinham

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | aplaudirei, porei, / 2.ª | aplaudirás, porás, / 3.ª | aplaudirá, porá.
165P. | 1.ª | aplaudirêmos, porêmos, / 2.ª | aplaudireis, poreis, / 3.ª | aplaudirão, porão.

Futuro Perfeito.

S. | 1.ª | terei / 2.ª | terás / 3.ª | terá | apludido, pôsto.
P. | 1.ª | terêmos / 2.ª | tereis / 3.ª | terão

Modo imperativo.

Presente ou Futuro.

S. | 2.ª | aplaude, | põe.
P. | 2.ª | aplaudí, | ponde,166

Modo condicional.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | aplaudiria, | poria, / 2.ª | aplaudirias, | porias, / 3.ª | aplaudiria, | poria.
P. | 1.ª | aplaudiríamos, | poríamos, / 2.ª | aplaudirìâis, | porìâis, / 3.ª | aplaudiriam, | poriam.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | teria / 2.ª | terias / 3.ª | teria | aplaudido, pôsto.
P. | 1.ª | teríamos / 2.ª | terìâis / 3.ª | teriam
167

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | aplauda, | pônha, / 2.ª | aplaudas, | pônhas, / 3.ª | aplauda, | pônha,
P
. | 1.ª | aplaudamos, | ponhamos, / 2.ª | aplaudais, | ponhais, / 3.ª | aplaudam, | pônham.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | aplaudisse, | posesse, / 2.ª | aplaudisses, | posesses, / 3.ª | aplaudisse, | posesse.
P. | 1.ª | aplaudíssemos, | poséssemos, / 2.ª | aplaudíssêis, | psessêis, / 3.ª | aplaudissem, | posessem.168

Pretérito Perfeito.

S. | 1.ª | tênha / 2.ª | tênhas / 3.ª | tênha | aplaudido, pôsto.
P. | 1.ª | tenhâmos / 2.ª | tenhais / 3.ª | tenham

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | tivesse / 2.ª | tivesses / 3.ª | tivesse | aplaudido, pôsto.
P. | 1.ª | tivéssemos / 2.ª | tivèsséis / 3.ª | tivessem

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | aplaudir, poser, / 2.ª | aplaudires, poseres, / 3.ª | aplaudir, poser.
169P. | 1.ª | aplaudirêmos, poséramos, / 2.ª | aplaudireis, posèreis, / 3.ª | aplaudirem, poserem.

Futuro Perfeito.

S. | 1.ª | tiver / 2.ª | tiveres / 3.ª | tiver | aplaudido, pôsto.
P. | 1.ª | tivermos / 2.ª | tiverdes / 3.ª | tiverem

Modo infinito.

Presente ou Pretérito Imperfeito.

aplaudir, | pôr.

Pretérito Imperfeito Plusquam-perfeito.

têr / avêr | aplaudido, | pôsto.170

Futuro.

têr / avêr | de aplaudir, de pôr.

Variações do Presente.

S. | aplaudir eu, | pôr eu, / aplaudires tu, | pôres tu, / aplaudir êle ou ela, | pôr êle ou ela.
P. | aplaudirmos nós, | pôrmos nós, / aplaudirdes vós, | pôrdes vós, / aplaudirem êles ou elas, | pôrem êles ou elas.

Variações do Pretérito.

S. | têr eu / têres tu / têr êle ou ela | aplaudido, pôsto.
171P. | têrmos nós / têrdes vós / têrem êles ou elas

Variações do Futuro.

S. | têr eu / téres tu / tér êle ou ela | de aplaudir, de pôr.
P. | têrmos nós / têrdes vós / têrem êles ou elas

Supino.

aplaudido, | pôsto.172

Gerúndio Presente.

S. | aplaudindo | eu, | eu, / tu, | tu, / êle ou ela, | êle ou ela.
P. | nós, | nós, / vós, | vós, / êles ou elas, | êles ou elas, | pondo

Gerúndio Pretérito.

tendo eu / tendo tu / tendo êle ou ela | aplaudido, pôsto.
tendo nós / tendo vós / tendo êles ou elas

Futuro.

S. | tendo | eu / tu / êle ou ela | de aplaudir, de pôr.
173P. | tendo | nós / vós / êles ou elas | de aplaudir, de pôr.

Seção XX.
Das Conjugações d’alguns Verbos irregulares.

140. Os Verbos podem sêr regulares em
virtude da reta pronunciação (1)140 por troca
ou por acrescentamento ou por subtráção
de vozes ou articulações em alguma das suas
variações, comparativamente á quelas, que
lhes deveriam competir nos seos respétívos
Paradigmas.

141. Tôdo o Verbo primitivo, que no
seo radical (2)141. não tiver duas sílabas longas,
é irregular sómente na quantidade
das sílabas ; porque os Vocábulos polissílabos
174Portuguêzes, devendo têr ao mênos
uma sílaba longa, segundo o génio da linguagem ;
aconteceria que alguma das variações
de taes verbos viesse a têr falta desta
mêsma, necessitando por isso de se-convertêr
alguma voz breve em longa : como,
por exemplo, nos Verbos da primeira conjugação
Amar, achar, recear, &c. cujas
primeiras variações do Presente do Indicativo
são âmo, ácho : porém, os Gramáticos
não fazem caso desta irregularidade.

1.ª Conjugação.

142. As irregularidades do Verbo dar
são as seguintes : (1)142

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | dou, (2)143 / 2.ª | dás, (3)144 / 3.ª | dá,175

Pretérito Perfeito.

S. | 2.ª | deste, (1)145 / 3.ª | deu, (2)146
P. | 1.ª | demos, (3)147 / 2.ª | destes, / 3.ª | deram.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | dera, / 2.ª | deras, / 3.ª | dera.
P. | 1.ª | déramos, / 2.ª | dèrâis, / 3.ª | deram.

Modo imperativo.

Presente, ou Futuro.

2.ª | dá.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | dê, / 2.ª | dês, / 3.ª | dê.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | desse, / 2.ª | desses, / 3.ª | desse,
176P. | 1.ª | déssemos, / 2.ª | dèsséis, / 3.ª | dessem.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | der, / 2.ª | deres, / 3.ª | der,
P. | 1.ª | dermos, / 2.ª | derdes, / 3.ª | derem.

143. As irregularidades do verbo desejar
são as seguintes :

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | deseijo, (1)148 / 2.ª | deseijas, (2)149 / 3.ª | deseija. (3)150
P. 3.ª | deseijam. (4)151

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | deseije, / 2.ª | deseijes, / 3.ª | deseije.
P. | 3.ª | deseijem.177

Modo imperativo.

Presente ou Futuro.

deseija tu.

144. As irregularidades do verbo recear
são as seguintes :

Modo indicativo

Presente.

S. | 1.ª | receio, (1)152 / 2.ª | receias, (2)153 / 3.ª | receia. (3)154
P. | 3.ª | receiam. (4)155

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | receie, / 2.ª | receies, / 3.ª | receie,
P. | 2.ª | receiem.178

Modo Imperativo.

Presente ou Futuro.

S. | receia tu.

145. Os verbos alumiar e variar são
irregulares ; pôsto que alguns Litratos digam,
talvêz por discuido, alumeio, alumeias, alumeia,
alumeiam
, &c. e vareio, vareias,
vareia, vareiam
, &c. (a cujos êrros tem dado
origem e permanéncia a falta d’uma Gramática
filosófica
.)

2.ª Conjugação.

146. As irregularudades do verbo sabêr
são as seguintes :

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | sei, / 2.ª | sabes, / 3.ª | sabe.
P. | 3.ª | sabem.179

Prettérito Perfeito.

S. | 1.ª | soube, (1)156 / 2.ª | soubeste, / 3.ª | soube.
P. | 2.ª | soubestes, / 3.ª | souberam.

Modo imperativo.

Presente.

S. | sabe tu.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | saiba, / 2.ª | saibas, / 3.ª | saiba,
180P. | 1.ª | saibâmos, / 2.ª | saibais, / 3.ª | saibam.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | soubesse, / 2.ª | soubesses, / 3.ª | soubesse.
P. | 1.ª | soubéssemos, / 2.ª | soubèsseis, / 3.ª | soubessem.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | souber, / 2.ª | souberes, / 3.ª | souber.
P. | 1.ª | soubermos, / 2.ª | souberdes, / 3.ª | souberem.

146. O Verbo irregular cabêr, álém da
irregularidade do Presente do Indicativo
1.ª pessôa do singular caibo, tôdas as mais
são como as do verbo sabêr.

147. Os verbos irregulares da 2.ª Conjugação,
cujo radical termina em g tẽem as
mêsmas irregularidades de elegêr : o verbo
perdêr, álém da irregularidade perco da 1.ª
181pessôa do Presente do Indicativo, tem tôdas
as mais irregularidades como as do verbo
elegêr.

148. As irregularidades do Verbo elegêr
são as seguintes :

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | elejo, (2)157 / 2.ª | elejes, / 3.ª | eleje.

Modo imperativo.

Presente.

S. | eleje tu.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | eleja, (3)158 / 2.ª | elejas, (4)159 / 3.ª | eleja. (5)160
P. | 3.ª | elejam.182

149. As irregularidades do Verbo lêr são
as seguintes.

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | leio, / 2.ª | lês, / 3.ª | lê.
P. | 1.ª | lêmos, / 2.ª | lêdes, / 3.ª | lem. (1)161

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | leia, / 2.ª | leias, / 3.ª | leia.
P. | 1.ª | leiâmos, / 2.ª | leiais, / 3.ª | leiam.

Modo imperativo.

Presente.

S. | lê tu.
P. lêde vós.183

150. O verbo crêr tem as mêsmas irregularidades
do verbo lêr e do sêo derivado
treslêr.

151. As irregularidades do verbo querêr
são as seguintes :

Modo indicativo

Presente.

S. | 1.ª | quero, / 2.ª | queres, / 3.ª | quer. (1)162
P. | 3.ª | querem.

Pretérito Perfeito.

S. | 1.ª | quis, (2)163 / 2.ª | quiseste, / 3.ª | quis.
P. | 1.ª | quisemos, / 2.ª | quisestes, / 3.ª | quiseram.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | quisera, / 2.ª | quiseras, / 3.ª | quisera.
P. | 1.ª | quiséramos, / 2.ª | quisèrâis, / 3.ª | quiseram.184

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | queira, / 2.ª | queiras, / 3.ª | queira.
P. | 1.ª | queiramos, / 2.ª | queirais, / 3.ª | queiram.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | quisesse, / 2.ª | quisesses, / 3.ª | quisesse.
P. | 1.ª | quiséssemos, / 2.ª | quisèsseis, / 3.ª | quisessem.

Futuro Perfeito.

S. | 1.ª | quiser, / 2.ª | quiseres, / 3.ª | quiser.
P. | 1.ª | quisermos, / 2.ª | quiserdes, / 3.ª | quiserem.

152. As irregularidades do verbo vêr são
as seguintes :185

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | vêijo, (1)164 / 2.ª | vês, / 3.ª | vê.
P. | 2.ª | vêdes.

Pretérito Perfeito.

S. | 2.ª | viste, / 3.ª | viu.
P. | 1.ª | vimos, / 2.ª | vistes, / 3.ª | viram.

Pretérito Plusquam-Perfeito.

S. | 1.ª | vira, / 2.ª | viras, / 3.ª | vira.
P. | 1.ª | víramos, / 2.ª | vìrâis, / 3.ª | viram.

Modo imperativo.

Presente ou Futuro.

S. | vê tu.
P. vêde vós.186

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | veija, / 2.ª | veijas, / 3.ª | veija.
P. | 3.ª | veijam.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | visse, / 2.ª | visses, / 3.ª | visse.
P. | 1.ª | víssemos, / 2.ª | vìsseis, / 3.ª | vissem.

Futuro Perfeito.

S. | 1.ª | vir, / 2.ª | vires, / 3.ª | vir.
P. | 1.ª | virmos, / 2.ª | virdes, / 3.ª | virem.

Modo infinito.

Supino.

visto.

153. Os verbos derivados de vêr tẽem as
mêsmas irregularidades : v. g. prevêr, revêr,
&c.

154. As irregularidades do verbo dizêr
são as seguintes :187

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | digo. (1)165

Pretérito Perfeito.

S. | 1.ª | disse, (2)166 / 2.ª | disseste, / 3.ª | disse.
P. | 1.ª | dissemos, / 2.ª | dissestes, / 3.ª | disseram.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | dissera, / 2.ª | disseras, / 3.ª | dissera,
P. | 1.ª | disséramos, / 2.ª | dissèrâis, / 3.ª | disseram.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | direi, (3)167 / 2.ª | dirás, / 3.ª | dirá.
188P. | 1.ª | dirêmos, / 2.ª | direis, / 3.ª | dirão.

Modo imperativo.

Presente.

S. | dize tu.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | diga, / 2.ª | digas, / 3.ª | diga.
P. | 1.ª | digâmos, / 2.ª | digais, / 3.ª | digam.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | dissesse, / 2.ª | dissesses, / 3.ª | dissesse.
P. | 1.ª | disséssemos, / 2.ª | dissèsseis, / 3.ª | dissessem.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | disser, / 2.ª | disseres, / 3.ª | disser.
P. | 1.ª | dissermos, / 2.ª | disserdes, / 3.ª | disserem.189

Modo infinito.

Supino.

dito, (1)168

155. As mêsmas irregularidades tẽem os
verbos derivados de dizêr : v. g. desdizêr,
predizêr
, &c.

156. As irregularidades do verbo fazêr
são as seguintes :

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | faço, / 3.ª | faz,
P. | 2.ª | fizestes, / 3.ª | fizeram.

Pretérito Perfeito.

S. | 1.ª | fiz, (2)169 / 2.ª | fizeste, / 3.ª | fêz. (3)170190

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | fizera, / 2.ª | fizeras, / 3.ª | fizera.
P. | 1.ª | fizéramos, / 2.ª | fizèrais, / 3.ª | fizeram.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | farei, (1)171 / 2.ª | farás, (2)172 / 3.ª | fará, (3)173
P. | 1.ª | farêmos, (4)174 / 2.ª | fareis, (5)175 / 3.ª | farão. (6)176

Modo imperativo.

Presente.

S. | faze tu.

Modo condicional.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | faria, (7)177 / 2.ª | farias, / 3.ª | faria.
191P. | 1.ª | faríamos, / 2.ª | farìâis, / 3.ª | fariam.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | faça, / 2.ª | faças, / 3.ª | faça.
P. | 1.ª | façâmos, / 2.ª | façais, / 3.ª | façam.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | fizesse, / 2.ª | fizesses, / 3.ª | fizesse.
P. | 1.ª | fizéssemos, / 2.ª | fizesseis, / 3.ª | fizessem.

Futuro Perfeito.

S. | 1.ª | fizer, (1)178 / 2.ª | fizeres, / 3.ª | fizer.
P. | 1.ª | fizermos, / 2.ª | fizerdes, / 3.ª | fizerem.

Modo infinito.

Supino.

feito. (2)179192

158. Os derivados do verbo fazêr tẽem
as mêsmas irregularidades : v. g. disfazêr,
perfazêr
.

159. As irregularidades do verbo jazêr
são as seguintes :

Modo indicativo.

Presente.

S. | 3.ª | jáz, (1)180

Modo imperativo.

Presente ou Futuro.

S. | jaze tu.

160. As irregularidades do verbo trazêr
são as seguintes :

Modo indicativo

Presente.

S. | 1.ª | trago, / 3.ª | traz.
P. | 1.ª | troussemos, / 2.ª | troussestes, / 3.ª | trousseram.

Pretérito Perfeito.

S. | 1.ª | trousse, (2)181 / 2.ª | trousseste, / 3.ª | trousse.193

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | troussera, / 2.ª | trousseras, / 3.ª | troussera.
P. | 1.ª | trosséramos, / 2.ª | troussèrâis, / 3.ª | trousseram.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | trarei, (1)182 / 2.ª | trarás, / 3.ª | trará.
P. | 1.ª | trarêmos, / 2.ª | trareis, / 3.ª | trarão.

Modo imperativo.

Presente ou Futuro.

S. | traze tu.

Modo condicional.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | traria, (2)183 / 2.ª | trarias, / 3.ª | traria.
P. | 1.ª | traríamos, / 2.ª | trarìâis, / 3.ª | trariam.194

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | traga, / 2.ª | tragas, / 3.ª | traga.
P. | 1.ª | tragamos, / 2.ª | tragais, / 3.ª | tragam.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | troussesse, / 2.ª | troussesses, / 3.ª | troussesse.
P. | 1.ª | trousséssemos, / 2.ª | troussèsseis, / 3.ª | troussessem.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | trousser, (1)184 / 2.ª | trousseres, / 3.ª | trousser.
P. | 1.ª | troussermos, / 2.ª | trousserdes, / 3.ª | trousserem.

161. As irregularidades do verbo valêr
são as seguintes.195

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | valho, (1)185 / 3.ª | vale. (2)186

Modo imperativo.

Presente.

S. | vale tu.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | valha, / 2.ª | valhas, / 3.ª | valha.
P. | 3.ª | valham.

162. As irregularidades do Verbo podêr
são as seguintes :

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | posso.
P. | 3.ª | podem.196

Pretérito Perfeito.

S. | 1.ª | pude, / 2.ª | podeste, / 3.ª | pôde. (1)187
P. | 2.ª | podestes, / 3.ª | poderam.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | podera, / 2.ª | poderas, / 3.ª | podera.
P. | 1.ª | podéramos, / 2.ª | podèrâis, / 3.ª | poderam.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | possa, / 2.ª | possas, / 3.ª | possa.
P. | 1.ª | possamos, / 2.ª | possais, / 3.ª | possaam.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | podesse, / 2.ª | podesses, / 3.ª | podesse.
197P. | 1.ª | podéssemos, / 2.ª | podèssêis, / 3.ª | podessem.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | poder, / 2.ª | poderes, / 3.ª | poder.
P. | 1.ª | podermos, / 2.ª | poderdes, / 3.ª | poderem.

163. As irregularidades do verbo ir são
as seguintes :

3.ª Conjugação.

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | vou, / 2.ª | vais, (1)188 / 3.ª | vai.
P. | 1.ª | vâmos, (2)189 / 2.ª | ídes, (3)190 / 3.ª | vão.198

S. | 1.ª | fui, (1)191 / 2.ª | fôste, / 3.ª | fôi,
P. | 1.ª | fômos, / 2.ª | fôstes, / 3.ª | fôram.

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | fôra, / 2.ª | fôras, / 3.ª | fôra.
P. | 1.ª | fôramos, / 2.ª | fôrâis, / 3.ª | fôram.

Modo imperativo.

Presente.

S. | vai tu,
P. | ide vós, (2)192

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | vá, / 2.ª | vás, / 3.ª | vá,
199P. | 1.ª | vamos, / 2.ª | vades, / 3.ª | vão.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | fôsse, / 2.ª | fôsses, / 3.ª | fôsse.
P. | 1.ª | fôssemos, / 2.ª | fôsseis, / 3.ª | fôssem.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | fôr, / 2.ª | fôres, / 3.ª | fôr.
P. | 1.ª | fôrmos, / 2.ª | fôrdes, / 3.ª | fôrem.

164. As irregularidades do verbo subir
são as seguintes :

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | subo, / 2.ª | sobes, / 3.ª | sobe.
P. | 3.ª | sobem.

Modo imperativo.

Presente.

S. | sobe tu.200

165. As irregularidades dos verbos acudir,
bulir, consumir, cubrir, cuspir, sumir, tussir
,
&c. são as mêsmas, que as do verbo subir.

166. As irregularidades do verbo pedir
são as seguintes :

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | peço, / 2.ª | pedes, / 3.ª | pede.
P. | 3.ª | pedem.

Modo imperativo.

Presente.

S. | pede tu.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | peça, / 2.ª | peças, / 3.ª | peça,
P. | 1.ª | peçâmos, / 2.ª | peçais, / 3.ª | peçam.201

167. Os Verbos impedir e medir tẽem as
mêsnas irregularidades do verbo pedir. (1)193

168. As irregularidades do verbo ouvir
são as seguintes :

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | ouço.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | ouça, / 2.ª | ouças, / 3.ª | ouça.
P. | 1.ª | ouçamos, / 2.ª | ouçais, / 3.ª | ouçam.

169. As irregularidades do verbo saír são
as seguintes.202

Modo Indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | saio, / 2.ª | saes, / 3.ª | sae.
P. | 3.ª | saem.

Modo imperativo.

Presente.

S. | sae tu.
P. | saí vós.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | saia, / 2.ª | saias, / 3.ª | saia.
P. | 1.ª | saiâmos, / 2.ª | sáiais, / 3.ª | saiam.

170. O verbo caír e seos derivados tẽem
as mêsmas irregularidades.

171. As irregularidades do verbo servir
são as seguintes :203

Modo indicativo.

Presente.

P. | sirvo.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | sirva, / 2.ª | sirvas, / 3.ª | sirva.
P. | 1.ª | sirvâmos, / 2.ª | sirvais, / 3.ª | sirvam.

172. As mêsmas irregularidades tẽem os
verbos advertir, despir, derigir, ferir, mentir,
desmentir, repetir, conseguir, pressentir,
ressentir, vestir, resistir
.

173. As irregularidades do verbo vir são
as seguintes :204

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | venho, / 2.ª | vens, (vẽes) / 3.ª | vem, (vẽe) (1)194
P. | 2.ª | vindes / 3.ª | vẽem, (vẽẽe) (2)195

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | vinha, / 2.ª | vinhas, / 3.ª | vinha.
P. | 1.ª | vínhamos, / 2.ª | vìnhâis, / 3.ª | vinham.

Pretérito Perfeito.

S. | 1.ª | vim, / 2.ª | vieste, / 3.ª | veiu.
P. | 1.ª | viémos, / 2.ª | viestes, / 3.ª | viéram.205

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 1.ª | viéra, / 2.ª | viéras, / 3.ª | viéra.
P. | 1.ª | viéramos, / 2.ª | vièrâis, / 3.ª | viéram.

Modo imperativo.

Presente.

S. | vem tu.
P vinde vós.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | venha, / 2.ª | venhas, / 3.ª | venha.
P. | 1.ª | venhamos, / 2.ª | venhais, / 3.ª | venham.

Pretérito Imperfeito.

S. | 1.ª | viésse, / 2.ª | viésses, / 3.ª | viésse.
206P. | 1.ª | viéssemos, / 2.ª | vièsseis, / 3.ª | viéssem.

Futuro Imperfeito.

S. | 1.ª | vier, / 2.ª | viéres, / 3.ª | vier.
P. | 1.ª | viérmos, / 2.ª | viérdes, / 3.ª | viérem.

174. As mêsmas irregularidades tẽem
os verbos derivados de contraír, convir,
seduzir, desconvir, intrevir, reconvir, sôbrevir
.

175. As irregularidades do verbo rir (*)196
são as seguintes :207

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | río, (1)197 / 2.ª | ríes, (2)198 / 3.ª | ríe, (1)199
P. | 2.ª | rîs, / 3.ª | riem (riẽe) (2)200

Modo imperativo.

Presente.

S. | ríe tu.
P. | rî vós.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | ria, / 2.ª | rias, / 3.ª | ria.
P. | 1.ª | ríamos, / 2.ª | rìâis, / 3.ª | riam.

176. As irregularidades do verbo luzir
são as seguintes :208

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | luzo, / 2.ª | luzes, / 3.ª | luz.
P. | 3.ª | luzem.

Modo imperativo.

Presente.

S. | luz tu.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 1.ª | luza, / 2.ª | luzas, / 3.ª | luza.
P. | 3.ª | luzam.

177. As mêsmas irregularidades tẽem os
seos derivados desluzir, reluzir ; e os verbos
conduzir, induzir, introduzir, produzir, reduzir,
seduzir
.

178. As irregularidades do verbo construir
são as seguintes :209

Modo indicativo.

Presente.

S. | 2.ª | constroes, / 3.ª | constroe.
P. 3.ª | constroem.

Modo imperativo.

Presente ou Futuro.

S. | constroe tu.

179. As irregularidades do verbo destruir
são as mêsmas, que as do construir.

180. As irregularidades do verbo argûir
são as seguintes :

Modo indicativo.

Presente.

S. | 1.ª | argúo, / 2.ª | argúes, / 3.ª | argúe.

Modo imperativo.

Presente ou Futuro.

S. | argúe tu.210

Seção XXI.
Das conjugações d’alguns verbos
defeituosos.

181. Não á verbos defeituosos da primeira
conjugação : na segunda á o verbo fedêr,
no qual faltam as variações, em que entra
a consoante d anteposta á vogal o ou a :
na terceira á o verbo aprazêr, que tam-bem
é irregular álém de outros mũitos.

182. Os defeitos e as irregularidades do
verbo aprazêr seguem-se abaixo.

Modo indicativo.

Presente.

S. | 3.ª | apraz.

Pretérito Imperfeito.

S. | 3.ª | aprazia.
P. | 3.ª | apraziam.

Pretérito Perfeito.

S. | 3.ª | aprouve.
P. | 3.ª | aprouveram.211

Pretérito Plusquam-perfeito.

S. | 3.ª | aprouvera.
P. | 3.ª | aprouveram.

Futuro.

S. | 3.ª | aprazerá.
P. | 3.ª | aprazerão.

Modo conjuntivo.

Presente.

S. | 3.ª | apraza,
P. | 3.ª | aprazam.

Pretérito Imperfeito.

S. | 3.ª | aprouvesse.
P. | 3.ª | aprouvessem.

Futuro Imperfeito.

S. | 3.ª | aprouver.
P. | 3.ª | aprouverem.

183. A prática da Linguagem Portuguêza
com as pessôas, que a falarem bem, e a
leitura dos bons Escritos assim de Prosadôres,
como de Poétas darão o completo conhecimento
212das irregularidades e dos defeitos
das variações dos verbos Portugêzes. (1)201

Seção XXII.
Das Espécies de Preposições.

184. As preposições, segundo a sua significação,
dividem-se em seis classes a sabêr :

1.ª de Logar : v. g. em, sôbre, &c.
2.ª de Ordem : v. g. ante, depôis, &c.
3.ª de União : v. g. com, &c.
4.ª de Separação : v. g. sem, de, &c. (2)202
5.ª de Oposição : v. g. contra, &c.
6.ª de Têrmo : v. g. a, para, &c.213

185. As Preposições, segundo a sua forma,
dividem-se em simples e combinadas.

186. São preposições simples as seguintes :

Da 1.ª | espécie em (1)203
sôbre (2)204
sob (3)205
entre (4)206
per (5)207

da 2.ª | ante (6)208

da 3.ª | com (7)209

da 4ª | sem (8)210
214de (1)211
des (2)212

da 5ª | contra (3)213

da 6ª | a (4)214

187. São preposições combinadas as seguintes :

Da 1.ª … espécie entre em entrepôsto … entrepôsto,
per em percorrêr … per-corrêr ou corrêr até o fim.
para (5)215
pre em precorrêr, … pre-corrêr ou corrêr antes.
pro em promíscuo, … promíscuo,
per em pelo, … per-o … pelo,
sôbre em sobrepôr, … sôbrepôr,
215sub em subentendido, … subentendido,
em em empregar, … empregar,

da 2.ª … apos em a-pos de ad-post,
diante … de-ante,
pos em pospôr ou post-pôr,
ante
em antepôr,
pre
em prefeito,
preter
em preterito,
trans
em transpôsto,

da 3.ª … com em compôsto,
commigo
ou milhor comigo,
comtigo,
comsigo,
comnôsco,
cooperar, (1)216
conjugar, (2)217

da 4ª … ex contráção de eis em extrair,
de
em deferir,
des
em desfazêr,

da 5ª … contra em contraír, … contra-hir,216

da 5ª espécie in em inportar, … in-portar,
inábil, … in-hàbil,
inmovel, … in-mòvel,
ilícito, … in-lícito il-lícito,
irracionàvel, … in-racionável,
obstar, … ob-star,
ocorrêr, … obcorrêr, … oc-corrêr.
opôr, … ob-pôr, op-pôr,

da 6ª … ad em arredor, … ad-redor, a-rredor,
… acomodar, | ad-comodar, … ac-comodar,
afeiçoar, … adfeiçoar, … af-feiçoar,
agregar, … ad-gregar, … ag-gregar,
ajuntar, … ad-juntar,217

da 6ª espécie … arrogar, … ad-rogar, … a-rrogar.

Seção XXIII.
Das Espécies de Conjunções.

187. As Conjunções, segundo a sua significação,
dividem-se em 6 espécies a sabêr : (1)218

1.ª Copulativas ou que ajuntam : v. g.
e, que.

2.ª Adversativas ou que opõem : v. g.
mas, porém.

3.ª Disjuntivas ou que separam : v. g.
nem.

4.ª Alternativas ou que alternam : v. g.
ou.

5.ª Condicionaes ou que condicionam : v. g.
se, senão.218

6.ª Continuativas ou que continuam o
discurso : v. g. assim, por tanto.

Seção XXIV.
Das Espécies d’Advérbios.

188. Os Advérbios, segundo a sua significação,
dividem-se em 8 espécies a sabêr :

1.ª De tempo ou significando as circumstáncias
de tempo : v. g. ora (1)219
ontem, ôje, &c.

2.ª De logar ou significando as circumstáncias
de logar : v. g. aqui,
ali, após
, &c.

3.ª De quantidade ou significando as
circumstáncias de quantidade : v. g.
mũito, pouco, mais, &c.

4.ª De modo ou significando as circumstáncias
de modo : v. g. como (2)220
mal, bem, sábiamente, &c.219

5.ª De ordem ou significando as circumstáncias
de ordem : v. g. primeiro, (1)221
segundo, primeiramente, &c.

6.ª De afirmação ou significando as circumstancias
de afirmação : v. g. sim,
certamente, sem-dúvida
, &c.

7.ª De negação ou significando circumstáncias
de negação : v. g. não,
jámais, nunca
, (2)222 &c.

8.ª De dúvida ou significando circumstáncias
de dúvida : v. g. quissá.

(3)223220

Seção XXV.
Das Espécies de Interjeições.

190. As Interjeições dividem-se em tantas
Espécies, quantas fôrem as comuções da
nossa alma.

191. As Interjeições, segundo a sua significação
subdividem-se em diferentes Espécies
a sabêr :

1.ª De dôr / 2.ª De aflição | ái, úi, &c.

3.ª De mêdo / 4ª De espanto | ápre, &c.

5ª De aversão / 6ª De desprêzo | írra, &c.221

7ª De escárneo / 8ª de irrisão | há ! ha ! = á ! á ! &c.

9ª De consentimento / 10ª De aprovação | séija, oxalá, &c.

11.ª De admiração / 12.ª De surprêsa | ah ! Jesus ! &c.

13.ª De atenção / 14ª De respeito | ó ! síu ! &c.

15ª De adverténcia ólá ! &c.

16ª De animação êia ! &c.

17ª De siléncio tá ! st ! síu ! &c. (1)224

Fim da Etimologia.222

Sintasse (1)225

Seção 1.
Da Concordáncia dos Vocábulos.

N. 1.° A Combinação dos vocábulos, para
a expressão do pensamento, exige que os
adjétívos tomem a variação correspondente
ao gênero e número dos substantivos a
que se-referem : daqui vẽem duas espécies
de relação de concordáncia, a sabêr.224

1.ª relação de concordáncia de género.
2.ª relação de concordáncia de número.

Exemplos de concordáncia d’adjétívo.

1.° articular com substantivo próprio :
o Brasil é rico em produções da Naturêza ;
a Gramática é necessária

225onde vémos o articular o concordado
com o substantivo próprio Brasil em
gênero masculino e em número singular
(Etim. N° 49) : vêmos tam-bem o
mêsmo articular na variação femenina
a concordado com o substantivo próprio
Gramática em género femenino e
em número singular. (Etim. N° 50)

2.° articular com o substantivo comum :
os vícios são mũitos e as virtudes
226poucas : onde vêmos o articular os
concordado com o substantivo comum
vícios em gênero masculino e em número
plural : vêmos tam-bem o mêsmo articular
as concordado com o substantivo comum
virtudes em gênero femenino, e
em número plural. (Etim. N° 49 e 50)

3.° atributivo com substantivo próprio :
o Brasil é rico ; a Gramática é necessária :
onde vêmos o atributivo rico
concordado com o substantivo próprio
Brasil em gênero masculino e em número
singular : vêmos igualmente o
atributivo necessária concordado com
o substantivo próprio Gramática em
gênero femenino e em número singular.
(Etim. N° 56 e 57)

4.° atributivo com substantivo comum :
os vícios são mũitos e as virtudes poucas :
onde vêmos o atributivo mũitos
concordado com o substantivo comum
vícios em gênero masculino e em número
plural : vêmos tam-bem o atributivo
227poucas concordado com o substantivo
comum virtudes em gênero femenino
e em número plural.

5.° atributivo com mũitos substantivos
próprios omogêneos ou do mêsmo gênero :
Portugal, Brasil e Algarves
estão ôje unidos n’um só Reino : a Filosofia
e a Cristandade são conformes
à Naturêza
 : onde vêmos o atributivo
unidos concordado com os substantivos
próprios Portugal, Brasil e Algarves
em gênero masculino e em número
plural, por sêrem mũitos os substantivos
concordados : da mêsma sórte
vêmos o atributivo conformes concordado
com os substantivos próprios Filosofia
e Cristandade em gênero femenino
e em número plural.

6.° atributivo com muitos substantivos
comuns omogêneos : o prémio e o castigo
são necessários para a conservação
da sociedade : a prudéncia e a virtude
andam juntas
 : onde vêmos o atributivo
228necessários concordado com os
substantivos comuns prémio e castigo
em gênero masculino e em número
plural, por sêrem mũitos os substantivos
concordados : vêmos tam-bem o
atributivo juntas concordado com os
substantivos comuns prudéncia e virtude
em gênero femenino, e em número
plural. (Etim. N° 61 e 63)

2. A expressão d’um juizo ou d’uma
proposição exige que o verbo tome a variação
correspondente ao número e á pessôa do
sujeito do mÊsmo juizo ou da mêsma proposição :
daqui vem outra espécie de relação
de concordáncia, a sabêr : relação de concordáncia
de pessôa
 ; (Etim. N° 98-100) por
isso a respeito do verbo concorrem duas relações
de concordáncia, como se-viu a respeito
do atributo, com a diferença porém de
sêrem as seguintes :

1.ª relação de concordáncia de número.
2.ª relação de concordáncia de pessôa.229

Exemplos de concordáncia de verbo.

1.° substantivo com um sujeito simples
e incomplexo ou expressado por um
só vocábulo : Deos é justo ; nós sômos
Portuguêzes
 : onde o verbo é está concordado
com o sujeito Deos em número
singular e em terceira pessôa ; e tambem
o verbo sômos com o sujeito nós
em número plural e em primeira pessôa.
(Etim. N° 40 e 44)

2.° substantivo com um sujeito simples
e complexo ou expressado por mais
d’um vocábulo : A Religião Cristãa é
a perfeição da sabedoria ; As virtudes
são raras
 : onde o verbo é está concordado
com o sujeito A Religião Cristãa
ou a Religião de Cristo em
número e em pessôa ; e tam-bem o
está o verbo são com o sujeito As virtudes
em número plural e em terceira
pessôa. (Etim. N° 44 e 100)230

3.° substantivo com um sujeito compôsto
ou d’uma proposição composta :
António e Bernardo são felizes : onde
o verbo são está concordado com
o sujeito compôsto dos sujeitos simples
António e Bernardo em número e
pessôa : pois vale o mêsmo que dizêr
António e Bernardo, a sabêr, êstes dous
sujeitos são felizes
.

4.° adjétívo com um sujeito simples e
incomplexo : António estudou Gramática
Portuguêza para sabêr falar Portuguêz
 :
onde vêmos o verbo adjétívo
estudou concordado com o sujeito António
em número singular e em terceira
pessôa.

5.° adjetivo com um sujeito simples e
complexo : os Céos patenteiam a glória
de Deos
 : onde o verbo adjétívo patenteiam
se-vê concordado com o sujeito
os Céos em número plural e em
terceira pessôa.231

6.° adjétívo com um sujeito compôsto
ou d’uma proposição composta : Pêdro
e Paulo vivem contentes
 : onde se-vê
o verbo vivem concordado em número
e pessôa com o sujeito compôsto
Pêdro e Paulo ; pois vale o mêsmo
que dizêr Pêdro e Paulo, a sabêr,
êstes dous indivìduos vivem contentes.

7.° adjétívo em forma passiva com um
sujeito simples : Conformo-me com o
parecêr d’António : Faça-se justiça
 :
onde o verbo Conformo-me está concordado
com o sujeito eu em número
singular, e em primeira pessôa ; e o
verbo Faça-se está concordado com o
sujeito justiça em número singular e
em terceira pessôa : pois vale o mêsmo
que dizer, eu sou confórme com o parecêr
d’António ; e seija feita justiça
.

8.° adjétívo em forma passiva com um
sujeito compôsto : A sabedoria e a virtude
não se-deixam em testamento
 : onde
o verbo se-deixam está concordado
232com o sujeito compôsto dos sujeitos
simples a sabedoria, a virtude, a sabêr
êstes bens em número plural, e terceira
pessôa.

Seção II.
Da Dependéncia dos Vocábulos.

3. A combinação dos vocábulos para se-expressárem
os pensamentos exige que os
substantivos, os atributivos e os verbos
adjétívos tenham a dependêr de substantivos,
para que possam completamente significar
os elementos da Proposição ; e esta nova
relação entre nos vocábulos châma-se relação
de dependéncia
 ; (1)226

4. A relação de dependéncia d’um vocábulo
para com outro expressa-se como têmos
visto (Etim. N° 7) por uma Preposição ;
de sorte que o primeiro vocábulo
vem a sêr o têrmo antecedente da relação
e o segundo o conseqûente : advertindo porém233que o têrmo conseqûente jámais admite
entre si e a Preposição vocábulo algum ;
e daqui vem chamar-se tôda a expressão
d’uma Preposição e de substantivo
restrito ou não restrito por adjétívo articular
expressão complementar do têrmo antecedente : (1)227
assim, devem-se considerar três espécies
dessas expressões, que por abreviatura
lhes chamarei complementos, a sabêr :

1.ª Complementos do sujeito,
2.ª Complementos do verbo,
3.ª Complementos do atributo.

5. Como em tôdo o complemento concorre
sempre o vocábulo Preposição, segue-se
que tôda a espécie de complemento deverá
participar da denominação correspondente
á significação da Preposição : donde o
têrmos a considerar os complementos da
maneira seguinte :234

1.° de logar,
2.° d’ordem,
3.° d’união,
4.° de separação,
5.° d’oposição,
6.° de têrmo.

Exemplos de dependéncia.

1.° de substantivo a respeito de outro
substantivo não restrito : A existéncia
de Deos é evidente
 : onde o sujeito a
existéncia de Deos
não pode sêr expressado
completamente pelo substantivo
restrito a existéncia sem dependêr
do substantivo Deos, cuja relação com
a existéncia é expressada pela Preposição
de.

2.° de substantivo a respeito de outro
substantivo restrito : o fim do trabalho
é a recompensa
 : onde o sujeito o
235fim do trabalho não pode sêr completamente
expressado pelo substantivo
restrito o fim, sem dependêr do substantivo
restrito o trabalho, suja relação
com o fim é expressada pela Preposição
de ; a qual por eufonia se-une
ao artigo o de cuja união resulta do.

3.° de verbo adjétívo finito a respeito
de substantivo não restrito : António
vai a Lisbôa
 : onde vai não pode expressar
completamente a significação
de verbo e de atributo sem dependêr
do substantivo Lisbôa, cuja relação
com o verbo vai se-expressa pela Preposição
a.

4.° de verbo adjétívo finito a respeito
de substantivo não restrito : António
estuda Gramática
 : onde o verbo adjétívo
estuda não pode expressar completamente
a significação de verbo substantivo
e de atributo sem dependêr
do substantivo Gramática, cuja relação
nêste caso não se-expressa claramente ;
236porque, estuda é uma expressão
abreviada equivalente a é estudante
de
, onde á, como vêmos, a Preposição
de sem a qual realmente não
podia avêr complemento. (1)228 O mêsmo
se-deve dizêr á cerca de substantivo
restrito.

5.° de atributivo a respeito de substantivo
não restrito : O autôr desta Gramática
é natural de Lamêgo
 : onde o
atributo natural depende do substantivo
Lamêgo, cuja relação se-expressa
pela Preposição de.

6.° de atributivo a respeito de substantivo
restrito : Esta Gramática fôi composta
para o fim de se-instruírem os
Alunos da Escola Géral Militar
 : onde
vêmos o atributivo composta dependente
237do substantivo restrito o fim
e êsse mêsmo dependente do substantivo
Alunos, e êste dependente de a
Escola Géral Militar : por tanto,
ainda concorrem nesta Preposição três
complementos, (que tantas são as preposições)
sem os quaes o atributivo
composta não poderia significar o terceiro
elemento da mêsma Proposição.

Seção III.
Da Fráse.

6. A Frase, Oração ou expressão figurada
d’um juizo (Intr. N° 30), bem como ela
consta de três elementos (1)229 a sabêr : sujeito (2)230,
verbo e atributo (3)231 ; daqui resultam
duas espécies de Frases pelo que respeito
á composição do sujeito e do atributo, a
sabêr :238

1.ª Frases simples,
2.ª Frases compostas.

Exemplos de Frases. (*)232

1.° simples : Deos é justo ; o Brazil é fértil
em produções da Naturêza
.

2.° compostas : António fôi diligente e
eficaz ; A ingratidão consiste em esquecêr,
ou desconhecêr, ou reconhecêr mal
os benefícios
.

7. As Frases, segundo constam dos três
elementos expressos ou não expressos, são
denominadas completas ou incompletas :
assim, O Território de Portugal é o mais ocidental
da Europa
é uma Frase completa :
faz-se justiça quando se-remunera o trabalho
é outra Frase completa : não podêmos deixar
239de sêr felizes quando dominâmos nossas paixões
é uma Frase incompleta ; pois lhe falta
o sujeito expresso Nós : não, em resposta
a esta pergunta Pêdro, vais a Lisbôa ?
é uma Frase incompleta, pois lhe falta o
verbo atributivo vou com o seo complemento
a Lisbôa e tam-bem o sujeito eu ; pois tôda
a Frase completa vem a sêr eu não vou
a Lisbôa
 : finalmente, o simples vocábulo
Pêdro, quando se diz Pêdro, vais a Lisbôa é
outra Frase incompleta ; pois lhe falta o verbo
atributivo sê atento a mim ou atende-me ; (1)233
vindo tôda a Frase a sêr esta atende-me
Pêdro, vais tu a Lisbôa
 ?

8. Quando na construção d’uma Frase
se-colocam os seos elementos, pondo-se o sujeito
em primeiro logar, o verbo em segundo
e o atributo em terceiro, chama-se direta
esta colocação ; e indireta aquela, que se-emprega
diferentemente desta : assim, Deos
é justo
e António estuda Gramática Portuguêza :
240são Frases diretas ou construídas
na ordem direta : e Deos justo é, António
Gramática Portuguêza estuda
são Fráses indiretas
ou construídas m’uma ordem indireta.

9. Pôisque um juizo ou a sua expressão
não é mais do que huma afirmação da existéncia
d’um sujeito com certo atributo ou
sem êle ; segue-se que as Frases podem expressar
afirmação d’existência d’um atribuito :
v. g. Deos é justo, António é obediente
a seos superiôres
 ; ou a afirmação da nulidade
d’existência d’um atributo : v. g. Pêdro
é injusto
, ou não justo António é desobediente,
ou não obediente a seos superiôres.

10. As Frases, segundo o sentido, que a expressam
dividem-se em afirmativas, e negativas ;
assim, quando dizêmos António é obediente
a seos superiôres
, afirmâmos que existe em
António o atributo de obediéncia a seos superiôres ;
e quando dizêmos António é desobediente
a seos superiôres
, afirmamos a falta de existéncia
ou nulidade d’existéncia d’existência dêste mêsmo
241atributo na pessôa d’António, ou negámos a
existéncia de tal atributo em sua pessôa. (1)234

11. Quando os verbos das Frases estão
no Modo Indicativo dá-se-lhes o nôme de
positivas, ou afirmativas, ou expositivas ;
quando os mêsmos verbos estão no Modo
Imperativo
dá-se-lhes os nômes de imperativas,
ou rogativas, ou persuasivas ; quan
os mêsmos verbos estão no Modo Condicional
châmam-se as Frases condicionaes ou supositivas ;
e ótativas e conjuntivas quando os
242verbos estão no Conjuntivo ; finalmente châmam-se
Frases infinitas, ou indeterminadas
aquelas, cujos verbos estão no Modo Infinito,
em contra-significação das Frases finitas,
ou determinadas, cujos verbos se-acham
nos Modos Finitos. (2)235

12. Entre as diferentes Frases do Indicativo,
do imperativo e do conjuntivo á umas,
que tomam o epíteto de principaes, outras o
de subordinadas e outras o d’incidentes :
porque, as principaes tẽem por sujeito o da
proposição, as subordinadas são como expressões
atributivas e complementares das principaes,
e as incidentes representam isto mêsmo
a respeito dos elementos das principaes : v. g.
João trabalha, para que seos filhos tênham
excelente educação, que é o único dote inesgotável
,
é uma Frase composta de três, a
sabêr, João trabalha principal ; para que
seos filhos tênham excelente educação
, subordinada ;
e que é o único dote inesgotável,
incidente.243

Seção IV.
Dos Perîodos.

13. O Perîodo ou expressão d’um raciocínio,
ou d’um sentido completo e mais extenso
do que aquêle, que se-exprime por
uma Frase, consta pelo mênos de duas
Frases extensas, ás quaes se-dá por isso o nôme
de membros, e pode vir a constar de quatro,
pelo mũito ; por sêr necessário proporcionar
a grandêza d’êle á retensão da respiração,
e á atenção do ouvido : daqui vẽem
três espécies de Perîodos, a sabêr :

1.ª Perîodo de dous membros,
2.ª Perîodo de três membros,
3.ª Perîodo de quatro membros.

Exemplos de Perîodo da 1.ª espècie.

Capitão valerôso, que cortado
Tẽes de Nétúno o Reino e salsa via,
244O Rei, que manda esta Ilha, alvoraçado
Da vinda tua, tem tanta alegria,
Que não deseija mais, que agazalhar-te,
Vêr-te e do necessário reformar-te. (1)236

Se alguma cousa m’acontecêr, estou d’ânimo
feito e resoluto a dar a vida : porque,
um varão forte não pode morrêr tôrpemente
nem a um sábio sucedêr um caso miseràvel. (2)237

Exemplos de Perîodo da 2.ª espècie.

Se queres pelas ondas inquiétas
seguir o grão guerreiro,

Novas pede, minha alma, agudas setas,
De Pátara ao frecheiro :

Canta então como a bárbara Quilôa

Faz tributária ás invencìvéis Quinas :
Como o mar de ruínas

Semeia e em Calecut orrendo trôa. (3)238245

Taes eram as mostras, que o Arcebispo tinha
dado de suas lêtras, e juntamente de
seo zêlo em tôdas as consultas, congregações
e atos públicos ; e em consêlhos e juntas
particulares : agora, propondo e apontando
como sábio Prelado ; agora, votando com
liberdade de varão Apostólico só com olhos
em Deos e em seo mâior serviço e glória
sem nenhum respeito Omâno. (1)239

Exemplos de Período da 3.ª espécie.

Sustentava contra êle Venus bela
Afeiçoada á gente Lusitâna,
Por quantas calidades via nela
Da antiga tão amada sua Româna : (2)240246

Nos fortes corações, na grande estrela
Que mostraram na terra Tingitâna,
E na lingua, na qual, quando imagina,
Com pouca corrução crê que é Latina. (1)241

Parece têr querido o Omnipotente, para
confundir o nosso orgulho e intimar-nos a
imperfeição da nossa naturêza, que o conhecimento
das suas obras zombasse de tôdos os
esforços do nosso espirito : a criação do Mundo
e as suas diferentes revoluções, a queda
do Omem e a sua admirável Redemção,
o Juízo final e uma vindoura immortalidade :
são objetos, em que o sabêr Omano não podia
instruir-nos, se Deos não se-tivesse dignado
revela-los.247

Seção V.
Das Figuras de Dição.

14. As alterações sucedidas á forma dos
vocábulos pronunciados ou escritos châmam-se
figuras de vocábulo ou de dição, e á seis na
Linguagem Portuguêza, a sabêr :

1.ª Sinalefa,
2.ª Aférese,
3.ª Síncope,
4.ª Apócope,
5.ª Antítese,
6.ª Prótese.

15. Figura sinalefa é a, que se-encontra na
supressão de voz simples e final de vocábulo,
sendo breve ; por se-lhe seguir voz inicial
no seguinte : v. g. do em logar de de o ;
mo
em logar de me o, &c.248

16. Figura aférese é a, que se-encontra na
supressão de voz inicial de vocábulo : v. g.
no em logar de in’o ; nêle, em logar de
in’êle, &c.

17. Figura síncope é a, que se-encontra
na supressão de voz intermédia breve ou
longa, simples ou combinada de vocábulo : v.
g. mór em logar de mâior, esprito em logar
de espírito ; pra, em logar de para, &c.

18. Figura apócope é a, que se-encontra
na supressão d’uma ou mais sílabas finaes de
vocábulo : v. g. sábia e elegantemente, em
logar de sábiamente e elegantemente ; sã Domingos,
em logar de santo Domingos ; Grã
Cruz
, em logar de Grande Cruz, &c.

19. Figura Antítese é a, que se-encontra
na introdução ou troca d’uma articulação
por ôutra em atenção á eufonia : v. g. louva-lo,
em logar de louvar-o ; defendêmo-los
em logar de defendêmos-os ; pe-lo, ou pelo
em logar de per-o ou pero, &c.249

20. Figura Protése é a, que se-encontra
no acrescentamento d’articulação inicial de
vocábulo : v. g. louvàrão-no, em logar de
louvàrão-no ; dissèrão-no, em logar de dissèrão-o,
&c. (1)242

Seção VI.
Das Figuras de Construção.

21. As Frases, em que se-não-observam
fielmente as regras geraes da construção do
Discurso châmam-se Frases usuaes, ou construídas
segundo o uso ; (2)243 e conseguintemente
defeituosas, a pezar de taes frases sêrem
autorizadas pelo génio da .lingua e pelo
emprêgo, que delas fazem os Eruditos : á
pôis na linguagem Portuguêza três figuras
de Construção ou Sintasse, a sabêr :250

1.ª Elipse, (1)244
2.ª Pleonasmo,
3.ª Ipérbato.

22. A figura Elipse encontra-se no defeito
de vocábulos na construção da frase, cuja
significação os supõe : v. g. sirvo a Pátria
buscando instruir os seos filhos
 ; á qual
frase falta o vocábulo eu : no dia, que cheguei
a Lisbôa
, á qual frase incidente falta o vocábulo
em, immediato a estôutro que, &c.

23. A figura Pleonasmo encontra-se no
excesso de vocábulos : v. g. eu mêsmo vi com
êstes olhos
 ; onde á de mais os vocábulos
mêsmo e com êstes olhos ; parece me a mim,
onde á de mais os vocábulos a mim ; &c.
taes frases tẽem própriamente o nôme de
Idiotismos ou frases particulares da linguagem
251vulgar, e ocupam mũito logar em tôda
a espécie de Discurso.

24. A figura Ipérbato encontra-se na inversão
dos logares próprios dos elementos
das frases na construção direta : v. g. A naturêza,
em criar grandes talentos, nunca foi
avara ; falta sim mũitas vêzes quem os conhêça ;
e esta é a causa de morrêrem ainda
ôje tantos Scipiões pelas Estalagens
 : (1)245 onde
a ordem direta pedia que se-dissesse :
A naturêza nunca foi avara em criar grandes
talentos ; quem os conheça falta sim mũitas
vêzes ; e esta é a causa de tantos Scipiões
morrêrem ainda ôje pelas Estalagens
.

Seção VII.
Dos Requesitos para uma bõa Construção
Gramatical.

25. Os Requesitos para uma bõa construção
de qualquer discurso, vẽem a sêr
a purêza, a clarêza e a consonáncia de vocábulos
252e de frases : a purêza dos vocábulos,
consiste em sêrem marcados pelo uso dos
Omens mais doutos da Nação e deduzidos
segundo as regras da analogia da linguagem :
quanto á purêza das frases, consiste igualmente
na dos vocábulos, e requer de mais
que na sua construção se-observem restritamente
as relações de concordáncia e de
dependéncia dos vocábulos conforme o génio
da linguagem.

16. A’ purêza dos vocábulos opõe-se o
vício denominado barbarismo ; o qual consiste
no emprêgo de vocábulos com significação
diferente daquela, que se-deseija expressar :
v. g. prátiga em vêz de prática, &c.

27. A’ purêza das frases opõe-se o vício
denominado selecismo ; o qual consiste em
não observar a concordáncia e dependéncia
dos vocábulos : v. g.

Mas já o Planêta, que no Céo primeiro
Habita, cinco vêzes apressada,
Agora meio rôsto, agora inteiro
253Mostrara em quanto ao mar cortara a armada. (1)246

onde se-vê não concordar em gênero o adjétívo
apressada em variação femenina com o
substantivo Planêta do gênero masculino.

28. A clarêza dos vocábulos consiste em
evitar a obscuridade e o equívoco ; e
nisto mêsmo consiste igualmente a clarêza
das frases : assim, da-se o nome de anfibologia
ao vício opôsto á clarêza ; comete-se
quando se-emprega vocábulo, que tem diferentes
significações ; e só o logar, que ocupa
na frase é quem determina em qual se-dêva
tomar : v. g. o vocábulo âma não só
difere na espècie, pois que pode sêr verbo
e nome, mas até na mêsma espécie pode
significar diferentes ideias.

29. A clarêza das frases requer a expressão
completa de tôdas as ideias componentes
dos elementos da proposição, e a colocação
254dos seos respétívos vocábulos segundo
a ordem direta.

30. A consonáncia dos vocábulos consiste
em não desagradarem ao ouvido por ásperos
ou asónicos, e ao entendimento por significarem
ideias obscênas, sórdidas e impróprias
do discurso ou das pessôas a quem
se-dirigem : daqui vem a necessidade de evitar
iátos ou pronunciações de vocábulos seguidos
d’outro terminado em vogal, sendo
êles iniciados tam-bem por ela : v. g. Entrou
a alvoraçar-se tôda a armada
 ; (1)247 e as
cacofonias : v. g. Alma minha gentil, que te
partiste
. (2)248

N. B. Nos bons Escritôres encontra-se
mais bom que mao : pelo contrário, nos
maos mũi pouco se-encontra bom.255

Seção VIII.
Da Análise (1)249 Gramático-Lógica
Discurso

31. Análise (2)250 Gramático-Lógica do discurso
é a explicação da naturêza e espécie
dos vocábulos, considerados expressões das
ideias : das frases, consideradas expressões dos
juizos ; e dos Perîodos, considerados expressões
dos raciocínios : daqui derivam três
espécies de Análise, a sabêr :

1.ª Análise de Vocábulos,
2.ª Análise de Frases,
3.ª Análise de Períodos.

32. A análise de vocábulos depende do
conhecimento da Ortoépia, considerando-se
expressões de sons ; e da Etimologia, considerando-se
expressões de ideias.256

33. Da análise Ortoépica do vocábulo produções
resulta o seguinte :

1.° as três sílabas artificiaes pro, du, ções :
(Ort. N° 48)

2.° as duas primeiras sílabas breves por constarem
da vogal baixa e simples (Ort. N°
54) e a terceira longa por constar da
vogal combinada de duas ou ditongo (Ort.
N° 53)

3.° a primeira das sílabas breves pro complexa,
a segunda du incomplexa e a longa
ções complexa.

4.° a sílaba pro expressada por uma vogal
oral simples o e por uma articulação combinada
pr das simples p labial forte e de
r lingual fraca (Ort. N° 44) : a sílaba
du expressada por uma vogal oral simples
u e por uma articulação simples dental
fraca d ; e a sílaba ções expressada por
ditongo nasal õe e por duas consoantes
simples linguaes-dentaes ç forte e s fraca.257

34. Da análise Etimológica dos vocábulos
componentes desta frase : o Brasil é fèrtil
em produções da Naturêza
, resulta o seguinte :

1.° os nove vocábulos o, Brasil, é, fèrtil,
em, produções, de, a, Naturêza
.

2.° os três substantivos Brasil, produções,
Naturêza
 ; sendo o primeiro e último próprios
(Etim. N° 13) e o segundo comum
(Etim. N° 14) ; o primeiro do
género masculino e do número singular ;
(Etim. N° 20) ; o segundo do género femenino
e do número plural ; (Etim
20 e 28) e o terceiro de género femenino e
do número singular. (Etim. N° 21 e 27)

3.° os três adjétívos o, fèrtil, a ; sendo o primeiro
o e o terceiro a articulares, e o segundo
fèrtil atributivo (Etim. N° 48 e 52)

4.° o verbo é na variação correspondente á
terceira pessôa do presente do Indicativo
do verbo substantivo sêr (Etim. N° 130)258

5.° as duas preposições em, de ; a primeira
de logar e a segunda de separação. (Etim.
N° 184)

35. A análise das frases depende do conhecimento
da Arte de falar, pelo que respeita á
construção ; do mêsmo modo que esta depende
da Arte de Pensar pelo que pertence
ao que expressam as mêsmas frases.

36. Da análise da frase : o Brasil é fèrtil
em produções da Naturêza
, resulta o seguinte :

1.° o Brasil como sujeito da proposição ; é
como verbo substantivo ; fèrtil em produções
da Naturêza
como atributo ; sendo
o sujeito simples e complexo (Int. N° 18)

2.° a concordáncia do adjétívo articular o
com o substantivo próprio Brasil em género
e número ; e a do articular a com o
substantivo próprio Naturêza tam-bem em
género e número.259

3.° a concordáncia do verbo é com o sujeito
o Brasil em número e pessôa (N° 2)

4.° a dependéncia do adjétívo atributivo fèrtil
do substantivo comum produção, cuja
relação se-expressa pela preposição em ;
(1)251 e igualmente a dependéncia de substantivo
produções d’estoutro Naturêza
modificado pelo articular a, cuja relação
está expressada pela preposição de, (Etim.
N° 7)

5.° a afirmação de convir ao sujeito o Brasil
o atributo fèrtil em produções da Naturêza ;
por isso esta frase é do gênero das
afirmativas (N° 11)

37. A análise dos Perîodos depende do conhecimento
da Arte de falar pelo que pertence á
construção ; do mêsmo modo que esta depende
260da Arte de Pensar no que respeita ao que
expressam os perîodos.

28. Da análise do Periodo :

O qual, como do nobre pensamento
Daquela obrigação, que lhe ficara
De seos antepassados, (cujo intento
Fôi sempre acrescentar a terra cara),
Não deixasse de sêr um só momento
Conquistado ; no tempo, que a Luz clara (1)252
Foge, e as Estrêlas nítidas, que saem,
A repouso convidam, quando caem :
Estando já deitado no aureo leito,
Onde imaginações mais certas são,
Revolvendo contínuo no conceito
De seo ofício e sangue a obrigação,
Os olhos lhe ocupou o sono aceito,
261Sem lhe desocupar o Coração ;
Porque, tanto que lasso se-adormece,
Morfeo em várias formas aparece.

resulta o seguinte :

1.° os três membros marcados pelos dous
pontos ; pelo ponto e virgula ; e pelo ponto
final.

2.° as frases principaes o qual (Mar largo)
não deixasse de sêr um só momento conquistado ;
o sono aceito lhe ocupou os
olhos ; tanto que lasso se-adormece
.

3.° as frases incidentes como do nobre pensamento
daquela obrigação ; que lhe ficara
de seos antepassados, cujo intento foi sempre
acrescentar a Terra cara ; que a Luz
clara foge ; e as Estrêlas nítidas a repouso
convidam ; que saem ; quando caem
.262

4.° as frases subordinadas : estando já deitado
no aureo leito ; revolvendo contínuo no
conceito a obrigação do seo ofício e sangue ;
onde imaginações mais certas são ; sem
lhe desocupar o coração ; Morfeo em várias
formas aparece
.

5.° os sujeitos das respétívas frases a sabêr :
O qual (mar largo) ; o como aceito ; (alguem)
lasso ; como (isto) do nobre pensamento
daquela obrigação ; a qual obrigação ;
o intento dos quaes ; a luz clara ; as
Estrélas nitidas ; as quaes ; (as mêsmas
Estrêlas) ; (Manoel) ; (Manoel) ; o sono ;
Morfeo
.

6.° os verbos das mêsmas respétívas frases :
deixasse ; ocupou ; (sendo) ; ficara ; fôi ;
foge ; convidam ; saem ; caem ; estando ;
revolvendo ; são ; aparece
.

7.° os atributos das referidas frases, ou complementos
dos verbos adjétívos : não de
sêr um só momento conquistado
 ; …
olhos, adormecido ; (efeito) do nobre pensamento
263daquela obrigação ; lhe de seos
antepassados sempre acrescentar a terra
cara ; no qual tempo ; a repouso ; quando
ja deitado no aureo leito ; contínuo no
conceito a obrigação de seo ofício e a de
seo sangue ; onde mais certas ; lhe em várias
formas
. (1)253

Fim da Sintasse.264

1(1) Tomarei o vocábulo ideia no sentido próprio : êste vocábulo
é grêgo, e figura-se assim, ιδέα derivado de, έιδω, eu veijo,
eu conhêço
 : os Metafísicos tomam-no em sentido figurado, de imagem,
ou de simulacro ; mas de tal significação resultaria o absurdo
de concedêr figura aos objetos das ideias metafísicas, isto
é, qualidade corpórea áquilo, que não é côrpo : por quanto, tôda
a imagem supõe a êxisténcia do seo original ; e, para que uma
imagem tenha figura, é necesário, que o seo original tam-bem a
tenha. – Emprego o vocábulo percépção, e não sensação, porque êste
avisinha-se da consideração física, ao mêsmo tempo que aquêle
se-atribue géralmente á consideração metafisica : dizêmos : v. g.
não sei, que sinto nêste braço, e não se-diz : não sei, que percêbo nêste
braço
 ; e tambem ; v. g. percebeis o sentido deste periodo ? e não
sentîs o sentîdo dêste periodo ?

2(1) Não considero as linguas sómente como expressões dos
nossos pensamentos ; considero-os tam-bem como instrumentos neçessarios
para adquiri-los.

3(1) A comunicação dos pensamentos por meio da fala precedeu,
com mũi grandes intervalos, a arte de os comunicar perfeitamente
por sinaes jeroglíficos, e depôis por sinaes escritos : Ora, o sistêma
dos conhecimentos Ortoépicos, Etimológicos e Construtivos
fazem o Côrpo inteiro da Linguagem articulada ; logo a Ortografia
não pode sêr parte da Gramática, segundo disseram,
e continuam a dizêr os Gramáticos não filósofos ou Gramatistas ;
por ser absurdo considerar como parte d’um tôdo o, que é desnecessário
para a existéncia do mésmo tôdo.

4(1) Apesar desta variedade de expressões, estou persuadido
desta maxima de Fontenelle „entre toutes les differentes expressions
qui peuvent rendre une seule de nos pensées, il n’y en a qu’une
qui soit la bonne.‟

5(1) Mâior entre os Lógicos.

6(2) Menor entre os Lógicos.

7(3) Conclusão entre os Lógicos.

8(1) Entre os Lógicos.

9(1) Valendo = é igual a por simplicidade e abreviatura.

10(1) Tenho lido em obras de pessôas eruditas e mêsmo ouvido
dizêr razão comũa, rasões comũas ; mas creio ter sido por inadverténcia
de que no advérbio comunmente se-não diz, nem se-escreve
comũamente, como sucede em juntamente : – comum é um
adjetivo atributivo da classe dos grave, feliz, deligente, só, sagaz,
&c. que são radicaes dos advérbios gravemente, felizmente,
deligentemente, sómente, sagazmente
, &c.

11(1) De Santo Agostinho.

12(1) Este método é próprio para se-acharem as verdades e para
abilitar outrem a descobri-las per si mêsmo.

13(1) Este método é principalmente destinado a expôr as verdades
descubertas e a instruir outrem nelas.

14(2) O omem nasce innocente ; o estado d’êrro é obra sua.

15(1) A análise do entendimento serviu a Bacon, do mêsmo, que
a análise da extensão a Newton.

16(1) Pour savoir ce que c’est que la grammaire il faut savoir
ce que c’est q’un discours, ce que c’est qu’une periode, ce que
c’est qu’une phrase composée, ce que c’est qu’une proposition,
ce que sont les idées
, les objets que nous les communiquent,
ce que sont enfin tous les èléments de la grammaire. Sicard.

C’est par l’étude de l’instrument de la pensée que nous apprendrons
a enseigner l’art d’exprimer la pensée elle même, comme
nous apprendions par l’étude de l’instrument vocal, l’art de
prononcer e de lire. Volney.

17(1) D’aprés Descartes, ceux qui ne définissent pas les mots,
& qui disputent, ressemlenet à ceux qui, dans un combat, trainement
leurs ennèmies dans de profondes caves, & dans les
tenebres, pour les tuer plus à leur aise.

18(2) Daqui vem o dizêr-se, que qualquer voz tem por caracteristica
a possibilidade de prolongar-se, d’elevar-se e d’abaixar-se
quanto o permitir a respiração.

19(1) Daqui vem o dizêr-se, que qualquer articulação não tem a
possibilidade de prolongar-se, d’elevar-se, d’abaixar-se como qualquer
voz ; por isso mêsmo, que tira a sua esséncia da intercéssão
do som por alguma das partes mòveis do orgam da fala.

20(2) Pour bien abalyser le plaisir, qui résulte d’une suite de sons
il faut décomposer cette suite de sons dans ses parties & ses elements.
D’Alembert.

21(1) A’cêrca do número dêstes sons é notàvel a diversidade de
opiniões entre os melhores Gramáticos Portuguêzes dês de o Doutôr
João de Barros até ôje ; e, para que o Leitôr se-instrua e se-deleite
sôbre esta matéria, redigi a Táboa comparativa, que vai
no fim desta Gramática : desempenhando por êste modo, tanto
quanto me é possìvel, a judiciosa Sentença d’Horácio :
Omne tulit punctum, qui miscuit utile dulci
.

22(1) Lorsque la voix moute jusqu’au nez, on pourrait admettre
aussi dans les Grammaires des letres nazales ou du nez, comme
ills ont celles du palais, des dents, des lévres, &c. Le Parfait
Maitre de Langue Française
. Par M. C. *** A Paris An. 1812.

Les sons ne sont autre chose qu’une portion d’air qui chassé
du poumon & traversant la bouche, qui lui sert de canal, va,
sous le nom de voix, frapper l’oreille, pendant que le signe auquel
est attaché le son, qui en est l’ame, frappé l’oeil en même
tems. La voix ne trouve, il est vrai, sur son passage, aucun
obstacle, que s’oppose à son émission : mais le canal par où elle
passe peut s’elargir ou se rétrécir ; & selon qu’il devient ou plus
large ou plus étroit, la voix contracte differents nuances ; de
manière que la plus grand ouverture de la bouche fait entendre
le son á & la plus petite le son u ; – Jus qu’ici nous sommes
bonnés à ouvrir à l’air un libre passage en ouyrant la bouche.
Mais au moment que nous ouvrons la bouche, si à cete opération
se joint simultanément un léger mouvément de quelques muscles
du nez
 : alors, ce moviment accessoire donne origine à de
nouveaux sons ; e a mesure que le canal se rétrécit, fait entendre,
l’un aprés l’autre, les sons na, in, on, un ; Nous appelerons
nazales ces quatre derniers soons, pace que le noez à concourru
à leur emission. J. B. Mandru.

23(1) A Linguagem Portuguêza não tem consoantes desta espécie :
– que a consoante g é gutural, á muito quem o diga, mas
é por falta d’análise do mecanismo dos sons elementares ; analisem-se
bem ao menos como eu o tênho feito, que viremos a
estar conformes nos resultados ; e saberá câda qual se a uma obra
desta natureza competirá dignemente a epígrafe In tenui labor.
De Virgil.

24(1) Une langue qui auroit, comme l’Espagnol, un heureux mélange
de voyelles & de consonnes douces & sonores, seroit peut
être la plus harmonieuse de toutes les langues vivantes & modernes.
D’Alembert.

25(2) Acaba de publicar-se uma Ortografia, que diz assim : Resultando
as sílabas da união das vogaes com as consoantes
– e logo
a baixo, tratando das sílabas simples, diz tam-bem : o caràter
de silaba simples é constar d’uma só vogal
 : mais adiante continua
a dizêr : As cinco vogaes solitárias formam sílaba. Eis-aqui
uma prova da má definição de sílaba ; e, por conseqûéncia, um
erro de Lógica ; pois a uniâo das vogaes com as consoantes não
é cousa comum a tôda e qualquer sílaba ; circunstáncia essencial
d’uma boa definição. (Ved. Introd. N. 42.) : com taes obras não
pode deixar d’enredar-se o des-envolvimento das cousas.

26(1) As sílabas artificiaes são as, que entram no rítimo ou
medida do verso.

27(1) Et nova factaque nuper habebunt verba fidem, si Graeco
fonte cadent, parce detorta. Hor.

28(2) Léde Cámões.

29(1) Melodia é o prazêr, que resulta de se-ouvirem mũitos sons
seguidamente ; e armonia o, que resulta de se-ouvirem ao mêsmo
tempo : géral e erradamente se-tôma armonia por melodia.

30(2) Maxime autem delectat melopoea. Aristoteles.

31(1) Tenho encontrado a mâiór disparidade nas opiniões dos Gramaticos
sôbre o número e as espécies de vocábulos ; e a êste respeito
sómente observarei, que não podendo um côrpo existir sem
a reunião coordenada de tôdas as suas partes : como poderá existir
oração gramatical sem tôdas as seis, sete, oito, nove e mêsmo
dez partes, que diversos Gramáticos lhe atribuem ? Tot capita,
Tot sententiae
.

32(1) Denominação derivada do logar, que ocupa na frase ; pois
é sempre ou pela mâior parte das vêzes, junto do verbo, ad
verbum
.

33(2) Ablativo de mens, mentis, &c. o entendimento ; ou maneira
ou razão, &c. em sentido figurado : por quanto, severamente
deriva de severa mente Latino regido da preposição cum ;
pois tôda a exprêssão completa vem a sêr cum severa mente

34(1) Ce ne sont pas des mots, mais quelque chose de plus,
„puis qu’elles expriment le sentiment qu’on a d’une chose, et
que par une simple voix prompte, par un seul coup d’organe,
elles peignent la maniére dont s’en trouve interieurement affecte.‟
Traité de la Formation Mechanique des Langues. A Paris,
du. 9
.

35(1) Rabeca grande não é combinação eufónica ou agradàvel
ao ouvido culto.

36(1) Emprego o vocábulo Naturêza, como expressão dos resultados
da Legislação a que Deos tem submetido o mecanismo
do Universo : legislação tão sublime, e fecunda, como admirável e
incompreensìvel pelos Omens a mũitos respeitos ?

37(1) Cobre alcantis, e fragas de alva spuma : os Mártires – de
Francisco Manoel
– Quanto á Ortografia vêd. a Filosófica na Parte
1.ª N° 1.

38(1) Antigamente dizia-se Alferezes no plural d’Alferez no singular :
óje diz-se Alferez n’um e n’outro número pela figura Apócope.
Ved. Sint. Seção 5. N. 18.

39(2) Assim o quer o uso dos doutos e cultos.

40(1) Antigamente mi por contráção de mihi Latino.

41(2) Equivale a a mim derivado de me Lat.

42(3) Equivale a com mim derivado de mecum Lat.

43(1) Por contráção de tibi Lat.

44(2) Equivale a a ti, derivado de te Lat.

45(3) Equivale a com ti, derivado de tecum Lat.

46(6) Antigamente empregava-se elo variação abstrata. Vêde Código
Manoelino
.

47(4) Equivale a êle, a ela.

48(5) Equivale a a êles, e a elas, derivados d’illis Lat. „E pois ácêrda
Villa estava bem afortelezada, e açalmada, e apercebida daquellas
cousas, que lhis comprem.‟ Inst. da Camara de Moncôrvo
de 1360.

49(1) Os Hebreos empregavam o plural, em sinal de respeito,
quando falavam com Deos : donde, talvêz, o dizêrmos : Padre
Nosso, que estais nos Céos, santificado seija o vosso nôme, &c.
pois a tradução literal de Pater noster, qui es in caelis, santificetur
nomem tuum
, &c. vem a sêr : Padre nosso, que estás nos
Ceos, santificado seja o teo nôme, &c.

50(1) Eqûivale a sibi Lat. Contraido em si.

51(2) Derivado de se Lat. vale o mêsmo que a si.

52(3) Eqûivale a com si : sigum, sigo, derivado de secum Lat.

53(4) Com com si é pleonasmo filho do génio da Linguagem Portugêza.

54(1) Vale o mêsmo que a nós.

55(2) Vale o mêsmo que com nós de nobiscum Lat.

56(3) Vale o mêsmo que a vós.

57(4) Vale o mêsmo que com vós de vobiscum Lat. : com nósco
com vôsco
são puros idiotismos da Lusa linguagem.

58(1) Pão de melhor qualidade, e pão da melhor qualidade são
expressões de diferentes conceitos a respeito de pão.

59(2) Derivado de hoc Lat.

60(3) Derivado de hos Lat.

61(4) Derivado de iste Lat.

62(6) Isto e Variação abstrata.

63(5) Derivado de ipse Lat.

64(7) Isso é Variação abstrata.

65(8) Aquilo é Variação abstrata. Aquelo usava-se antigamente
por aquilo. Vêd. Códig. Man. : a êste respeito não pude concordar
com a opinião do Sr. Moraes.

66(9) Cujo = o do qual, = o da qual.

67(10) Cujos =os do qual = os da qual = os dos quaes = os das
quaes.

68(1) Na Provincia d’Entre Douro e Minho diz-se algũa ; e se
atendermos á sua derivação, e ainda ao, que disse o Doutôr João
de Barros
, tẽem razão os Provincianos : eis-aqui a passagem do
mais polido Escritôr da ïdade d’ouro no Diálogo em louvôr da
nossa linguagem
 : falando dos vocábulos : „Não somente os que
achamos por escrituras antigas, mas mũitos que se usão entre
Douro e Minho, conservador da semente portuguêza : os quaes
alguns indoutos desprezam, por nam saber a raiz donde nascem‟
Conhêço suficientemente os diversos êrros d’Ortoépia,
d’Etimologia
e de Sintasse próprios das diferentes Províncias de
Portugal ; e posso dizêr e provar, que em Coimbra se-fala melhor,
que em parte alguma do Reino, a Linguagem Nacional : é
a li, que tôdos os Estudantes se-purgam dos êrros pátrios.

69(2) Cuja = a do qual = a da qual.

70(3) Cujas = as do qual = as da qual = as dos quaes = as das
quaes.

71(1) Qual Rio que Vencendo as altas margens Ant. 2. Ode 16.
de Elpino Nonacriense.

Qual seta ao alvo, pelo Campo Undôso. Ant. 8. Ode 1.ª Elpin. Non.

72(2) Por abreviatura ou Idiotismo acha-se a câda passo que = em
o qual
, e = em a qual : v. g. na Estáncia 67. do 4.° Canto das
Lusíadas.

No tempo, que a luz clara

Foge, e as estrêlas nítidas, que saem, pois eqûivale a
No tempo, em o qual tempo a luz clara

Foge, &c. (quanto á expressão do sentido, e não pelo que respeita
ao rítimo).

„Amigo, s’eu pudesse ter sobejo
Tempo, que te escrevesse longa Carta‟

Pois equivale a Amigo, &c.

„Tempo, em o qual te escrevesse, &c.‟
Elp. Dur.

Por abreviatura, ou Idiotismo acha-se frequentes vêzes que
= os quaes, e = as quaes : v. g. na Estáncia 1.ª do 1.° Canto das
Lusíadas.

As Armas e os Barões assinalados,
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares, &c. pois eqûivale a
As Armas e os Barões assinalados
,

Os quaes Barões da Ocidental Praia Lusitana, &c. (quanto á
expressão do sentido, e não pelo que respeita ao rítimo.) E na
Antístrofe 2.ª da Ode 1.ª de Elp. Nonacr.

Do nêgro mar na foz alçou fervendo
Vivas vadantes ilhas
,

Que a morte intimam, &c. pois eqûivale a

Do négro mar na foz alçou fervendo
Vivas vadantes ilhas
,

As quaes ilhas a morte intimam, &c.

73(1) Recordai a nota do § 50 ao adjétívo alguma.

74(1) Deveria sêr núo, núa, núos, núas por derivação de nudus,
nuda. Lat
. e pela analogia gramatical ; mas não o tem querido o
Legisladôr, venho a dizêr, o uso dos Doutos e polidos na Côrte.

75(1) Querem alguns, que se-diga e se-escrêva simplice e simplices,
talvêz, para distinguirem o singular do plural, visto que
simples é tomado para ambos os números : eu também o quereria,
se me fôsse permitido ir contra o uso dos Doutos e polidos ; e
tambem, se eu visse escrevêr o advérbio simplesmente desta forma
simplicemente : assim, persisto na minha opinião, por sêr fundada
em razão e doutrina. (Véd. N. 10.)

76(1) Assim o tem querido o uso, em cujo arbítrio residem o direito
e a norma de falar ; como disse Horacio na sua Arte Poetica :

Si volet usus
Quem penes arbitrium est, & jus & norma loquendi
.

77(2) Considerando-se as terminações al e ar escritas dêste modo
al e ar, a que realmente corresponde a pronunciação, d’al e
ar, vê-se que as duas regras (72 e 78) se-incluem na 71.

78(1) Considerando-se as terminações az e ez nas suas primitivas
ac’ ic’ vê-se, que esta regra se-inclue na primeira : capace e simplice
encontram-se nos Clássicos.

79(2) Considerando finalmente as terminações iz e oz nas suas primitivas
ic’, oc’ vê-se tambem, que esta regra está incluida na primeira :
felice e feroce acham-se em bons Poetas.

80(1) ou Abstratos na frase de Beauzée ; Simples na de du Marsais.

81(2) ou Concretos segundo Beauzée ; Compostos segundo du
Marsais
.

82(3) Não entendo, que aja mais, que um só, e vem a sêr
o verbo sêr : por quanto, estar eqûivale a sêr estante.

83(4) Não á verbo adjétívo, ou compôsto, que repugne a sêr decompôsto
no verbo substantivo, ou simples sêr e num adjétívo :
v. g. o adjétívo amo = sou amante ; amei = fui amante ; amam-se
= são amados ; amava-se = era amado, ou era amada, &c.

84(1) A divisão dos Verbos Adjétívos em A’tívos, Passivos e
Neutros ; e a dos Verbos A’tívos em Refléssívos e Recíprocos supôsto
seijão adótádas por Gramáticos de nôme, assim Nacionaes
como Estrangeiros ; com tudo, nem as julgo necessárias para inteligência
do Discurso, nem ainda admissíveis nas linguas vivas ;
porque taes divisões e subdivisões são puramente arbitrárias e diretamente
opostas aos resultados da Análise do Discurso ; e por
isso aos princípios da Gramática Géral : é preciso considerar as
cousas pelo que são na sua essencia, e não em sua aparencia :
se faço com efeito menção das ditas subdivisões é para conservar
certa relação entre esta Gramática e outras, que ainda as trazem,
e das quaes temos precisão para os usos da sociedade ; taes são
as Francézas, Inglézas e outras.

85(1) Trava-se a peleja, é a peleja travada. Levantam-se as ondas,
são levantadas as ondas : Os Mártires – de Francisco Manoel.

86(1) Os verbos neste modo èntrão exclusivamente nas Frases prìncipaes.

87(2) Os verbos neste modo èntrão tambem nas Frases principaes.

88(3) Os verbos neste modo èntrão nas Fráses subordinadas.

89(1) Os verbos neste modo èntrão como os do precedente modo
na formação do Discurso.

90(1) Podêmos considerar um Futuro Plusquam-perfeito, isto é,
um tempo, que deverá têr fim depois de findar a existéncia referida
a êsse mêsmo tempo : v. g. já terêi sido ; com efeito, é
evidente, que os tempos Pretéritos a respeito do Presente estão
na razão indiréta da dos Futuros ; isto é, os Pretéritos na consideração
de anteriôr, e os Futuros na de posteriôr.

91(1) Não é possìvel na linguagem primitiva do omem sabêr se
tôdas estas diferentes circunstáncias de tempos seriam nela indicadas
por outras tantas infléssões ; porque, não veijo que em tôdas as
linguagens dirivadas se-tenham distinguido com exáção. Entre os
Hebreos, os verbos não tẽem mais que dous tempos, o pretérito
e o futuro ; e para expressarem a diversidade de tempo, empregam
sómente duas infléssões diferentes ; servindo-se da do futuro
para a do presente.

Os Grêgos, mais civilizados e amigos da exáção, tẽem tôdos
os tempos, de que tenho falado, nos seos verbos. Os Latinos
imitaram os Grêgos a êste respeito ; assim como a outros mũitos
do Político e do Militar.

92(1) Vozes entre os Gramáticos antigos.

93(2) Antigamente dizia-se e escrevia-se poêr e por isso avia só
três Conjugações : tanto pode o uso. (Ved. o Codig. Manoel.)

94(1) Derivado de essere, Ital. e essere derivado de esse Lat.

95(2) Derivado de estare Lat.

96(3) Derivado de tenere Lat.

97(4) Derivado de habere Lat.

98(1) N’uma Carta d’Elrei o Sr. D. Diniz de 1318, acha-se,
E porque Eu ende assi soo serto- a pronunciação do pôvo de
Lisbôa, em tôdos os vocábulos terminados no ditongo ôu, avizinha-se
mais da de ô que da de ôu – neste mêsmo defeito caem
os Alem-Tejanos.

99(1) Não entendo que aja diferença entre fôra e tenha sido,
mas a eufonia, e o rítmo pedem mũitas vêzes similhantes eqûivalencias,
e nisto se-conhece a riquêza das linguagens.

100(1) Antigamente esteem : Codigo Manoelino. – Escrêvo ei por
e nêstas variações, porque assim o pede a pronunciação ; por cujo
fundamento ôje se-escreve beija por beja : sejâmos conseqûentes
e sigâmos a razão.

101(1) Assim o quer o uso ; porque ouve tempo, em que se-dizia
e escrevia fôreis ; mas creio que para não se-equivocar com fôrâis,
voz do Pret. Plusq. Perf. do Indic., se –adótou aquela anomalia :
o mêsmo digo de estiverdes.

102(1) Considero os Supinos de tôdos os verbos como têrmos primitivos
necessários para se-formarem as expressões verbaes dos
tempos compostos. Não admito Particípios : As duas Regras sôbre
o particípio presente, e as vinte sôbre o particípio passado, que estabeleceu
M. Boinvilliers, Sócio-Correspondente do Instituto de
França, impõem sómente aos Gramatistas. Mr. L’Abbe de Lévizac
pelo que diz na sua Grammaire Philosophique et litteraire
mostra que achou suma deficuldade em firmar a definição dos Particípios,
e declara que êle os não considerava como l’Abbé
Girard, Restaut, e Lhomond, isto é, como classe de vocábulos á
parte ; mas sim que pela sua importáncia mereciam que dêles
se-formasse uma ideia exata : por isso, lhes chamou deux inflexions,
que les verbes reçoivent à l’infinit
 ; isto é, duas infléssões,
que os verbos recebem no Infinitivo ; que tristíssima definição !
O mêsmo Gramático continua dizendo : l’une est ce qu’on nomme
participe du presente, et l’autre participe do passé. Mais a
diante disse tam-bem o referido Gramático : Il ne s’agit pas
de l’adjectif-verbal qui vient du participe passé : como une maison
achevée, un ouvrage achevé
, &c. des ouvrages achevés, des
etudes achevées, &c. Mais il s’agit de l’acord du participe passé
avec le nom ou pronom, sujet ou regíme, qui accompagne les temps
composés des verbs, soit que ces temps se construissent avec
être, soit qu’ils se canstruissent avec avoir ; e apresenta as
seguintes regras, que segundo diz, são divisões da regra de Duclos
e Condillac. 1.ª Regle. Le Participe passé quand il est accompagné
du verbe auxiliaire être s’accorde en genre et en nombre
avec son sujet, &c. exemplo :

Les Sciences ont toujours été protègées par les gouvernements
éclairés
. As sciencias tem sido sempre protegidas pelos govérnos
esclarecidos : onde o vocábulo Francêz Protégées e o portuguéz
protegidas são puros adjectivos atributivos. (N. 52.)

2.ª Regle. Le participe passé quando il est accompagné du verbe
auxiliaire avoir, ne s’accord jamais avec son sujet. exemplo :

Les Romains ont successivement triomphé des nations les plus
beilliqueuses
 : ou, os Romanos tem sucessivamente triunfado das
nações mais guerreiras : onde o vocábulo Francês trionphé e o Portuguêz
triunfado são puros supinos do verbo triunfar.

Nota porém Levizac : le participe été est le seul, dans la langue
françoise, qui ne change jamais. On dit’il ou elle a été, ils
ou elles ont été : eis aqui a ratificação da tristêza, que encontrei na
definição de participios dada por êste litrato, que se-acredita suprir
a MM. Malherbe, Vougelas, T. Corneille, Ménage, Bouhours
et Régmer, MM. de Port-Royal, Duclos, Girard, Olivet,
&c. &c.

Dos Gramáticos Portuguêzes nada tenho a dizêr em favôr da
minha doutrina á cêrca da nulidade de existéncia do que êles
chamam Particípios ; porque, tendo-se copiado uns aos outros, assim
como os Francêzes, pônho-os tôdos á mêsma parte.

103(2) M. Levizac, chama ao que os Gramáticos chamam
Gerúndios, Particípio do presente, e Particípio do passado, dizendo
assim : c’est donc avec bien de l’improprieté qui beaucoup de
grammariens, soit nouveaus appellent participe present
et participe passé. Anteriormente, disse falando do gerúndio, c’est un
girundif toutes les fois qu’on peut y joindre la préposition en,
sans alterer le sons de la phraze ; comme, je suis persuadé que
travaillant assud~ment pendant trois mois, vous ferez des grands
progres dans les mathematiques : c’est le même sens que si l’on
disoit, je suis persuadé qu’en travaillant, &c.

Tenho transcrito a Doutrina de M. Levisac na sua própria lingua
para melhór me entendêrem os Leitôres, que não merecem o
desprêzo nem o ridículo ; e como se-julgam mui litratos, creio
sêr bastante quanto apresento á cêrca do Particípio do presente
e do pretérito, cuja existéncia, torno a dizêr, é nula segundo os
principaes pontos, em que se-funda a Gramática Géral ; e
particularmente a Portuguêza : – direi ainda por último, que no
século de 1500 para 1600 se-encontram frases taes como esta =
As pessôas, que vós tendes instruidas a desenhar, tem perfeitamente
aproveitado das vossas lições : que em Francêz corresponde
a esta = Les personnes que vous avez instruites à dessiner,
ont parfaitement profité de voz leçons.

Ora, que diferença averia em se-comparando a dita frase com
esta ? as pessôas, que vós tendes instruidas em desenhar, tem
perfeitamente aproveitado das vossas lições ? na primeira os vocabulos
que tendes instruidas em desenhar formam uma frase incidente,
e na segunda são destribuidos por duas frases, a sabêr que
vós tendes instruidas, isto é as pessôas instruidas em desenhar,
que vós tendes
, o mêsmo se-póde dizer na frase Francêza : logo
para que enredar os princípios da Gramática com regrinhas particulares ?
Nada tenho achado mais bem dito, que êste pensamento
de Olivet : rien n’est si capable, que des regles generales,
de faire honneur a une langue savant et polie ; mas graças
a Cámões, a Barros, a Lucêna, a Andrade, a Souza, a Vieira,
&c. por têrem trabalhado em purgar a lusa linguagem destas e
d’outras anomalias.

104(1) Deveria sêr tivestes, ouvestes, pela analogia.

105(2) deveria sêr tivèsteis, ouvèsteis, pela analogia.

106(1) Devia sêr tivèreis, ouvèreis mas o uso não o tem querido,
talvêz por se-confundir na pronunciação tivèrâis com tivèrêis ; e
ouvèráis com ouvèrêis : quanto é rigoroso êste Juiz ! sempre que
falo do uso entendo sêr o dos Doutos e polidos na Côrte ; porque
do contrário respondo com Ferreira.

Eu por cego costume não me mavo.

107(1) Podia sêr têrêis, avêrêis sem resultar amfibologia na pronunciação :
Lei esta, que o uso não permite que se-ofenda impunemente.

108(1) Outros escrevem àvêis ou aveis contra a devida pronunciação
e fora d’analogia.

109(2) O mêsmo que a respeito de àvéis.

110(1) Melhor seria astes, êstes.

111(2) Prefiro êu pela razão, que dou na minha Ortografia (Seção
1.ª N° 26.)

112(3) Melhor seria àsteis, êsteis. A Gramática da lingua Castelhana
pela Real Academia Hespanhola tras aste, éste, àstes, èsteis :
admitida a corréção, que aponto, nos Verbos Portuguêzes teríamos
tôda a variação de segunda pessôa do singular terminada em
sílaba simples complexa, e a do plural em silaba combinada complexa :
o que tudo serviria de facilitar o conhecimento dos Verbos.

113(1) assim, quer o uso talvez para destinção de àrâis.

114(2) assim, quer o uso para distinção de èrêis.

115(1) Porque está em uso filosófico o escrevêr i por î.

116(2) Melhor ou verdadeiramente … istes, … usestes.

117(2) Melhor ou verdadeiramente … istes, … usestes.

118(1) Melhor ou verdadeiramente … ìstêis, … osèsteis.

119(1) Melhor ou verdadeiramente … ìstêis, … osèsteis.

120(1) Quem lêsse destacado do Verso antecedente nos Mártires
êste Verso : Mas primeiro, influi, que a mim se ostentem,
¿ conhecerá que o sujeito do verbo influi é o vocábulo Musas ?
¿ a variação do Pretérito Perfeito do Indicativo do Verbo influir
não é influí ? logo, tenho razão para introduzir a terminação
í para distinção da í : o referido verso ficaria sendo „Mas primeiro,
influí, que a mim se-ostentem
 : Sem alteração do ritmo :
Eis-aqui a razão, que á, para se-devêr cúidar na reforma das
Linguas, e sem se-têr contemplação com o uso : tal era o pensar
do célebre Metafisico de Grenoble‟ pour rendre le langage
exact, ou doit le reprimer sans avoir égard á l’usage.‟
Essai sur l’origine des connoisances humaines.

121(1) Por analogia devia sêr … ìrêis, … osèrêis.

122(1) Derivado de Lôuvando-sto contraído em Lôu-vo ; por que
antigamente se-dizia e escrevia sto por estou, por derivação de
sto, stas, estare Lat. ?

123(2) Derivado de defend-sto e êste contraido de defend-o. ?

124(1) ¿ Derivado de Lôuvando-stava contraído em lôuv-ava ?

125(2) ¿ Derivado de defendendo-ia contraído em defendend-ia ?

126(3) ¿ Derivado de louvado-ei contraído em louv-ei ; e de ei-louvado
invertido. ?

127(4) ¿ Derivado de defendido-ei contraído em defend-í, e de ei defendido
invertido. ?

128(1) ¿ Derivado de louvado-ouvera contraído em louva-ra. ?

129(2) ¿ Derivado de defendido-ouvera, contraído em defend-era. ?

130(1) ¿ Derivado de louvar-ei-de contraído, e de ei-de-louvar invertido. ?

131(2) ¿ Derivado de defendêr-ei-de contraído, e de ei-de-defendêr
invertido. ?

132(1) ¿ Derivado de louvante-esteje (antiq.) contraído em lou-ve. ?

133(2) ¿ Derivado de defendente-seja contraído em defend-a. ?

134(1) ¿ Derivado de louvante-estivesse contraído em louva-sse. ?

135(2) ¿ Derivado de defendente-fôsse contraído em defendê-sse. ?

136(1) A analogia pede que derivando louvàrâis de louvara, derive
louvàréis de louvare ou louvar’ ou louvar. O que é evidente,
porque nenhuma consoante se-pode nomear sem-se-lhe seguir
o e baixo ou o que vulgarmente chamam e mudo.

137(1) – e este põe | Elp. | Dur.

138(2) Que dão ás coizas novo sêr, e forma
E á vida nhumana põem mais firme esteio. Elp. Dur.

139(1) Por etimologia de posui, posuisti, posuit, &c. e pela
autoridade (Ved. Codig. Mano.)

140(1) E não pelas mudanças a que obriga a Ortografia,
como disse a Real Academia Espanhola na sua Gramática.

141(2) Chámo Radical d’um Verbo o que fica depois de tirar-se ao
presente do Infinito a terminação : v. g. louv é o radical de
louvar ; porque louvar deminuido da terminação ar, torna-se
louv. – a última lêtra do radical d’um verbo tem particularmente
o epíteto de figurativa.

142(1) O verbo auxiliar estar é irregular, e recorra-se ao (N°
129) onde se-acha conjugado.

143(2) Por acrescentamento da voz u.

144(3) Por troca da voz a por á, isto é por alteração de quantidade
de sílaba
.

145(1) Por alteração de qualidade de sílabas.

146(2) Por troca da vogal ou por eu ; isto é por alteração de
qualidade de sílaba
.

147(3) Por troca da vogal simples á por é ;

148(1) Por acrescentamento da voz i : isto é por alteração
de qualidade e quantidade de sílaba
.

149(2) Por acrescentamento da voz i : isto é por alteração
de qualidade e quantidade de sílaba
.

150(3) Por acrescentamento da voz i : isto é por alteração
de qualidade e quantidade de sílaba
.

151(4) Por acrescentamento da voz i : isto é por alteração
de qualidade e quantidade de sílaba
.

152(1) Por acrescentamento da voz i : – antigamente
escrevia-se receo, receas, receam ; assim como ôje ainda
se-escreve desejo, desejas, deseja, desejam ; mas graças aos
Doutos que tẽem combatido o cego costume : Nos desastres confia
Receia nas venturas. Elp. Dur.

153(2) Por acrescentamento da voz i : – antigamente
escrevia-se receo, receas, receam ; assim como ôje ainda
se-escreve desejo, desejas, deseja, desejam ; mas graças aos
Doutos que tẽem combatido o cego costume : Nos desastres confia
Receia nas venturas. Elp. Dur.

154(3) Por acrescentamento da voz i : – antigamente
escrevia-se receo, receas, receam ; assim como ôje ainda
se-escreve desejo, desejas, deseja, desejam ; mas graças aos
Doutos que tẽem combatido o cego costume : Nos desastres confia
Receia nas venturas. Elp. Dur.

155(4) Por acrescentamento da voz i : – antigamente
escrevia-se receo, receas, receam ; assim como ôje ainda
se-escreve desejo, desejas, deseja, desejam ; mas graças aos
Doutos que tẽem combatido o cego costume : Nos desastres confia
Receia nas venturas. Elp. Dur.

156(1) Tenho ouvido pronunciar sube por soube ; e só posso atribuir
a permanéncia d’êste êrro á inadvertência de Fr. Luiz de
Monte Carmelo
, Autôr do Compêndio de Ortografia impresso em
Lisbôa no anno de 1767 : com tudo, estou mũi longe de julgar
esta Obra destituída de merecimento, nem tão pouco o seu Autôr
menos digno do devido crédito, que lhe atribuíam, os Encargos
de Escritôr da Ordem dos Carmelitas descalços, de Consultôr
do Santo Officio, e de Examinadôr das três Ordens Militares
.
– Admitir anomalias desta naturêza só porque na Linguagem
Francêza á ditongos oculares taes como ai, e contra os
quaes tẽem escrito famosos Gramáticos, seria falta de conhecimento
do génio e da analogia da linguagem Portuguêza, e uma
pueril imitação d’uma linguagem, onde por similhante assunto já
dizia um dos seos mais famosos litratos, o Autôr de la Henriade :
j’ai beau faire, la bande des oies dominera longtemps enconre
dans de monde.

157(2) Por troca da voz baixa e por a aguda é.

158(3) Por troca da voz baixa e por a aguda é.

159(4) Por troca da voz baixa e por a aguda é.

160(5) Por troca da voz baixa e por a aguda é.

161(1) Entra a aparecêr em alguns escritos d’ôje o vocábulo
lêem ; mas os seos escritôres não tẽem tôdo o crédito preciso
para tal novidade.

162(1) Antigamente quere, requere, &c. (Vêd. Códig. Man.)

163(2) Vêde Manoel Severim de Faria nas Notícias de Portugal
e outros Escritôres seos coétáneos de melhor nota.

164(1) Por accrescentamento da voz êi, e da articulação j.

165(1) Por troca da consoante z por g.

166(2) dixe em 1500 e dixi anteriormente.

167(3) dizeréi antigamente.

168(1) dezido antig.

169(2) As crianças por efeito da analogia ou similhança dos
verbos regulares, costumão dizêr fazi, fazeu : tal é o império
desta lei gramatical : Condillac disse, por ocasião disto – S’ils
s’y trompent quelque foi, il n’en est par moins vrai qu’ils ont
raisonné ; mais l’usage n’est pas toujours aussi consequent, qu’ils
sont
.

170(3) Por etimologia de fecisti, enfraquecendo a articulação c em
z (Vid. Nôv. Mét.)

171(1) Contráção de fazerei.

172(2) Contráção de fazerás.

173(3) Contráção de fazerá.

174(4) Contráção de fazerêmos.

175(5) Contráção de fazereis.

176(6) Contráção de fazerão.

177(7) Contráção de fazeria.

178(1) Por etimologia de fecerim, feceris, fecerit, Lat. se-escreveu
antigamente fezer, fezeres, fezer ; Ved. Codig. Man.

179(2) fazido antig.

180(1) jaze antig.

181(2) Escreve-se trouxe, antigamente escrevia-se trouve, e assim
se-pronunciava ; óje pronuncia-se trousse, e tambem trusse, mas
não por pessôas, que tenhão autoridade – as afeiçoadas de trusse
são-no tam-bem de sube ; Vê. a Ortografia Filosófica. N° 20 em
nota.

182(1) Contração de trazerei antig.

183(2) Contração de trazeria antig.

184(1) Antigamente trouver, e trouxer, Ved. Codig. Man. Livro
1.° Titulo 16.

185(1) Por troca da articulação fraca l, pela forte lh.

186(2) Em 1500 val, disse F. de Sá e Miranda, grande Filósofo
e Poeta d’aquêle Século, o mais brilhante em Literatura Portuguêza :

De que me valerey, se alma nem val ?
Esperando por ela que me acuda,
nam me acode, está cuidando em al
,
Sonêto 12.

Deos dê saúde a quem trabalhar na estirpação de taes êrros.

187(1) Em alguns escritos modernos tênho encontrado poude, e
atribuído tal êrro de escritura a inadvertencia. (Vêd. a Ortog. N.
2. em Not. 7.) : as pessôas literatas afeiçoadas a dizêrem poude
tambem-no são de vás na 2.ª pessôa do Presente do Indicativo
do verbo ir : vêd. adiante as irregularidades dêste verbo.

188(1) E te vais entregar ao Rei imigo
A ti, a Esposa, e os Filhos.
Elpino Duriense.

189(2) Antigamente imos em Cámões, Canto 2.° Est. 80 = Imos
buscando as terras apartadas.=

190(3) Antigamente îs : não me põe mêdo o vêr n’uma Epístola
a Filinto por Almiro Lacobricense, o seguinte verso :

E ás portas vas bater da eternidade :

L’exposition des fautes dans une langue vivante est plus utele encore
que les preceptes ; car il importe moins d’indiquer le chemin
qu’il faut suivre, que de signaler les écuils qu’il faut éviter.
Dic. Filosof.

191(1) Esta variação e tôdas as mais dêste tempo, assim como
as do Plusq. perf. do Pret. Imperf. do Conj. são as mêsmas,
que as do verbo substantivo sêr nos mêsmos tempos : o que tudo
nos vẽe da Lingua Latina, como erança materna.

192(2) Antigamente î vós.

193(1) Os verbos afligir, cingir, fingir, mugir, rugir e tingir
são regulares, pela razão dada na Nota (1) N° (140.)

194(1) Geração imprudente, infesta praga,
Que nas horas mais de ocio ou de trabalho
Me vem pejar o tempo – Elp. Dur.

195(2) Fecho-me, e fechar-me-hei eternamente
A caustícos nojentos esfaimados,
Que sem piedade vem roubar-me o tempo, Elp. Dur.

Respeito quanto me permitem minhas tênues luzes os abalizados
conhecimentos em Literatura Portuguêsa dêste Ilustre Escritor do
Século presente ; mas tenho ainda mais respeito á verdade, que incluem
os Princípios fundamentaes da Gramática Géral, confórme
ao génio e á analogia d’uma linguagem viva e descendente
por linha reta em primeiro gráo da do Cantór da Eneiada ; e em
segundo da do da Ilíada. – A linguagem Castelhana, com que a
Portuguêza se-acha aparentada em segundo gráo por linha obliqua,
é a muitos respeitos desta naturêza ainda possuidóra das regularidades
da lingua mãe.

196(*) Este verbo só se-usa nas expressões passivas, v. g. rio-mo,
ríes-te, riu-se
.

197(1) Por acrescentamento da voz í.

198(2) – Os Galos riem
Dessa ancia van. –
Os Mártires de F. Manoel.

199(1) Por acrescentamento da voz í.

200(2) – Os Galos riem
Dessa ancia van. –
Os Mártires de F. Manoel.

201(1) Prefiro os Prosadôres João de Barros, Damião de Goes,
Fr. João de Lucêna, Couto, Pinto, Diôgo de Paiva e Vieira
.

202(2) Vi, e com suma admiração, na Gramática Castelhana
composta pela Real Academia Espanhola, terceira impressão, o
adjétívo articular cada entre as preposições, que servem para
denotar separação de pessôas ou cousas em partes iguaes : v. g.
cada soldado, ou cada cem soldados, cada ora, cada tres annos
&c. com efeito, um êrro de tanta grandêza não devia achar-se
n’uma obra saída das mãos de tantos Sábios : estas Instituições
sendo na verdade mũi ùteis para o aperfeiçoamento da expressão
dos nossos conhecimentos, e tambem para se-engrandecêr o número
dêles, e a sua qualidade ; é tôdavia mũito necessário vigiar
que em taes corporações se-não encontrem membros possuídos das
doutrinas, que serviram de predispôr a Revolução Francêza ; cuja
glória o Instituto Nacional de França asseverou, e demonstrou
que ninguem devia têr mais parte nela que, os de que se-compunha :
como se póde vêr no Discurso preliminar do Dicionário da Academia
reimpresso no anno III. Da Répública única e indivisìvel ! !

203(1) de in Lat.

204(2) de super Lat.

205(3) de sub Lat.

206(4) de inter Lat.

207(5) Lat. v. g. per-severar.

208(6) de Lat.

209(7) de cum Lat.

210(8) de sine Lat.

211(1) Lat.

212(2) Francêza.

213(3) Lat.

214(4) de ad Lat.

215(5) ou pera de per ad Lat.

216(1) de com-operar.

217(2) de com-jugar.

218(1) Não entendo que aja mais que uma conjunção, da
mêsma sorte que um só verbo : assim e é a única conjunção própriamente
dita ; e quanto ás outras sómente lhes concedo êsse nôme
pela similhança, que se-descobre entre as suas funções e a daquela :
– acho que melhor será denominarem-se frases conjuntivas
elíticas
ou suas eqûivaléncias.

219(1) de hora, Lat.

220(2) de quo modo Lat., deve pronunciar-se fazendo ambas as
silabas breves.

221(1) Porque primeiro = em primeiro logar, (N° 10)

222(2) Derivado nunquam Lat. donde o achar-se ainda escrito nunqua
em todos os clássicos de quinhentos, seis centos e mêsmo
de setecentos.

223(3) derivado de per-quem Lat. contraído em per-que ; donde
não devem pronunciar-se longas as suas sílabas, que o compõem.

224(1) Os Gramáticos chamam Particula a uma voz
indiclinavel sem significação particular, e sem tempo, que na ordem do
discurso serve como de socôrro ás outras partes para sua inteira
composição, e devidem-na em Advérbio, Preposição, Conjunção,
e Interjeição
. Depois desta definição antilógica, dizem : O
advérbio serve para determinar ou modificar a significação do
verbo ; a preposição serve para mostrar o caso, em que deve estar
o nome ; a conjunção serve para unir e juntar entre si as partes
da oração ; a interjeição, finalmente, serve para declarar ou manifestar
as várias paixões da nossa alma : ora, determinar significação,
mostrar o caso em que deve estar o nome, unir entre si
as partes da oração e declarar as paixões da nossa alma são
significações particulares
 : logo, aqui á falta de lógica : – mais teria
eu a observar nêste ponto, se não tivesse aparecido uma refléssão
tão fina como ponderosa, qual a que se-encontra no Dicionário
do Sr. Moraes no vocábulo conjunção : ei-la aqui = e isto baste
para revelar altos segrêdos do advérbio, conjunção, (preposição e
interjeição) ; ridículo justamente dado aos Gramáticos, que lhes
poseram o nome de particulas, e sem declararem o para que servem,
nos dizem que são palavras, que por si nada significam ; como
se bôamente, assinte, &c. não significassem nada ; e se quando
ouvimos nem, mas, porém, &c. estas palavras não excitassem nenhuma
noção no nosso entendimento, e soassem como esguêva,
que o Senhôr D. João 2.° mandou escrevêr num despacho, que
queria, que não fôsse entendido = Nunca li obra Portuguêza d’Autor
nêste assunto, que tanto conceito me merecêsse ; e não tendo
eu conhecimento da pessôa do Sr. Moraes, sou todavia, como
dêvo sêr, seo afeiçoado e admiradôr pela maneira digna d’um Filósofo,
comque arrostou os prejuizos, os absurdos e os êrros em
matéria de Gramática géral aplicada á Linguagem de Cámões.

225(1) Il ne dépend pas de moi de changer les mots d’une langue ;
il dépend de moi, au moins usqu’á un certain point, de les disposer
de la manière la plus harmonieuse. D’Alembert.

A significação dos vocábulos não depende sómente do modo
porque se-pronunciam, mas ainda de como se-colocam no discurso :
quanto á forma de se-escrevêrem ou sua ortografia é evidente, que
estão dependentes da reta pronunciação dêles, como já fiz vêr na
minha Ortografia Filosófica ; a cujos fundamentos devo acrescentar
o que achei depois n’uma das Seções das Escolasd normaes de
Paris
 : é Mr. Wailly quem fala a Mr. Sicard : Citoyen, je pense
que dans la construction des livres élémentaires, nous devons
plus penser à être utiles qu’á paroîte savans ; il faut en consèquence
rendre univoques les sons de la langue autant qu’il est
possible, et non èquivoques comme sont, par exemple les lettres
e m n, que ont, dans notre alphabet, dans notre syllabaire différents
sons, sú m fait a dans solemniser, &c. – Je voudrais
que les mêmes syllabes fussent distingués, et qye l’enfant pût
savoir comment il doit prononcer, – et voilá les dificultés qui
me paraissent insurmontables, et je voudrai, s’il etait possible, qu’on
pût les destinguer par le moyen des accens
 ; – L’écriture de nos
ancêtres etait conforme á la prononciation ; au jourd’hui elle ne
l’est plus : puisque nous avons changé, et la construction, et
leur syntaxe, nous pouvons bien aussi changer leur ortographe.
Je voudrai donc une ortographe conforme á la lecture, et que
la prononciation et la lecture se prétassent un mutuel secours ;
de maniére qu’en entendant bien prononcer un mot, on pût bien
l’ortographier, on pût le bien prononcer. Je pense que dans l’etat
actuel, il n’y a pas un français, quelqu’instruit qu’il soit
, qui puisse
dire, avec vérité, = je suis en état de bien prononcer tous les
mots de ma langue, je sui en état de les bien écrire sans avoir
recours au Dictionnaire = Nos ancêtres n’avaient pas l’usage des
accens, comme nous l’avons actuellment, l’usage bien entendu des
accens faciliterait beaucoup, et la prononciation, et la lecture, et
l’ortographe
 : – d’ailleurs vouz savez (Mr. Sicard) que sur vingt-cinq
millions de personnes qu’il y a en Françe, il n’y en a pas
deux cent mille, que savent lire et ortographier ; et je voudrais
que, puis que la science est utile et nècessaire á l’homme, on
la mêt á sa portée.

Respostas de Mr. Sicard : Il me paraît que vous connaissez
tous le citoyen respectable qui vient de parler, des lors je n’ai
rien á vous en dire, car il y a des nomes dont on affaiblirait l’idée,
on voulant les entourer des élogis qu’ils meritent. Toutes
les observations de citoyen Wailly, me mettent dans la necéssité
de vous revéler le voile du secret que je vous avais fait entrevoir.
L’autre jour j’avais annoncé qu’il serait possible de faire
quelque réforme dans notre ortographe, aujourd’hui je vais tout
dire.

J’ai sent, comme le citoyen Wailly, toutes les deficultés et
toutes les inconséquences de la prononciation de la langue française ;
il n’y a point deux départemens oû l’on me prononce d’une
maniére different ; je disais qu’il fallait tâcher d’avoir une
seule et même elocution. Eh bien ! pour avoir cette elocotion, il
faut aussi avoir des signes bien determinées et partout les mêmes
.

226(1) Na linguagem dos Gramáticos Regência.

227(1) Na linguagem d’alguns modernos Gramáticos Francêzes
régime
.

228(1) Na linguagem dos simples Gramáticos châma-se caso do
verbo estuda a expressão Gramática : os Gramáticos Francêzes
de maior crédito chamam a êste vocábulo, pelo que exercita na
frase, o règime do verbo estuda ; e dividem-no em direto (ou
objeto) e indireto (ou têrmo) : vêd. Grammaire des Grammaires ou
Analyse Raisonée Des meilleurs Traités sur la Langue Françoise
,
Paris An. 1812.

229(1) Toutes le phrases ne nous offrâient que trois éléments.
Sicard.

230(2) Ou nominativo na Gramática Latina.

231(3) Ou caso na Gramática Latina.

232(*) Frase e Oração significam a mêsma cousa quanto á
substáncia ; pois acidentalmente se-entende por Oração a expressão
d’um juizo pela fala e por Frase a expressão de um juizo pela
escrita.

233(1) A êste sujeito châma-se vocativo na Gramática Latina.

234(1) Da qui vem o dizêr-se que afirmar uma negação ou nulidade
de existéncia
vale o mêsmo que negar essa mêsma existência ;
e tam-bem, que negar uma nulidade de existéncia vale
o mêsmo que afirmá-la
 ; isto é, negar que Pêdro não cumpriu
seos devêres
equivale a afirmar que Pêdro cumpriu seos devêres.
– Por esta ocasião me-recordo da inadverténcia do Padre António
Pereira de Figueirêdo
, trasladando em vulgar o Velho Testamento
no verso 3. cap. III. do Genesis, o qual sendo, conforme
a vulgata, De fructu verò ligni, quod est in medio paradisi,
praecepit nobis Deus, ne comederemus, & ne tangeremus illud, ne
sortè moriamur
 ; acha-se trasladado na segunda Impressão revista
e retocada pelo mêsmo Autôr
, deste modo : „Mas do fruto da
arvore, que está no meio do paraíso, Deos nos prohibio que
não comessemos, nem as tocassemos, sob pena de morrermos.”
Ora, o verbo praecipere significa própriamente tomar antes, por
ser derivado de prae e capio ; e tambem se lhe dão estoutros significados
prevenir, ordenar, instruir : logo o referido verso, se-me
é licito dizê-lo, deverá correspondêr a esta tradução vulgar,
Mas do fruto da arvore, que está no meio do paraíso, Deos nos
ordenou que não comêssemos e nem o tocássemos levemente,
para que não morrâmos.

235(2) Nas frases interrogativas precede o sujeito ao verbo : v. g.
sou eu ùtil ? a mêsma precedéncia tem logar nas frases optativas :
v. g. seija eu ùtil !

236(1) De Cámões.

237(2) De Cicero.

238(3) De Elpino Nonacriense.

239(1) De Fr. Luiz de Souza.

240(2) Considerando sêr o verso uma Oração ligada e sujeita a
certo número e qualidade de sílabas ; e conseqûentemente á medida
e á cadéncia : Da antiga tão amada sua Romana, como
ôje se-pronuncia, não é verso : porque sua é dis-sílabo su-a
verdade é que se-tem liberdade Poética para contraír duas sílabas
breves n’uma só, a qual por isso fica sendo longa ; mas a
primeira das duas su-a é longa ; e esta a razão porque não podem
contraír-se n’uma. Ora, ainda que assim fosse, é de advertir,
que a precisão da medida do verso não basta para que
se-torne melodioso : verdade é, que ela contribue para isso, mas
sem se-escolhêrem os vocábulos mais expressivos tanto pela qualidade
dos sons, que os formam, como pelo número dos mêsmos
sons ; sem-se combinarem as vozes e articulações as mais
sensivelmente análogas ao caráter do pensamento, do sentimento ou
da imagem ; a medida per si só em poesia viria a sêr o que ela
é na musica, em sendo despida do encanto da melodia e da expressão
do acento. Tal é o sentir de Mr. l’Abbé Batteux.

241(1) De Cámões.

242(1) Daqui vem chamarem os Gramáticos Portuguêzes a esta
lêtra n, em taes casos, lêtra eufónica : – o t na linguagem Francêza
faz a mêsma função nas frases interrogativas : v. g. Pénse-t-il,
Viendra-t-on
, &c.

243(2) Il faut que la grammaire soit conduit par le génie de la
langue qu’elle traite, que la methode en soit nette et facile ; qu’elle
n’omette aucune des lois de l’usage, et que tout y soit exactement
délini, ainsi qu’eclaire par des exemples, a fin que les
ignorans la puissent apprendre, et que les doctes lui donnet
leur approbation. L’Ablé Girard.

244(1) Compreendo debaixo desta figura as irregularidades, que
se-atribuem á denominada Silepse na Gram. De Port-Royal cap.
24.

245(1) De Fr. Luiz de Souza.

246(1) De Cámões.

247(1) De Cámões.

248(2) De Cámões.

249(1) Vulgarmente Regéncia.

250(2) Analysi antigamente.

251(1) Sei que Sicard châma complemento da preposição em
o substantivo produções ; mas, sem embargo da reconhecida autoridade
déste famôso Gramático, persisto na minha carreira,
a qual me leva ao mêsmo fim, que a dêle : talvêz mais seguro
e por isso mais breve.

252(1) Tendo alguns dos Leitôres do meo Nôvo Método levado
a mal o, que eu disse na nota (s) do § 151 Capit. 2 da
Introdução, talvêz por estarem ainda alucinados com a Doutrina
dos Gramatistas : lisongêio-me assás com vêr a Nota sôbre
o mêsmo assunto, que o Ilustrissimo Editôr das Lusiadas de
Cámões o Senhôr Morgado de Mateus, julgou fazêr ; e cujas
formaes palavras são estas = mas não era licito a João Franco
Barreto e mênos ao Padre Thomás ensinar que se-devia pôr um
acento grave no a e entendêr que o tempo, que foge à luz clara,
é o da madrugada : construção bárbara. =

Julgo sêr necessário acrescentar, para alguns Leitôres,
que o meo Nôvo Método publicou-se em Lisbôa no meado do
anno passado, e os exemplares da Edição das Lusíadas do Senhôr
Comendadôr Souza, mandados para Portugal aparecêram no
princípio do corrente anno de 1818.

253(1) Mais je suis tres-porté à croire que si l’on examinait plus
á fond les imperfections du langage, cosiderée comme instrument
de nos connaissances, la plûpart de querelles que ravagent
le monde tomberaient d’elles-mêmes ; et qu’il serait beaucoup plus
facile qu’il ne l’a été jusqu’ici d’arriver á la vérité, á la paix du
genre humain et au bonheur social.
Locke.